É halloween na escola. Alunos pra cima e pra baixo, ajustando fantasias e completando maquiagens para o desfile de horrores a seguir…
Não é novidade pra ninguém que esse tal “Dia das Bruxas” não me representa (Apesar de, muitas vezes, me chamarem de bruxo… No bom sentido, é claro!)… Mas eu tolero com alegria e gratidão as festividades desta data, comemorada em quase todas as partes do mundo, de origem estadunidense…
É legal e até engaçado ver algumas produções e fantasias que merecem, por parte de alguns alunos, dedicação extrema, coisa que outros trabalhos escolares e outras formas de adquirir conhecimento parecem não merecer…
Pois bem… Estava eu aprimorando minha leitura, enquanto meus alunos terminavam de aprumar os figurinos para o evento… E eis que entra pela janela, linda, formosa e imponente: uma pomba… Sim, uma pombinha, cinza e branca, linda e feliz, voando baixo pelos corredores da escola… O bater insistente das asas que buscam a liberdade chamou a atenção dos alunos…
Meus queridos e amados alunos, apesar de estarem fantasiados de morte, ajudaram a preservar a integridade física e a vida daquela singela pombinha perdida entre os humanos desumanizados e horrorizados… Guiaram por aqui e por ali até que a ave encontrasse a saída pela mesma janela que entrou, rumando para a liberdade fora da esccola, acompanhada de gritos estéricos de alguns alunos desavisados…
Enfim, a pombinha ganha o céu novamente, bate asas, rumo ao infinito… Poderá, novamente, voar livremente e defecar à vontade nos seres humanos e seus automóveis aqui embaixo… Não sabemos voar, nos fantasiamos de horrores, doçuras e travessuras, enquanto reclamamos de quem voa e caga nas nossas cabeças…
As pombas… Elas podem… Elas voam livres… Sem máscaras… Sem restrições… Sem distanciamento… Sem imunidade… E não adianta matar uma, no lugar dela brotam setenta vezes sete… São autênticas… São elas mesmas… Apenas pombas…
Márcio Roberto Goes
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