O ônibus que despencou de uma ribanceira e matou nove pessoas em Alfredo Wagner, município da serra catarinense, não poderia circular pela BR-282 — rodovia onde aconteceu o acidente. Conforme previsto na autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) concedida à empresa Reunidas para operação da linha de Posadas, na Argentina, com destino a Florianópolis, o trajeto deveria seguir pela BR-470. Após Lages, o veículo deveria se deslocar para os municípios de Rio do Sul, Ascurra, Blumenau, Itajaí, Balneário Camboriú e, por fim, chegar a Florianópolis via BR-101.
A definição da rota é chamada de esquema operacional. Conforme o coordenador substituto nacional de Fiscalização do Transporte Rodoviário de Passageiros da ANTT, Felipe da Silva Medeiros, a agência irá abrir um processo administrativo para verificar o porquê de o coletivo transitar pela rodovia não autorizada — e as punições pelo descumprimento vão desde multa até cassação da autorização do serviço.
— Isso não quer dizer que a rodovia seja mais ou menos segura do que as outras — esclarece o coordenador.
Após a concessão de autorização pela ANTT, a empresa pode solicitar a alteração da rota e mudanças de pontos de parada. Porém, os coletivos só podem circular em outro trajeto mediante consentimento da agência. Segundo Medeiros, a Reunidas não havia pedido modificação na rota.
Após o acidente ocorrido na madrugada de domingo, uma equipe da ANTT se deslocou até Alfredo Wagner para verificar em quais condições aconteceu o acidente e coletar informações junto à Polícia Civil.
Conforme o advogado da Reunidas, Vinícius Marins, a empresa não irá se manifestar sobre questões técnicas neste momento.
— Ainda há nove passageiros internados e estamos com todo o nosso foco no atendimento às vítimas. Somente depois poderemos comentar outras questões — afirmou.






