3 de outubro de 2026
Investigação

Presidente da Acadef comenta sobre a operação da Polícia Civil

Zé Carlos está convicto que em sua gestão de 4 meses nada foi feito de irregular

Por Caçador Online

O presidente da Associação Caçadorense de Deficientes Físicos (Acadef), José Carlos Pereira dos Santos (Zé Carlos), se manifestou nesta quinta-feira, 6, sobre a operação da Polícia Civil que apreendeu, no início da semana, documentos e computadores na sede. Há indícios de irregularidades e crimes cometidos no sistema de estacionamento rotativo de Caçador, e a polícia segue investigando o caso.

Zé Carlos está convicto que, na sua gestão que assumiu há quatro meses, não foi cometida nenhuma irregularidade. Ele acredita que as investigações se referem a períodos anteriores e que a associação espera que tudo seja esclarecido.

Segundo a investigação da Polícia Civil, há indícios de desvio de recursos e crimes como corrupção passiva e improbidade administrativa. Do valor arrecadado com os cartões, 20% são repassados ao município e os outros 80% ficam com a associação para serem revertidos em ações sociais para pessoas com deficiência.

"A finalidade da busca era apreender documentos que pudessem auxiliar a investigação. Vamos agora analisá-los para depois instruir o inquérito policial. Não houve pedido de prisão, pelo menos nesse momento, já que a diligência era para colher elementos de informação de fato aparentemente criminoso praticado por representantes da Acadef", explicou o delegado Ronnie Esteves, responsável pela investigação.

O contrato da Prefeitura com a Acadef venceu nesta quarta-feira, 5, e no mesmo dia a associação parou de prestar os serviços. A Prefeitura irá realizar uma licitação para contratar uma nova empresa.

Confira a entrevista com Zé Carlos

Caçador Online: Quais eram os indícios de irregularidades que a Polícia Civil veio em busca?

Zé Carlos: Existem muitos comentários. Mas é importante saber que está sendo averiguado o rotativo. Temos que saber diferenciar: Acadef é uma coisa, e rotativo é outra. Sabemos que existem alguns indícios, mas não na nossa gestão, e é mais que justo a Polícia fazer esta averiguação. Por enquanto, é prematuro falar nisso, pois eu estou apenas há quatro meses e meio à frente da associação. É pouca coisa que eu sei. O que eu posso falar é que, na minha gestão, sempre foi feita e respeitada a prestação de contas à Prefeitura, sendo que sem a prestação de contas sequer poderíamos vender os blocos. Por isso, sempre agimos dentro da legalidade, ao menos na minha gestão.

Quando assumiu a Acadef, percebeu algum indício de irregularidade?

Só posso responder pela minha gestão. Nas gestões anteriores, os próprios caçadorenses sabem e comentavam que havia indícios de irregularidades, mas quem responde são os antigos gestores. Na minha gestão busquei sempre a legalidade. Os monitores hoje estão com os salários em dia, a associação está em dia, todos contentes. Mudamos totalmente a sistemática.

Quais eram as reclamações que o senhor comentou e o que foi feito para resolvê-las?

A principal reclamação era a sistemática que os monitores realizaram a venda. Eles chegavam muito rudes, de uma forma como se obrigasse a pessoa a comprar. Isso não pode. Trabalhamos muito nisso. Na minha gestão sempre orientamos os monitores a trabalhar com a venda, mas com respeito. Humanizamos. Todos que não se comportavam dessa maneira nós repreendíamos, passando por reciclagens. Em outras situações, observou-se que não cumpriam a carência dos 10 minutos prevista no decreto. Todo dia havia algum problema e queixas dos clientes. São situações críticas que fomos eliminando e tivemos um resultado muito bom. O cliente é prioridade, e tem que tratá-lo muito bem. Obviamente, também tivemos muitos problemas da comunidade, onde clientes assediavam nossas monitoras, ofendiam, mas não podemos generalizar.

Como era antes da tua gestão e o que mudou?

Voltamos a focar a área social, que estava praticamente abandonada. Nesses quase cinco meses, buscamos recuperar a autoestima da Acadef. Fizemos projetos e já fomos contemplados com cadeiras de rodas. A prioridade dessa gestão é a área social. Quanto ao estacionamento rotativo, mudou muitas coisas também. Nenhum monitor ia ao trabalho sem passar por uma reunião, onde eram orientados para não cometer erros. Foi feita uma reciclagem. Todos os que trabalhavam anteriormente foram exonerados. Muitos não concordaram com a nossa forma de trabalho, e outros optaram por sair. Teria muito coisa para fazer ainda em prol da Acadef, mas seriam necessários no mínimo 12 meses.

O rotativo termina por enquanto, mas a associação continua...

O que eu posso dizer é que para mim foi um orgulho estar à frente da Acadef. Aqui eu conheci muitas pessoas que necessitam dessa associação. Conheci uma realidade de Caçador que jamais sabia, uma realidade que muitos deveriam vir aqui e conhecer também. É importante saber separar que a Acadef é uma coisa e rotativo é outra. Me sinto satisfeito, do meu trabalho e da minha equipe que me auxiliaram. Aprendi muito com eles. Quero finalizar dizendo para a população de Caçador que fizemos um trabalho voltado aos cidadãos. Se houve algum entrave, peço-lhes desculpa. Todo ser humano comete erro. Só tenho a agradecer à comunidade pelo atendimento e respeito de todos. Que Deus ilumine a todos.

Houve o encerramento do contrato no dia 5. No mesmo dia, dispensei os monitores. Acho corretíssimo a Prefeitura fazer a licitação. A lei nos conduz a isso. A Acadef continua como entidade social e outra empresa irá assumir o rotativo. Existe a possibilidade da associação concorrer para participar da licitação. Mas este trabalho é muito desgastante. É difícil focar em duas frentes, tanto é que as gestões anteriores se focavam apenas no rotativo. Ou você atende uma coisa, ou outra.

De que forma eram utilizados os recursos do rotativo?

É muito oportuna esta pergunta. Muitas pessoas têm dúvida: vamos esclarecer. O valor que é captado pelo rotativo, ele retorna para pagar os funcionários e, se houver sobra de valores, é investido na área social da associação. Aplicamos esses recursos em quem precisa. O que sobra é o mínimo do mínimo do mínimo. É muito pouco para atender a demanda.

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