Mais uma vez, o espetáculo Paixão de Cristo não será realizado em Caçador por falta de apoio do Poder Público. A peça, encenada por dez anos pelo grupo de teatro Temporá, foi apresentada pela última vez em 2013 com um público de cinco mil pessoas, e desde então caiu no esquecimento.
Adilson José Panatta, diretor do grupo, explica que o projeto cultural da peça foi protocolado na Prefeitura no dia 9 de janeiro, dentro do que estabelece a legislação municipal. Mas, segundo ele, o projeto sequer foi analisado.
“Não tiveram capacidade de apresentar uma análise técnica do projeto. Eu passei dias e dias montando e eles nem tiraram da gaveta. Não sabiam sequer onde o projeto se encontrava, mesmo existindo acompanhamento eletrônico. Isso é falta de respeito”, reclama.
Já a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Scheila Marins, afirma que o projeto foi sim analisado. Ela diz que admira muito o trabalho do grupo, mas a Prefeitura não irá promover o espetáculo por duas razões.
“Neste momento não há condições de investir no projeto, pois a Prefeitura está repleta de dívidas e por isso não estamos realizando eventos que exijam verbas altas. Em segundo lugar, para destinar verbas neste caso seria preciso abrir um edital, para que outros grupos também tenham a oportunidade de concorrer”, retrata.
Tradição de dez anos está se perdendo
A encenação da passagem bíblica de Jesus antes de sua morte e ressurreição era considerada uma das mais importantes atrações culturais de Caçador. Realizada por dez edições, de 2004 a 2013, a peça Paixão de Cristo do grupo Temporá era prestigiada por pessoas de toda a região, com um público de cinco mil pessoas, em média.
Para a edição de 2017, o diretor do grupo estimava um público bem maior, de 10 mil pessoas. “Justo agora que contamos com um dos melhores elencos que já tivemos. Então não é por falta de vontade, capacidade ou de pessoas. Muito pelo contrário, sofremos muito com isso. É como se estivéssemos devendo algo para a comunidade”, justifica Panatta.








