3 de outubro de 2026
Livro do mérito

CREA faz homenagem a Lourenço Faoro

Engenheiro contribuiu significativamente com o desenvolvimento de Caçador e SC

Por Caçador Online

O CREA-SC (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina) promove nesta quinta-feira, 26, na Associação Catarinense de Engenheiros (ACE), em Florianópolis, a solenidade de Outorga da Medalha e Inscrição no Livro do Mérito Catarinense.

O evento reverencia os profissionais, entidades de classe, instituições de ensino, empresas públicas e privadas que, de alguma forma, contribuíram com o aprimoramento técnico das profissões, promoveram o desenvolvimento tecnológico e a melhoria da qualidade de vida dos catarinenses. Esta edição vai homenagear seis profissionais e duas entidades de classe com a medalha do mérito e um profissional com a inscrição no livro do mérito.

Entre os homenageados estão Lourenço Faoro, que teve atuação destacada em Caçador, contribuindo para o desenvolvimento do município, região e estado. Falecido em 1993, o nome dele está eternizado na rodovia que liga Caçador a BR 116.

A homenagem em Florianópolis será recebida pelos familiares de Lourenço Faoro.

Segundo o CREA, essa homenagem será concedida pelos "relevantes serviços realizados, com exemplar qualidade técnica, profissionalismo e espírito público, aliado a valorização profissional, a contribuição ao aprimoramento técnico das profissões que compõem o Sistema CONFEA/CREA, bem como para o desenvolvimento tecnológico sustentável do estado e do país, e a melhoria da qualidade de vida dos catarinenses".

Lourenço Faoro

Lourenço Faoro, filho de Luiza D’Ambrozzi e Attilio Faoro, nasceu em Vacaria, no então distrito e hoje município de Ipê, RS, em 21 de maio de 1921. Faleceu em Caçador no dia 15 de setembro de 1993. Nesses 72 anos de existência foi participante e responsável por muitas realizações em Santa Catarina.

O motivo da vinda da família Faoro a Caçador foi a busca de estudos para os filhos. Neste município, Lourenço Faoro passou sua infância e concluiu o primário em 1933 e o ginasial em 1938, no Colégio Aurora, além do curso de Contabilidade.

Desde pequeno, a sua tendência era a matemática, sendo que aos cinco anos de idade já realizava contas de multiplicação e divisão de memória. Procurando a formação acadêmica, seguiu para Porto Alegre, onde realizou o pré-técnico no Ginásio Rosário, em 1941. Em seguida, cursou a Faculdade de Engenharia Civil na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, concluída em 1946. Neste ínterim, com o andamento da II Guerra Mundial, interrompeu seus estudos e foi designado como 2° Tenente de Artilharia do Exército Brasileiro, ficando sediado por um ano na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, concluído ao final da guerra. Aproveitando essa estada, obteve conhecimento em concreto armado com os Engenheiros americanos, técnica essa ainda pouco usual e conhecida no Brasil.

Voltando a Caçador, constituiu uma empresa de engenharia, dedicando-se à construção civil, a partir de 1947. Dentre diversas obras, foi o Engenheiro responsável pela construção da usina hidroelétrica de Bom Sucesso de Eletricidade, situada no Rio Timbó, com capacidade de 6.000 KVA. Foi um de seus diretores até os últimos dias de sua vida. Nessa cidade, também projetou e foi responsável por diversas obras residenciais e comerciais, dentro as quais cita-se o Clube 7 de Setembro e o primeiro prédio com uso de elevador de Caçador, o Edifício Barbi, com seis andares e situado em frente a empresa Reunidas.

Por deter a patente de 1° Tenente da Artilharia R/2, em 12 de junho de 1947 foi nomeado primeiro Diretor do então Tiro de Guerra n° 172, atualmente Tiro de Guerra 05-006.

Em Caçador, foi um dos fundadores e professores do Colégio Jorge Lacerda, hoje Escola Cenecista Marcos Olsen.

Entre 1948 e 1951 foi eleito Vereador, fazendo parte da primeira Câmara Municipal após o Estado Novo.

Em 17 de outubro de 1951 ingressou no Departamento de Estradas e Rodagem (DER) do Estado de Santa Catarina, conforme DOE n°4542. Atualmente, o DER é designado como Departamento de Infra-Estrutura –DEINFRA. 

Entre 04/01/1952 e 14/02/1953 foi designado Engenheiro Residente em Chapecó, conforme DOE n° 4572.

Entre 15/02/1953 e 01/01/1954 foi o primeiro Engenheiro residente do DER em São Joaquim, onde instalou o escritório da 11ª Residência de Estradas de Rodagem do DER, com vistas à execução dos vários projetos rodoviários de São Joaquim, Bom Jardim, Urubici e Bom Retiro. Fruto de sua passagem por São Joaquim, lá conheceu a sua esposa Malba Bathke Palma Faoro, onde casaram em 3 de julho de 1954.

Entre 02/02/1954 e 25/03/1961 foi Engenheiro Residente do DER em Caçador, onde construiu e instalou o primeiro escritório do DER, sendo o seu primeiro Engenheiro Residente. Nesse local, atualmente está instalada a Agencia de Desenvolvimento Regional de Caçador.

Em 25 de abril de 1966 foi nomeado Secretário de Estado da Viação e Obras Públicas (atualmente Secretaria de Estado da Infraestrutura), conforme DOE n° 8038, no governo Ivo Silveira. Exonerou-se em 15 de maio de 1967 por desavenças políticas com o então governador, conforme DOE n° 8290. 

