Santa Catarina tem 38,4% dos idosos com a vacina de reforço da Covid-19 em atraso, ou seja, não voltaram para a terceira aplicação após os quatro meses de intervalo. Vale ressaltar que pessoas com mais de 60 anos poderiam receber a 3ª dose já a partir de setembro do ano passado no Estado.
De acordo com os dados do Vacinômetro SC, o número representa mais de 426 mil pessoas dessa faixa etária que estão com a vacina de reforço em atraso e expostos a infecções mais graves pelo coronavírus.
Por outro lado, 1.111.674 idosos completaram o esquema vacinal primário de duas doses ou dose única, mas apenas 685 mil receberam a terceira dose do imunizante no Estado.
Para o superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Eduardo Macário, e a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG/SC), Juliane Ferrari, quatro fatores influenciam o comportamento dos idosos para que o índice de vacinação com a terceira dose esteja abaixo do esperado: falta de orientação, desconfiança da tecnologia das vacinas, dificuldade de acesso e propagação de mentiras.
Os médicos afirmam que esses aspectos precisam ser conversados com as pessoas de mais idade para mudar a percepção sobre a vacinação e garantir a imunização completa do grupo.
Orientação para retorno da vacinação
A data estipulada para a terceira dose ainda não era uma certeza quando o público a partir dos 60 anos foi imunizado com as duas primeiras vacinas. De acordo com Macário, esse motivo contribuí para a baixa cobertura do reforço entre os idosos.
Confiança nas vacinas e na ciência
A tecnologia moderna dos imunizantes ainda é pouco familiar para a maioria dos idosos, o que gera uma insegurança entre eles segundo a presidente da SBGG/SC. Entretanto, a médica garante que não há o que temer.
“Nenhuma vacina aplicada agora é experimental, foram feitos muitos estudos. Está provado que a vacina diminui a mortalidade pelo vírus e o número de hospitalizações, principalmente entre o público idoso”, reitera a profissional.
Acessibilidade aos locais de vacinação
Muitos idosos possuem dificuldade de locomoção e são dependentes de outras pessoas para maiores deslocamentos. Ir à unidade básica de saúde não é tão simples para acamados, deficientes físicos e pessoas que moram só.
“É fundamental que os municípios façam esquemas de comunicação, verificando como estão essas pessoas. Preferencialmente fazendo a vacinação nas residências e postos de saúde frequentados por eles”, aponta o superintendente em Saúde.
Cuidado com informações falsas
A circulação de mentiras e notícias que parecem verídicas, mas não são, também influenciam negativamente na hora dos idosos se vacinarem. Isso é um consenso entre os profissionais da saúde, que alertam para as fontes de mensagens e vídeos duvidosos.
Cenário epidemiológico com baixa imunização
Mesmo que apenas parte da população idosa não tenha recebido a dose de reforço, o superintendente em Saúde alerta que a cobertura vacinal impacta diretamente no cenário epidemiológico do Estado.
Vacinação em SC
Santa Catarina tem 5,4 milhões de pessoas com o ciclo vacinal primário completo, ou seja, 74,58% da população geral, conforme atualização do Vacinômetro SC desta quarta-feira (10). Além disso, 1,4 milhão de doses de reforço já foram aplicadas.
Assim como quase 6 milhões de catarinenses receberam, no mínimo, a primeira dose do imunizante contra a Covid-19, taxa que representa 81,62% da população total de Santa Catarina, estimada em 7,2 milhões, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).







