Com 106 anos de idade, faleceu nesta cidade dia 2 de novembro Ernesto Faoro, chamado por todos carinhosamente de Seu Ernesto. Seu passamento se deu sem uma doença declarada, foi levado desta vida pelo peso dos anos. Até o fim dos seus dias, guardou uma grande lucidez. O seu temperamente calmo e afável despertou sempre a admiração dos que conviveram com ele no vasto círculo de sua família, com sete filhos de dois casamentos, com seus genros, noras,netos e bisnetos, sem falar dos incontáveis amigos.
Seu Ernesto foi um pioneiro no desenvolvimento da sociedade caçadorense. Italiano de sangue, gaúcho de nascimento e caçadorense de coração, residia em Caçador desde 1931, quando aqui chegou com seus pais Attilio Faoro e Luiza D’Ambroz, imigrantes italianos vindos da cidade gaúcha de Antonio Prado. Seus avós, Giovanni Faoro e Vittória De Boni, nascidos no Norte da Itália, desembarcaram no Rio Grande do Sul em 1887 depois de uma longa viagem marítima.
Seu Ernesto tinha o perfil do italiano do Norte que imigrou para o Brasil: afeito ao trabalho, forte mas não corpulento, calvo de testa saliente, um temperamento sereno, um dinamismo infatigável e o controle de si em todos os momentos da vida. Para usar uma antiga expressão, tinha ele “o coração em suas mãos”.
Um homem com uma profunda Fé cristã e portanto com uma vontade forte. Confiante em Deus, soube forjar suas convicções e desenvolver um caráter que se manifestava no amor ao trabalho austero e duro, na aceitação obediente do preceito bíblico de “comerás o pão com o suor do teu rosto”. Tendo de tomar uma decisão, feita a melhor escolha após reflexão, dava um passo em frente, não temendo os imprevistos nem as dificuldades. Um pioneiro no sentido do termo, como tantos outros descendentes de italianos da sua geração que fizeram uma opção preferencial pelo nosso querido Brasil.
Sua família estava no centro das suas preocupações. A bem dizer foi o sentimento que dominou a sua vida. Nas referências enternecidas aos seus pais, notava-se uma alma generosa, respeitosa e delicada para com eles. Sempre tinha uma nota de carinho permanente quando se referia a vida familiar e quando conversava com cada um de seus filhos, netos e bisnetos.
Ele deixa saudades, respeito e mesmo veneração em seus descendentes e em todos os que o conheceram. Com a falecimento de Seu Ernesto desaparece um homem e uma época. A sua morte deixa um vazio que dificilmente será preenchido, porque homens desta envergadura moral são raros nos dias de hoje. O nosso tempo, dominado pelo desejo de realizações imediatas e de sensações fortes, não encontra mais alegria na vida degustada de forma cristã, ordenada e calma que constituiu o equilíbrio temperamental e a beleza do universo interior de Seu Ernesto. Provavelmente, aqui se encontra o segredo da sua longevidade.
Que Deus, na sua infinita misericórdia e pela intercessão da Virgem Maria, o acolha no Céu por toda a eternidade.
A família roga e agradece uma prece por sua alma.






