Motivado pelo alto índice de criminalidade nos últimos dias em Caçador, o vereador e presidente da Comissão de Legislação, Justiça e Redação, Valmor de Paula (PT), sugeriu a realização de uma Audiência Pública para debater a situação da segurança pública em Caçador. O evento aconteceu na noite desta terça-feira, 9, na Câmara, onde estiveram presentes representantes de várias entidades, discutindo ideias e ações para mudar a realidade.
O representante da Associação Empresarial de Caçador (ACIC), Auri Baú, comentou que o consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas pode ser um dos fatores da criminalidade, citando exemplos de outras cidades onde essa prática é proibida. Ele ressaltou ainda o sistema de vídeo monitoramento urbano que havia na cidade, mas hoje está desativado.
Baú falou também da atuação incisiva dos órgãos de segurança em locais onde os índices de violência e criminalidade estão mais altos. “Vendo alguns casos, chego a desacreditar que possamos mudar o contexto, mas não podemos baixar a guarda. A melhor coisa a se fazer é mudar a nossa constituição”, disse o empresário.
Já o delegado Regional, Luiz Antônio Piazzon, destacou o trabalho da Polícia mesmo com a deficiência de equipamentos e efetivo. Segundo ele, no ano passado foram instaurados 184 inquéritos, sendo que esse ano já foram 19. Falou do problema com menores de idade que lideram os crimes e disse que a maior causa são as drogas.
A gerente de Planejamento da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Caçador, Sandra Spautz, ressaltou o “Pacto por Santa Catarina”, programa que visa também investimentos para a segurança pública.
Ela citou também o projeto “Bem Te Vi”, que prevê a instalação de câmeras de monitoramento em todo o estado e Caçador foi uma das cidades contempladas. Sandra comentou sobre a desestruturação das famílias. “Vemos muitos casos onde os pais estão transferindo a obrigação da educação para a escola. Devemos pensar em ações preventivas para que isso ajude no futuro”, explicou.
O promotor Glauco José Riffel, da Vara da Infância e Juventude, debateu sobre ações preventivas. Para ele, não adianta mais policiais se não é feito um trabalho nesse sentido. De acordo com o representante do Ministério Público, “se não houver uma educação de qualidade e oportunidades, o menor irá se envolver no mundo do crime”.
Ele citou também a situação dos detentos que não têm muitas oportunidades e com isso acabam cometendo novos delitos.
“Discordo que a lei protege demais os menores, pois todos que foram investigados estão internados. Alguns ainda foram condenados e pegam uma pena de seis meses a três anos”, enfatizou Glauco, defendendo o fortalecimento dos órgãos que prestam atendimento a essas pessoas.
O juiz da 1ª vara cível de Caçador, André Milani, também defendeu mais ações de prevenção “Estou há um ano em na cidade e acredito que a prevenção é muito melhor que a repressão. Duas pedras de crack são o suficiente para que o menor se vicie”.
O Portal Caçador Online ouviu da população opiniões sobre segurança pública em Caçador.
Paulo Alves de Mello, 65 anos, aposentado
“Na minha opinião, a segurança pública está muito fraca. Eu acredito que necessitamos de leis mais rígidas em todos os aspectos”.
José Luiz de Paula Teixeira, 44 anos, operador de máquina
“A situação está mais ou menos, acredito que deva ser por falta de efetivo policial. Acho que a polícia deveria monitorar mais os bairros e com isso inibir muitas ações”.
Alexsandro dos Santos Ribeiro, 29 anos, operador de máquinas
“A segurança de Caçador está regular, mas é pelo pouco efetivo, se tivesse mais policiais acredito que seria melhor. Sugiro que façam um trabalho mais ostensivo nos bairros que é onde muitas coisas acontecem”.
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