4 de outubro de 2026
Wanda Kriger

Horta Escolar incentiva a educação ambiental

Por Ass.Imprensa 10ª SDR

Colocar a mão na terra, manusear sementes e mudas de hortaliças, aprender sobre o processo de germinação e desenvolver valores relacionados às questões ambientais se tornaram rotina para os alunos da Escola Estadual Wanda Krieger Gomes, em Caçador, no meio oeste catarinense. Trata-se de um projeto que está sendo desenvolvido através do programa “Mais Educação” e conta com a parceria da direção da escola, 10ª Gered e de algumas empresas que apoiam a sustentabilidade.

O projeto da Horta Escolar - Ciclando o lixo orgânico, constitui em uma alternativa capaz de reduzir os efeitos negativos da fração orgânica do lixo. A proposta é interdisciplinar e consiste na construção e manutenção de uma horta, que será utilizada como um laboratório vivo e pedagógico, podendo servir de base para diversas disciplinas tanto nas séries iniciais e finais.

O projeto visa trabalhar no aluno a possibilidade de utilizar e divulgar o conhecimento adquirido nas etapas de construção de uma horta escolar. Com isso, pretende-se evidenciar as interações entre homem e recursos naturais na obtenção de alimentos de qualidade, livres de agrotóxicos e de baixo custo. Despertando no ambiente escolar a importância de se preparar o solo para o plantio, reaproveitando os detritos alimentares que ele mesmo produz para obtenção de novos alimentos.

Segundo o laboratoralista e responsável pelo projeto, Rodrigo Paloschi, o processo é simples. “A proposta é extremamente simples, os resíduos orgânicos algo em torno de 40% de nosso lixo diário não pode ser reciclado, tornando-se um sério problema sanitário e ambiental, quando não destinado corretamente. Ao passo que se reduz o volume do lixo orgânico, tratado até então como um problema, eis que se adota uma nova proposta transformando este resíduo orgânico em insumo, ou seja, restos de comida são decompostos por ação de microorganismos em leiras de compostagem, fornecendo nutrientes e assim fomentando a produção de novos alimentos, livres de insumos químicos e agrotóxicos”.

O professor ainda cita que o resultado são hortaliças, frutas e verduras que serão distribuídas às famílias dos participantes do projeto, na tentativa de despertar no aluno a consciência socioambiental referente à sua responsabilidade, formando assim multiplicadores da proposta apresentada.

A horta segue os princípios da agroecologia e o pátio de compostagem integrado é conduzido no sistema europeu. Nesse sistema é necessário trabalhar a ideia de sustentabilidade, em seus aspectos sociais, ambientais, econômicos e culturais. As coletas do resíduo orgânico são realizadas em duas instituições, na própria escola com cerca de 400 estudantes e na instituição vizinha, o CAIC com aproximadamente mil e duzentos alunos.

Rodrigo salienta ainda que, “através deste projeto, é possível repassar de forma prática conhecimentos do processo dinâmico existente nas interações entre fatores bióticos e abióticos, ou seja, microorganismos, solo, minerais, atmosfera, animais, plantas, e o homem e avaliar as conseqüências das alterações antropomórficas decorrentes do processo de ocupação territorial desordenado e suas interferências sociais ambientais e econômicas.”

Outro aspecto abordado refere-se à erosão do conhecimento inerente à agricultura ao longo das gerações, pois é feito um resgate cultural onde há valorização dos méritos do papel do agricultor na sociedade. Outros aspectos de relevância: reeducação alimentar e a qualidade dos alimentos em seus diferentes sistemas de produção (análise comparativa entre o sistema convencional, orgânico, agroecológico e hidropônico).

Conscientização e reeducação alimentar

 “O processo de conscientização ambiental é vital para que haja mudança neste quadro. Tentamos despertar nos alunos a necessidade de ser a mudança que eles querem ver no mundo, na prática os alunos que participam do projeto tornam-se multiplicadores dentro da comunidade”, afirma Rodrigo. Outro objetivo deste projeto é a reeducação alimentar, ensinando aos alunos valores nutricionais e benefícios proporcionados por uma dieta saudável.

O projeto apresenta novos caminhos aos estudantes alguns não se limitam em apenas frequentar o projeto e vão além, como é o caso de Jean Romeu Fogues, da 8ª série, que optou por um ensino médio profissionalizante (técnico agrícola). “Assim que conheci o projeto me interessei por ter afinidade. A primeira vista achei que agricultura era algo simples, o projeto me mostrou que as técnicas de cultivo são complexas e exigem um estudo mais aprofundado. Pensando nisso optei pelo ensino médio profissionalizante,” diz Jean.

O lema é simples, “Usa-se o que tem” a grande maioria dos materiais é reaproveitada: telhas, telas, palanques e madeira reduzindo a quase zero os custos de instalação e manutenção do sistema. Com o auxílio do orientador do projeto, os alunos construíram uma casinha para produzir as mudas e demais atividades, uma composteira cercada para evitar a interferência de cachorros no processo, um sistema floating para irrigação de bandejas e preparo dos canteiros e o próximo passo é um sistema de irrigação para a horta. Apesar de o projeto ser recente, com início em 2013, já se mostra promissor e tem um longo caminho a ser percorrido.

Mais notícias