Fazer compras na feira livre faz parte da vida de muitos caçadorenses. Todas as quartas-feiras (16h às 20h) e sábados (6h às 10h), muitas pessoas saem de casa para adquirir produtos de agricultores nas barracas da rua Aristiliano Ramos, próximo à ponte. E a feira faz o maior sucesso entre a clientela, que resiste à modernidade dos supermercados e buscam alimentos baratos, tradicionais e livres de agrotóxicos.
O público da feira é composto em sua maioria por donas-de-casa e aposentados. A tradição passa de décadas, como a senhora Ana Maria Guadani, de 73 anos, que há mais de 30 faz compras na feira livre. Ela explica as razões de frequentar o local há tanto tempo.
"Porque os produtos são melhores, não tem veneno e é mais gostoso. Tem verduras, queijo, leite, tudo isso com qualidade muito boa. Aqui também é bem mais em conta e você faz economia. Uma bonita cabeça de alface você compra por 1 real", exemplifica dona Ana Maria.
Dona Ana Maria faz compras na feira há mais de 30 anos
Da mesma forma, permanece na feira alguns agricultores que há anos preservam a tradição familiar. Este é o caso de Moacir Susin que iniciou na comercialização de produtos orgânicos aos seus 8 anos de idade. Hoje com 63 anos tem ajuda da filha. Ele lembra da época que a feira teve início.
"A feira começou em frente ao clube Sete de Setembro. Eu ainda era criança e vinha junto com o falecido pai, o seu Valdemiro Susin. Lembro que nós estacionávamos as carroças pro lado de baixo, onde é agora estão os bancos, e por uns par de anos vendíamos no meio daquela rua, que naquela época não tinha nada. Depois a feira se mudou para frente da Prefeitura, e veio para onde está agora", lembra.
Moacir Susin comercializa na feia desde os 8 anos de idade
A variedade é o destaque
A feira livre é mantida pela Associação dos Produtores e Feirante de Caçador, que atualmente conta com mais de 50 famílias produtoras. Segundo o presidente da associação, Jeferson Sorgatto, o destaque é a variedade de produtos.
"Aqui você encontra de tudo que é mais tradicional. São verduras livres de agrotóxicos, queijos coloniais, morangos com selo orgânico, frutas de época e uma grande variedade de panificação e doces", observa.
Outro destaque é que a comercialização é realizada pelo próprio produtor, sendo proibido haver intermediários. "Isso é manter a tradição de anos. É o produtor que responde pelo seu produto", finaliza Sorgatto.
Sugestão de melhorias
A principal sugestão de melhoria, segundo os agricultores ouvidos pela nossa reportagem, é a cobertura da feira. Eles sugerem uma cobertura mais ampla, para que em dias de chuva o comércio de alimentos não seja afetado.