Entre 18/03/1969 e 11/08/1976 voltou a ser Engenheiro Residente em Caçador. Em seguida, foi designado Coordenador Regional do DER no Vale do Rio do Peixe, entre 11/08/1976 e 29/03/1978.

Devido ao seu dinâmico trabalho, foi Diretor Estadual de Construções do DER, em Florianópolis. Posteriormente, voltou à direção do DER, resultando, graças ao seu trabalho técnico e político junto ao Governo de Colombo Machado Salles (1971/1975) e de Antônio Carlos Konder Reis (1975/1979), no asfaltamento da rodovia SC 302, entre Caçador e a BR 116, uma obra iniciada em 1973 e terminada em 1977. A extensão da rodovia foi de 65,4km, sendo a mais moderna construída no Estado de Santa Catarina até então, pois, graças ao seu empenho, a rodovia foi projetada com pista dupla em muitas de suas elevações. Como resultado, essa rodovia desde então favorece o progresso da região, “escoando a grande e diversificada produção” regional, conforme Lourenço desejava e escreveu no folder da inauguração dessa rodovia.

Continuando a sua caminhada e graças a competência demonstrada, foi designado Diretor Administrativo-Financeiro da COHAB. Neste período, foi o responsável pela primeira construção de casas populares em Caçador, dando início a hoje designada Cohab I, situada no bairro Rancho Fundo.

Após seu falecimento e em reconhecimento ao seu empenho e a essa realização, os seus Companheiros do Rotary Clube de Caçador desencadearam um movimento de denominação da rodovia SC 302, trecho entre Caçador, Lebon Régis e a BR 116. Inicialmente, houve a indicação do então Vereador Mauro Ceccatto e respectiva aprovação pela Câmara de Vereadores de Caçador. Em seguida, por indicação do então Deputado Reno Caramori e aprovação da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, foi sancionada pelo então Governador Paulo Afonso Vieira a lei designando a SC 302 como Rodovia Dr. Lourenço Faoro, cuja Lei  original é a de n° 10.061 de 08/01/1996. Posteriormente foi atualizada pela Lei n° 16.720 de 08/10/2015.

Mais tarde, o trecho entre o km 84, situado ao final da Rua Brasília, até o Km 89, situado em frente a empresa Madecal, da rodovia Dr. Loureno Faoro foi repassado para o domínio municipal e, na gestão do Prefeito Saulo Sperotto, recebeu a denominação de Avenida Engenheiro Lourenço Faoro, mediante a Lei 2.437 de 20/04/2007.

Por sua ação política, em 1982 conseguiu recursos do governo estadual para o asfaltamento do prolongamento da Av. Barão do Rio Branco até o Parque de Exposição, trecho hoje denominado Av. Fadho Thomé.

Foi candidato à Prefeito de Caçador nas eleições de 15/11/1982, onde obteve a segunda maior votação.

No DER, local onde atuou durante toda a vida e constituiu um grande círculo de amigos, muitos dos Engenheiros que trabalharam ou que hoje ainda trabalham nesse órgão citam que Lourenço foi um dos baluartes e exemplos de destaque a serem seguidos como exemplo profissional e ético. Em 15 de março de 1978, conforme portaria n°120/78/SAT, aposentou-se do DER. Sua convicção era de que deveria abrir espaço aos Engenheiros mais novos que estavam vindo, já que entendia que a sua jornada no referido órgão público tinha sido cumprida.

Em reconhecimento aos serviços prestados a Caçador e por proposta do então Vereador Cid dos Anjos, recebeu o título de Cidadão Honorário de Caçador, em 1991. Essa, provavelmente, foi a homenagem que mais o orgulhou em vida, já que oficialmente tornou-se filho da terra que o acolheu e que tanto ele amava.

Após aposentado do DER, desenvolveu a atividade de Engenheiro de Segurança nas empresas Adami e Tedesco e foi diretor da Companhia Bom Sucesso de Eletricidade, até o seu falecimento.

Lourenço Faoro deixou sua esposa Malba, seus filhos Ilvaita, Ivan e Paola, e os netos Guilherme, Yasmim, Athena, Carolina, Vicenzo e Valentina no dia 15 de setembro de 1973, aos 72 anos de idade, vitimado por câncer reincidente que o tinha acometido há 10.

Em sua vida foi construtor por profissão, já que era Engenheiro Civil. Mas, a sua atitude foi de tecer alicerces para construir e impulsionar os que com ele conviviam ou o local físico onde vivia. Esta forma de ser raramente trazia descanso para si, mas o trabalho e as realizações contínuas, essas sim, eram necessárias à sua existência.

Talvez a melhor descrição de seu modo de ser e de agir tenha sido descrita pelos seus Companheiros do Rotary Clube de Caçador, onde diziam que Lourenço “era o futuro e não o passado, só lhe importando o que você realmente é, sempre respeitando a verdade. Não desprezava nenhum ser humano. Não era vaidoso. E, como não andava à cata de aplausos, jamais se ofendeu com os eventuais desagrados sentidos”.

O que se pode dizer é que o Engenheiro Civil Lourenço Faoro, em todos os lugares onde passou, cumpriu totalmente a sua missão, fruto de seu amor e obstinação com o desenvolvimento de nosso povo.

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