O município de Caçador terá na próxima sexta-feira, 6, um ato público contra a cultura do estupro. A manifestação, que está sendo organizada através das redes sociais, tem como objetivo chamar a atenção para a violência contra a mulher, em alusão ao caso Mari Ferrer.
Os detalhes do movimento estão sendo discutidos via grupo de WhatsApp. Até o momento, foram definidos apenas horário de saída, às 16h30, e local, no Parque Central José Rossi Adami.
Mais de 140 integrantes do grupo Justiça por MariFerrer estão mobilizando a comunidade para se manifestar contra o absurdo da cultura do estupro.
Assinam este ato:
Ação Corrente Popular Caçador
Mostra Minerva Mulheres Artistas
Primeira Trupe Caçadorense de Malabarismo
UNA LGBT Caçador
Movimento Cultural Janela da Arte
Organizadores chamam a atenção para as regras de distanciamento social. Obrigatório uso de máscara.
Confira o evento criado no Facebook: https://www.facebook.com/events/967751640399875
O caso (Fonte G1)
O tratamento recebido por uma jovem durante o julgamento do homem que ela acusou de estupro em Santa Catarina provocou indignação, reação do Conselho Nacional de Justiça e críticas de ministros de tribunais superiores.
A blogueira Mariana Ferrer acusa o empresário André de Camargo Aranha de tê-la estuprado em dezembro de 2018, em um camarim privado, durante uma festa em um beach club em Jurerê Internacional, em Florianópolis. Ela tinha 21 anos e era virgem.
As únicas imagens recuperadas pela polícia mostram Mariana na companhia do empresário. Ela suspeita que tenha sido drogada e que, por isso, não sabe exatamente o que aconteceu. Nas roupas dela, a perícia encontrou sêmen do empresário e sangue dela. O exame toxicológico de Mariana não constatou o consumo de álcool ou drogas.
Em depoimento, André Aranha disse que fez sexo oral. A defesa do empresário diz que ele não estuprou Mariana.
O inquérito policial concluiu que o empresário havia cometido estupro de vulnerável, quando a vítima não tem condições de oferecer resistência. O Ministério Público denunciou o empresário à Justiça.
Durante o processo, o promotor do caso foi transferido para uma outra promotoria e o entendimento do novo promotor foi o de que o empresário não teria como saber que Mariana não estava em condições de dar consentimento à relação sexual, não existindo, assim, o dolo, a intenção de estuprar.
Essa conclusão do promotor está sendo chamada de "estupro culposo". Aranha foi absolvido.
Na sentença, o juiz Rudson Marcos concluiu que não havia provas suficientes para a condenação - só a palavra da vítima - e que, na dúvida, preferia absolver o réu. A tese de um estupro sem dolo causou espanto, assim como a atuação agressiva do advogado do empresário nas audiências de instrução do processo.
O caso voltou à tona nesta terça-feira (3) depois que o site The Intercept Brasil publicou o vídeo de uma audiência do caso em que o advogado de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho, humilha Mariana.







