3 de outubro de 2026
Iniciativa

Empresa privada incentiva funcionários a ter formação superior

Colaborador iniciou na produção e hoje coordena cerca de 450 funcionários

Por Jonathan Ribeiro

O ensino superior passou a ser uma oportunidade de as pessoas buscarem um diferencial no mercado de trabalho. Além de que cursar uma faculdade está cada vez mais fácil com bolsas, financiamentos dentre outras políticas, que facilitam o acesso a uma universidade. Hoje, o ensino superior deixou de algo de luxo, para quem tem uma posição financeira mais privilegiada. Universidades federais e estaduais têm tido um importante papel neste processo.

Para dar oportunidade aos funcionários, a empresa Adami S/A, do setor de papel e madeiras, com 73 anos de história, dá incentivo e também bolsas de estudos, que varia de 40 a 70% do valor do curso. Com esta ação, a empresa não precisa buscar fora funcionários qualificados, uma vez que se pode aproveitar a mão de obra interna.

A assistente social da empresa, Sônia Frigeri, qual é responsável pela área de desenvolvimento organizacional comentou que este tipo de ação é encarado pela empresa como uma forma de investimento no seu quadro de profissionais. De acordo com ela, o funcionário tem toda uma liberdade de continuar seus estudos e ao final surgem oportunidades de crescimento.

“Nós prestamos todo um apoio educacional que inicia com a alfabetização, ensino fundamental, médio e ensino superior e não para por aí. Os funcionários que pretendem seguir estudando, tem todo um auxílio para cursar uma pós-graduação dentro do município ou até mesmo em grandes centros”, exemplificou a assistente social.

Sônia afirmou ainda que a empresa Adami possui inúmeros casos de funcionários que iniciaram na produção, e buscaram qualificação com ensino superior e hoje atuam em cargos de supervisão e chefia e outros cargos, como de engenharia.

“Nós buscamos incentivar o funcionário, e uma vez que ele pratica dentro da empresa o que se aprende na teoria dentro da universidade. Para nós é muito positivo isso, pois temos novas ideias, novas tecnologias e que ajudam na evolução da empresa. Frisamos que o colaborador não é obrigado a fazer cursos e faculdades, mas ele é convidado a buscar uma graduação para que com isso tenha mais oportunidades de crescimento”, comentou ela.

Segundo Sônia, o intuito da empresa com estas oportunidades de seus colaboradores cursar o ensino superior é deixá-los preparados para a empresa e até mesmo para o mercado de trabalho externo.

“Esta prática vem sendo seguida há cerca de 20 anos e de lá para cá, muitos profissionais de cargos de confiança despontaram da produção da fábrica. Isso nos orgulha muito, pois são funcionários com alto comprometimento com a empresa e depositamos neles muita confiança”, enfatizou.

Da produção para a supervisão

Cerca de 30 anos de empresa é motivo de muito orgulho para o supervisor de setor, Nelson de Liz Leire de 44 anos. Ele foi contratado pela empresa com 14 anos de idade, e iniciou de auxiliar de produção. Ele relembra que por ser de uma família humilde, precisou abandonar os estudos para trabalhar e ajudar no sustento da família.

“Eu parei de estudar na 7ª série para poder trabalhar. Quando iniciei foi muito difícil, mas com o tempo fui conquistando meu espaço. Hoje, depois de 30 anos, vejo que tudo valeu a pena, pois formei minha família, criei meus filhos e hoje crio uma neta. Não tenho nada que tenha me arrependido”, declarou Nelson.

O supervisor comentou que depois de 20 anos, voltou para o banco escolar, com a conclusão do ensino fundamental e médio dentro da empresa. Com o passar do tempo foi percebendo a necessidade de buscar uma qualificação profissional e foi aí que entrou para a faculdade.

Nelson é Tecnólogo em Fabricação de Papel. Foram mais de quatro anos de curso e hoje é supervisor geral do setor de transformação de embalagens e coordena 450 pessoas em três turnos.

“Quando senti a vontade de cursar uma faculdade, conversei com meus encarregados que me deram todo o apoio e fui beneficiado com uma bolsa de estudos. Segui os conselhos dos meus antigos supervisores que me orientaram a estudar, pois a vida iria me mostrar a necessidade de ter uma formação. Foi tudo válido, tive um aprendizado muito grande e hoje coloco em prática dentro da empresa”, afirmou.

Nelson pretende ir além, está em seus planos uma pós-graduação e até mesmo uma nova graduação, só que desta vez, Psicologia.

“O conhecimento é a valorização econômica”, afirma reitor

O reitor da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe, Adelcio Machado dos Santos comentou que o conhecimento é a valorização econômica, pois o trabalho braçal está ficando de lado, dando espaço para máquinas.

“Atualmente, o ensino médio deixou de ser um diferencial no mercado de trabalho passando a ser um pré-requisito. Para quem quer um emprego melhor é preciso estar qualificado e preparado para aquela vaga”, frisou o reitor.

De acordo com ele, está muito fácil ingressar em uma faculdade, pois tem muitas alternativas de ingresso, seja através de bolsas, financiamentos ou até mesmo iniciativa de empresas privadas que buscam estar com seus funcionários qualificados.

“O ensino superior no Brasil passou a ter uma maior força a partir dos anos 2.000 onde deixou de ser elitizado. Porém a partir de 1985, cursos superiores passaram a tem uma expansão maior. A própria educação básica passou a ser difundida na década de 70”, explanou Adelcio.

Segundo ele, o mercado de trabalho está cada vez mais exigente no quesito escolaridade. Para ele, a qualificação é fundamental para quem pretende ter uma carreira profissional.

“O grande desafio do desenvolvimento do Brasil está ligado a educação superior, onde a cada ano, para que desta forma possamos ter cada vez mais profissionais preparados, qualificados e prontos para o mercado de trabalho”, finalizou o reitor. 

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