4 de outubro de 2026
Audiência Pública

Estiagem deve castigar agricultores até final do ano

Informação é do meteorologista João Rolim, durante audiência pública na Câmara de Vereadores

Por Asses. Imprensa CMC

A Câmara Municipal de Caçador, através da Comissão de Indústria, Comércio e de Agricultura, promoveu na noite desta sexta-feira, 6, uma Audiência Pública para discutir os impactos causados pela estiagem no Município e os prejuízos aos agricultores locais decorrentes do ataque da cigarrinha-do-milho nas lavouras.

O debate reuniu lideranças políticas, técnicos da área e a agricultores, detalhando informações sobre a temática abordada e buscando alternativas para a resolução dos problemas. A mesa dos trabalhos foi composta pelos vereadores Jean Carlo Ribeiro (presidente da Comissão), os deputados estaduais Valdir Cobalchini e Paulinha, o prefeito Saulo Sperotto e o vereador e relator da Comissão, Leandro Sawchuck, juntamente com o ex-deputado Reno Caramori, representando o secretário de Estado da Agricultura, Altair Silva.

Estiagem deve permanecer até o final do ano, aponta meteorologista

 

Primeiro a usar a palavra foi o meteorologista especializado em impactos ambientais, João Rolim, que alertou para a falta de chuvas nos próximos meses. Segundo ele, estiagem deve permanecer com frequência pelo menos até o final do ano e para o próximo triênio apenas no mês de setembro as chuvas deverão ficar na média esperada.

“Neste ano, tivemos apenas janeiro com chuvas dentro da média esperada, superando os 200 milímetros. Os demais meses o registro foi abaixo do esperado”, destaca, informando ainda que as poucas chuvas esperadas até dezembro podem vir acompanhadas de temporais devido à elevação da temperatura no período. 

Prejuízos com a cigarrinha do milho chega a R$ 246 milhões

O próximo a explanar foi o gerente regional da Epagri, Jonatan Galio, que discorreu sobre a cigarrinha-do-milho. Segundo ele, nos 19 municípios que compõe a regional de Videira, a média de perdas ficou em 38,39%, tendo um impacto econômico de R$ 246,3 milhões. Somente em Caçador foram R$ 10,6 milhões. Estes prejuízos tiveram variações conforme a lavoura, ou seja, enquanto em uma o produtor colheu safra cheia, em outra o prejuízo chegou a 80%.

Ele destacou ainda que a cigarrinha não é a responsável direta pelos danos direto nas plantas, mas sim um agente transmissor da praga que danifica os milhos. Segundo o profissional, as condições favoráveis para que isso aconteça são as temperaturas elevadas e invernos pouco rigorosos.

Com relação aos métodos de controle, Jonatan destaca que a Epagri atua em algumas frentes importantes, como a eliminação do milho guaxo, material genético com maior nível de resistência, tratamento de sementes e sincronização de plantio, bem como o monitoramento e controle químico do clico do milhões e o controle biológico.

Linhas de fomento para auxiliar os agricultores

 

O terceiro profissional a se manifestar foi o engenheiro Daniel Alexandre Suski, extensionista da Epagri, que abordou as linhas de fomento aos agricultores, como o “Invest Agro SC”, que conta com R$ 90 milhões disponível como linha de apoio através de financiamento bancário, com subvenções de juros para os agricultores do Estado; e o financiamento via Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), com linha de fomento com recursos da Secretaria com juro zero que possui R$ 60 milhões disponíveis para este ano. 

Dentro dos programas desenvolvidos pela secretaria, Daniel destacou o Programa Fomento Agro – Prosolo e Água – destinado para a captação (exceto perfuração do poço artesiano), armazenamento, tratamento e distribuição de água para utilização na propriedade com dessedentação humana e animal e irrigação, com recursos disponíveis de até R$ 100 mil para cada família e com prazo de cinco anos para o pagamento, tendo ainda subvenção de 50% para beneficiários adimplentes.

O segundo, se refere ao Cultivando e Protegendo o Solo, destinado a práticas conservacionistas do solo e da água visando a preservação do meio ambiente e tendo um limite de até R$ 30 mil por famílias, e prazo de cinco ano para pagamento, com um ano de carência e pagamento de quatro parcelas anuais. A subvenção é de até 50% da parcela paga em dia.

Lideranças políticas destacam a importância do debate 

O prefeito Saulo Sperotto cumprimentou a Câmara pela iniciativa de levantar o debate destacando que a Administração Municipal vem trabalhando em várias frentes para auxiliar os produtores rurais, seja através de parcerias como entidades como a Epagri ou em ações da secretaria de agricultura e infraestrutura.

“Tanto a estiagem quanto a cigarrinha-do-milho tem preocupado porque gera um impacto negativo na agricultura, prejuízos ao agricultor e reflete no movimento econômico do Município. A prefeitura tem feito a sua parte e estamos à disposição para unirmos esforços e buscar novas alternativas”, destaca Saulo.

O deputado estadual Valdir Cobalchini informou que através da bancada do Oeste na Assembleia Legislativa, e após conversa com o governador Carlos Moisés, foi possível a liberação de R$ 100 milhões para ser investidos neste ano no combate a estiagem, e para o próximo biênio estão garantidos outros R$ 200 milhões.

Além disso, demonstrou sua preocupação quanto à cigarrinha-do-milho, que causou um déficit considerável do produto no estado e ocasionou a disparada do preço do produto no mercado.

Também presente no evento, a deputada estadual Paulinha ressaltou a importância da unidade entre os agricultores para a erradicação da cigarrinha, uma vez que se for erradicada em uma lavoura e não em outra, ela vai percorrer e contaminar todas novamente. “O problema vai além dos investimentos financeiros, porque isso tem, juntamente com apoio técnico e estratégico. É preciso esta mobilização e articulação do homem do campo no plantio, sem isso, não vamos conseguir resolver a situação”.

O ex-deputado estadual Reno Caramori, representando o secretário de Estado da Agricultura, Altair Silva, complementou destacando que se um produtor fazer a erradicação e o vizinho não fazer, o trabalho será inútil, já que a cigarrinha percorre um território de até 30 quilômetros. “Esse debate tem um objetivo só: salvar as nossas lavouras e socorrer o nosso agricultor, seja em referência ao milho ou na questão da água, com ações que minimize a estiagem”, finaliza.

Grupo de trabalho será criado

O presidente da Comissão de Agricultura, Jean Carlo Ribeiro, informou que a partir do debate feito na Câmara, um grupo de trabalho deverá ser montado para discutir as ações para ambos os problemas.

“Vamos reunir os técnicos da secretaria municipal de agricultura, Epagri, Cidasc, ADEAC e outras entidades para, junto com esta Casa, efetivarmos um plano de ação contra a cigarrinha-do-milho, envolvendo também as cooperativas para que levem estas informações aos agricultores. Na questão da estiagem é preciso criar mecanismos preventivos para evitar mais prejuízos ao agricultor, investindo por exemplo na abertura de açudes e ampliando os reservatórios de água”, finalizou.

Vereadores prestigiaram a Audiência

Além dos vereadores Jean e Leandro, o debate contou com a presença do membro da Comissão de Agricultura, Fabiano Dobner, e dos vereadores Johny Marcos, Lidiane Cattani, Almir Dias e Paulo Nazário.


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