3 de outubro de 2026
PET

Legislativo promove debate sobre o destino das empresas

Administração Municipal desistiu da ação processual

Por Ass. Imprensa Câmara de Vereadores de Caçador

A Câmara Municipal de Caçador promoveu uma reunião ampliada nessa quarta-feira (9), referente à desistência do processo de desapropriação dos bens da massa falida Sulca S/A - Indústria Sulbrasileira de Calçados e reversão da doação do terreno. O foco que norteou os debates foi o destino das empresas instaladas no Parque Empresarial Tecnológico - PET, no Plenário Osvaldo José Gomez.

“Nos vimos na obrigação de fazer esse debate, aberto à comunidade, embora o assunto já tivesse sido abordado em outra oportunidade na presença dos ex-funcionários da Sulca. A nossa intenção é de mediar essa discussão, no entanto, além dos esclarecimentos aqui prestados, os interessados – empresas sediadas naquela área – devem conversar com a Administração Municipal, e caso seja preciso, estaremos à disposição para acompanhar esse processo”, destaca o presidente da Câmara Municipal de Caçador, Ricardo Pelegrinello.
Ao desistir da ação o Município, que deveria pagar R$ 24.837.514,00 como indenização mencionada, os imóveis serão levados à leilão público e os recursos obtidos utilizados para pagamento de dívidas aos credores, inclusive aos 1367 ex-funcionários da Sulca.

O debate foi mediado pelo presidente da Casa Legislativa, Ricardo Pelegrinello, junto ao procurador geral do Município, João Paulo Debarba, o síndico da massa falida da Sulca, Anderson Socreppa, Fahdo Neto, presidente da FETEC, o vereador Valmor de Paula e o empresário Jovelci Gomez, representante dos empresários do PET.

Participaram ainda da reunião os vereadores Cleony Figur, Flávio Henrique dos Santos, Glaci Pereira, Jorge Savi e Moacir D´Agostini. Além do secretário da Fazenda, Gilberto Haudsch, presidente da AMPE, Odelir Neves, lideranças empresariais, ex-funcionários da massa falida da Sulca, imprensa e comunidade em geral.
 
JOVELCI GOMES, representante dos empresários do PET
“O Poder Público tem a obrigação de destinar um terreno adequado para as 25 empresas hoje instaladas no PET, com a devida infraestrutura para que cada uma tenha condições de deixar aquele local. De outro modo, compramos o prédio da Sulca, que deveria ser nosso pelo tempo que pagamos; ou ainda, vamos para um terreno a ser doado pela prefeitura”, destaca solicitando medidas urgentes à Administração Municipal.
 
JOÃO PAULO DEBARBA, procurador geral do Município
“O valor do imóvel, foi definido com base em uma perícia judicial, após tentativa de acordo com a massa falida, mas, o Município não teria condições de pagar esse montante. E mesmo sentenciado esse processo, a Administração Municipal não precisaria ouvir o Legislativo, mas por prudência, encaminhou um projeto de lei para desistir da ação, aprovado nessa Casa, que foi amplamente noticiado. E há 3 meses estivemos no Ministério Público, com o representante dessa Casa, para começar algumas tratativas para beneficiar as empresas instaladas no PET”, adianta.
 
ANDERSON SOCREPPA, síndico da massa falida
“Minha posição como sindico da massa falida é isenta de qualquer função, portanto venho dizer que não tenho nada em desfavor dos empresários da FETEC e nada em favor dos da Sulca, tenho uma função de liquidar o que tem de patrimônio, vender e pagar os credores. Temos documentos relacionados a essa perícia, que entrou em detalhes importantes sobre cada espaço físico e determinou os valores. Mas, a prefeitura não concordou com o valor e fez recursos, e o processo foi embargado por todos esses anos até que foi sentenciada a decisão, julgando procedente a ação e dizendo que a prefeitura deveria pagar o valor com juros compensatórios desde a posse. Desta forma, o prefeito enviou à Câmara, para vender os ativos e pagar os credores. Se fôssemos atualizar o valor, em 10 anos o montante chegaria a quase 100 milhões. Acredito que o Poder Executivo deveria ter uma proposta concreta aos empresários, mas não é possível alterar a sentença”, explica.
 
VALMOR DE PAULA, vereador representante dos ex-funcionários da Sulca
“Tivemos o fechamento da SULCA, e desde então começamos a luta para que os trabalhadores recebessem o que era deles de direito. No dia 14 de outubro de 1991, 1.367 funcionários deram com a cara no portão da empresa sem perspectivas de receber o seu direito. E o hoje a solução do problema virou problema para outros novamente, mas não estamos aqui para buscar culpados e sim ter a grandeza de encontrar soluções. Disse nessa Casa que iríamos buscar caminhos para que o terreno que estava na SODOCE, fosse destinado às empresas que estão no PET, pois gostaríamos que essas empresas fossem realocadas. Tenho a posição de buscar o melhor à comunidade caçadorense, seja como sindicato seja como vereador dessa Casa, tanto que me abstive de votar por ter interesse no projeto votado, mas também defendo que as empresas possam continuar a ter emprego e renda”, salienta.
 
FAHDO THOMÉ NETO, presidente da FETEC
“A FETEC não é representante das empresas do PET, é uma fundação criada e aprovada por essa Casa, para manter e gerar a possibilidade de novos negócios. E a FETEC não poderia comprar a área porque trata-se de um imóvel público, além disso, o dinheiro da fundação foi usado à manutenção da estrutura; e mesmo que pudesse, o valor repassado nesses anos não seria suficiente para comprar o prédio. É importante destacar que o saldo que sobra, está na conta do banco, prestado conta anualmente ao Ministério Público como a lei das fundações exige. Podemos lutar por nossos desejos, mas temos que tomar providência, estamos com as portas abertas para conversar com todos e encontrar a melhor saída. Aliás, muitos ultrapassaram os limites dos contratos, renovados para que não tivesse interrupção de negócios; e não temos pessoas desavisadas aqui, embora possamos conversar com o prefeito”, completa.
 
CLEONY FIGUR, vereadora
“Acho importante a organização dos empresários sem macular o interesse dos ex-funcionários. O desejo seria a garantia do direito dos empresários com a venda fracionada, porque em bloco será difícil conseguir, talvez possam buscar financiamento e atingir o objetivo. Precisamos dar uma lição de cidadania e formatar um acordo que fique bom para todos, empresários do PET e ex-funcionários da Sulca”, elucida.

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