3 de outubro de 2026
Mercado

Abertura para maçã chinesa preocupa produtores

Na década de 90, concorrência da China já inviabilizou produção de alho em SC

Por Caçador Online

O Brasil recebeu um pedido comercial para abrir mercado para a maçã da China. O país asiático é o maior produtor mundial da fruta e se aproveita se subsídios do governo para oferecer a maçã por um preço menor. A concorrência seria desleal na visão dos produtores brasileiros, que estão preocupados com essa possibilidade.

Em Santa Catarina, os fruticultores de Fraiburgo e São Joaquim, regiões com produção destacada no Brasil, afirmam que será difícil fazer frente à maçã chinesa e muitos negócios podem ser inviabilizados.

“Se isso acontecer será a mesma coisa que ocorreu na década de 90 com o alho, que a concorrência da China fez muitos produtores catarinenses desistir do cultivo”, afirma o engenheiro agrônomo da Estação Experimental da Epagri de Caçador, José Luiz Petri.

Petri alerta para o impacto negativo que a concorrência da China traria para a economia de Santa Catarina, que é estado brasileiro com maior produção de maçã, com 650 toneladas por ano, gerando 40 mil empregos na época da colheita e movimentando R$ 1 bilhão por ano.

Segundo o pesquisador da Epagri, há uma articulação dos produtores de maçã para evitar uma decisão em Brasília que prejudique o setor. Se mesmo assim houver a abertura para a China, Petri acredita que o governo brasileiro também deveria dar subsídios para a produção local, equilibrando a concorrência.

A safra 2015-2016 da maça em SC deve ser de 10 a 15% menor do que a anterior. A produção foi prejudicada por vários fatores como chuva em excesso, pouco frio no inverno e geada fora de época. As perdas serão na quantidade e qualidade do fruto.

Vale destacar que a qualidade da maçã brasileira ainda é superior que a chinesa. A Epagri, por exemplo, desenvolve um trabalho de referência em pesquisa, que já resultou no lançamento de várias cultivares novas.

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