Integrantes do Conselho Consultivo do Hospital Maicé se manifestaram na manhã desta quarta-feira, 9, em coletiva de imprensa, sobre a briga envolvendo médico, vereador e familiar de um paciente no último sábado dentro do pronto socorro da unidade. A confusão acabou virando caso de polícia.
O presidente do Conselho, Leonir Tesser, lamentou o fato e disse que foi um equívoco a invasão por parte do vereador e dos familiares. Ele afirma que a equipe do hospital fez os procedimentos corretos e o paciente estava recebendo o melhor atendimento possível naquele momento, já que não havia leitos de UTI disponíveis.
“Ele deu entrada por volta das 12h30 vindo do PA, e já foi detectado que o caso era grave. Mas os dez leitos de UTI estavam todos ocupados. O paciente foi colocado numa casa e passou a ser monitorado pela equipe, que ao mesmo tempo fez o procedimento correto que é entrar em contato com outros hospitais da região”, explicou.
Na ocasião, foi conseguida uma vaga no hospital de Xanxerê. O transporte era para ser realizado pelo Samu, mas a equipe da unidade móvel se recusou a levar o paciente, pois havia risco de morte na viagem.
Ainda de acordo com Tesser, não há justificativas para o vereador e familiares do paciente terem entrado sem autorização no hospital para cobrar explicações do médico. “Não é assim que se resolvem as coisas. Tanto é que mais tarde abriu uma vaga na UTI e o paciente foi internado”, detalhou Leonir.
“O médico estava lá exercendo sua função sendo que no mesmo dia, o profissional realizou 96 atendimentos. Ele estava monitorando o paciente, mas o que não pode acontecer, independente de quem quer que seja, é chegar no hospital e invadir a ala reservada ao profissional para tirar satisfação. Cobrar satisfação se faz com a administração da instituição. Até entendemos a situação da família e o nervosismo, mas esta é a verdade e o que realmente aconteceu”, acrescentou Tesser.
Segundo o presidente do Conselho, o Hospital Maicé não é referência em atendimento cardiovascular, e por isso o atendimento é limitado. “Se tivéssemos leito de UTI disponível, o paciente teria sido internado nesta ala. Se o Samu pudesse transportar, ele seria transferido. Se isso acontecesse, não geraria todo este problema. O hospital ficou refém de uma própria deficiência”, comentou.
Vereador afirma que foi agredido primeiro
O vereador Valmor de Paula (PT) disse que foi chamado pela presidente do Conselho Municipal de Saúde, depois que familiares do paciente entraram em contato. Ele se identificou na recepção do hospital e pediu para falar com o médico, Sandro Bischofe.
Mas o plantonista não quis atendê-lo. Valmor confirma que entrou mesmo assim no hospital a procura do médico. E encontrou o profissional numa sala, deitado assistindo a um jogo da Copa na televisão. Enquanto isso o paciente estava numa maca em outra sala, de acordo com o vereador.
Valmor afirma ter ameaçado fazer uma foto do médico, quando o plantonista teria lhe dado um soco. O vereador confirma ter reagido também com agressões físicas, até que o pai do paciente empurrou o médico para dentro de um banheiro.
Depois disso a polícia militar foi chamada e o caso terminou no registro de um boletim de ocorrência.
Valmor disse ainda que a situação do paciente só foi resolvida com a interferência de uma representante do conselho médico de Caçador, que teria acionado um cardiologista, ao mesmo tempo em que vagou um leito de UTI.






