3 de outubro de 2026
Repercussão

Organizadores da manifestação rebatem nota do Comdim

Faixa foi interpretada por todos como apenas uma manifestação de bom humor

Por Caçador Online

Os organizadores da manifestação popular que aconteceu no último dia 15 em Caçador divulgaram nesta segunda-feira, 30, uma resposta à nota de repúdio do Comdim (Conselho Municipal dos Direitos da Mulher). A carta, assinada por Alencar Mendes e Flávia Morona Maffessoni, rebate a acusação de que uma faixa exibida no protesto tivesse mensagem de cunho machista.

A frase “Queria que a Dilma arrumasse um namorado para ela parar de foder com a gente” não foi vista com bons olhos pelo Comdim, que divulgou na imprensa uma nota de repúdio, pedindo retratação por parte dos organizadores da manifestação. “A reprodução da cultura da violência e de desrespeito de gênero avaliza a reprodução de uma sociedade desigual e machista”, diz a nota do Condim.

Do outro lado, os organizadores da manifestação lamentaram o posicionamento do Comdim, lembrando que o ato defendeu o exercício da liberdade de expressão.

“...a faixa em questão encontra-se nesta categoria, a de um manifesto de seus autores, que a carregaram e democraticamente manifestaram o que na opinião deles está errado. Não representa os objetivos do grupo que organizou o evento e, a despeito da linguagem chula existente na mesma, foi interpretada por todos os presentes como apenas uma manifestação de bom humor. Não consigo perceber em nenhum momento, de acordo com o citado na nota, a alegada conotação machista ou sexista que possa existir naquela frase”.

A carta ainda critica o Comdim de tentar desviar o foco dos reais resultados desta manifestação.

"É realmente lamentável que as patrulhas do “politicamente correto” tenham encontrado nesta manifestação uma oportunidade para deturpar os objetivos programados e tentar desviar o foco dos reais resultados desta manifestação. A censura, prévia ou posterior, é um ranço que ainda temos que, diariamente, combater em nossa sociedade. Da mesma forma que a igualdade de gêneros".

 Confira a carta na íntegra

Em atenção ao ofício 012/2015, recebido nesta data, onde encaminha-se uma NOTA DE REPÚDIO destinada aos organizadores da manifestação popular ocorrida em nossa cidade no dia 15/03 p.p. que, a exemplo de inúmeras outras cidades do Brasil, mobilizou-se para demonstrar sua insatisfação e indignação com os desmandos, corrupção e roubalheira existentes no país, com o aparente beneplácito do governo federal, gostaríamos de, inicialmente, lamentar a decisão deste

Conselho e, além disso, cumprir a necessidade imperiosa de responder-lhe.
Em primeiro lugar, é necessário estabelecer os limites das possibilidades de intervenção em manifestações de pessoas em qualquer evento multitudinário como o que presenciamos no dia 15.
A organização do evento foi um processo coletivo e, desde sempre, afirmamos que todas as pessoas seriam livres para defender as bandeiras que julgassem apropriadas para este momento. Fizemos uma única exigência neste sentido, a de que ninguém defendesse bandeiras de partidos políticos ou fizesse daquele ato coletivo um exercício individual de autopromoção.

Desta maneira, diversos grupos, idéias ou manifestações que não necessariamente representavam os objetivos do grupo organizador acabaram por incorporar-se ao movimento, num exercício de liberdade de expressão. Nossos objetivos e bandeiras, aberta e claramente defendidos, foram a busca da moralidade, o fim da impunidade e a apuração dos crimes de responsabilidade cometidos por autoridades políticas, com a aplicação inclusive de penalidades de perda de mandato, conforme o estabelecido na lei.

Posso citar diversos cartazes, solicitando intervenção militar, gritos contrários às liberdades democráticas e outros exemplos que demostram que não era possível o integral controle de nosso grupo organizador sobre a totalidade dos manifestantes e especialmente sobre seus reclames individuais. O que nos unia e continua nos unindo é este sentimento de que a situação da nação brasileira atingiu tal ponto de degradação que não é mais possível assistir calado a todos estes desmandos.

Certamente, a faixa em questão encontra-se nesta categoria, a de um manifesto de seus autores, que a carregaram e democraticamente manifestaram o que na opinião deles está errado. Não representa os objetivos do grupo que organizou o evento e, a despeito da linguagem chula existente na mesma, foi interpretada por todos os presentes como apenas uma manifestação de bom humor. Não consigo perceber em nenhum momento, de acordo com o citado na nota, a alegada conotação machista ou sexista que possa existir naquela frase.

É realmente lamentável que as patrulhas do “politicamente correto” tenham encontrado nesta manifestação uma oportunidade para deturpar os objetivos programados e tentar desviar o foco dos reais resultados desta manifestação.

A censura, prévia ou posterior, é um ranço que ainda temos que, diariamente, combater em nossa sociedade. Da mesma forma que a igualdade de gêneros.

Afirmo que não entendemos necessário e mesmo acreditamos absurda a alegada necessidade de a organização do movimento “retratar-se perante a sociedade caçadorense”, especialmente porque entendemos que a própria sociedade caçadorense estava presente e representada no evento. Além disso, entendeu seus objetivos e aplaudiu e comemorou os seus resultados.

O repentino ressurgimento de vozes incomodadas pela manifestação era, mais do que previsto, até esperado. Entretanto, é inegável que causou-nos surpresa, estranheza e preocupação, que uma destas vozes tenha sido a de um Conselho supostamente plural e que tem em seu objetivo maior o de defender os direitos da mulher. Sem defesas partidárias e sem tentar desviar o foco do absoluto sucesso alcançado pela manifestação.

Não utilizamo-nos de imagens, menções, divulgações ou incentivos a estes episódios em nenhum momento, seja antes, durante ou depois do evento. Além disso, exatamente pela defesa do democrático direito de manifestação, não tínhamos nem temos nenhuma possibilidade de interferência na manifestação individual de cada um, mesmo deselegantes, deseducadas ou sujeitas a dúbias interpretações como nesta situação relatada.

Da mesma maneira é inegável o papel e a importância da mulher em nossa cidade e em nosso país, não acima nem abaixo, mas em igualdade de relevância, de direitos e de deveres, independente do gênero.

Reconhecemos o fundamental e exemplar trabalho desenvolvido por este conselho, sendo signatário inclusive da recém criada “Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”, que foi inclusive testemunhada e comemorada pela Sra. Janeth Almeida, histórico membro(*) deste conselho, presente à sessão em que foi criado este movimento em nossa cidade.

Desta maneira, acreditamos que este desagradável episódio tenha sido encerrado, reafirmando nosso compromisso na busca de uma sociedade melhor para todos, homens, mulheres, interessados em fazer deste um lugar mais justo e harmônico.

Alencar Mendes Flávia Morona Maffessoni

* (de acordo com as normas gramaticais da Língua Portuguesa, não se flexiona em gênero o vocábulo “membro”).

Leia mais: Condim repudia mensagem em faixa

Mais notícias