Dezembro de 2015 foi o mês que a alegria e entretenimento do esporte caçadorense deram lugar à tristeza e à dor. Foi quando o técnico de futebol Josué Henrique Kaercher, que ajudou a tornar o time do Kindermann campeão da Copa do Brasil naquele ano, foi brutalmente assassinado. Caçador nunca mais foi o mesmo. Diante do trauma que comoveu todo o país, o time de Caçador encerrou as atividades.
Um ano, um mês e um dia depois daquela tragédia, coube a Salézio Kindermann, presidente da Associação Esportiva Kindermann, tomar uma difícil decisão. Ainda com as profundas marcas de ter presenciado a morte de um grande amigo, Salézio anunciou o retorno do time de futebol feminino nessa quinta-feira, 12 de janeiro.
“Realmente eu tinha decidido que nunca mais iria retornar com o futebol. Tinha desistido. Mas pensei muito. Pensei. Pensei de novo. Rolava na cama toda noite. Não sabia mesmo o que fazer. Aquilo foi um trauma para minha família, mas aos poucos todo mundo chegou ao consenso e decidimos voltar com o time. O futebol está no meu sangue. É a minha vida”, comenta Salézio em entrevista ao Caçador Online.
Dois fatores influenciaram na decisão. Antes do assassinato, o Kindermann havia captado um pequeno valor através do imposto de renda que só pode ser utilizado no projeto original, no apoio das atividades do time. Além disso, o Kindermann, mesmo parado um ano, está entre os oito melhores do Brasil e garantiu uma vaga na Série A do Campeonato Brasileiro.
“Eu tenho a vaga, tenho o dinheiro captado e não podia jogar fora todo esse trabalho que conquistamos. Se eu não voltasse com o Kindermann agora, nunca mais teríamos a chance de disputar um campeonato nacional. Eu sou caçadorense, minha família nasceu e se criou aqui, gosto muito desta terra. Eu quero muito representar esse lugar”, acrescenta o presidente.
Um novo começo
O Kindermann inicia com um time novo. É um recomeço difícil, avalia Salézio Kindermann, mas tem tudo para dar certo. Os erros do passado serão evitados. A partir de agora o time Kindermann não terá mais nenhuma relação com o hotel Kindermann. O foco é campeonato nacional, o único título que o time caçadorense ainda não tem.
“Eu tenho a melhor goleira do Brasil e o treinador é um dos melhores também. Um time começa por uma boa goleira e um bom treinador, e isso já fiz. As 18 jogadoras que eu tenho dá para começar. A nossa defesa é muito boa, preciso melhorar um pouco o ataque, mas vamos esperar o andamento do time. Temos que recomeçar o trabalho. Meu sonho é ganhar o campeonato nacional. Só falta esse”, declara o presidente do Kindermann.





