O fechamento do hospital Divino Espírito Santo, em Fraiburgo, no último dia 31 de janeiro, repercute também em Caçador, pelo fato do Hospital Maicé ser mantido pela mesma entidade, a Congregação dos Santos Anjos, através da Associação Franco Brasileira (RJ).
Em entrevista, a diretora do Hospital Maicé, Irmã Elisabete Lima, informou que a situação da unidade em Caçador é preocupante. O hospital está passando por uma consultoria para documentar toda a parte financeira da instituição. Embora veja uma situação diferente de Fraiburgo, a representante do Maicé admite que o hospital pode fechar as portas caso não receba apoio.
Confira a entrevista
Como foi o fechamento do hospital em Fraiburgo?
O fechamento do hospital Divino Espírito Santo aconteceu dia 31 de janeiro de 2013, mas era um processo que já vinha desde 2009. Naquele ano fizemos uma consultoria financeira, avaliamos a situação, sempre informando os responsáveis pela saúde municipal, que são os administradores públicos. Como a situação financeira se agravou contratamos outra consultoria em 2012 e chegamos a conclusão que não era mais possível manter o hospital.
E como a sociedade de Fraiburgo encarou essa situação?
Para nós foi muito doloroso, pois era uma história de 25 anos. Mas não foi de uma hora para outra. Na época protocolamos um documento no Ministério Público informando a realidade para todos. E infelizmente chegamos a conclusão que não dava mais para continuar, porque não conseguimos apoio. O hospital é o prestador de serviços e não o financiador da saúde.
E o hospital Maicé, corre o risco de fechar também?
O hospital Maicé também está passando por uma consultoria, deve estar concluída em julho. Já temos um conhecimento da situação aqui, mas achamos por bem fazer a consultoria para ter documentada a situação financeira para informar à comunidade sempre com transparência.
A situação é preocupante e corre o risco de fechar, sim. O hospital depende da Associação Franco Brasileira para se manter, todos os meses é necessário um aporte de dinheiro. A congregação tinha uma reserva que já foi usada e hoje não temos mais como arcar com essa despesa. Se não tiver um aporte financeiro capaz de dar suporte a essa unidade não temos como mantê-la.
O que a direção vem fazendo para evitar isso?
Estamos trabalhando para que isso não aconteça, participamos recentemente em Porto Alegre do movimento “Reajuste Tabela SUS Já”, que é uma campanha nacional. Acredito que a saída é juntar todos os atores, gestores municipais, estaduais, federais. Nós somos os prestadores de serviço e não os financiadores. Mais de 70% dos atendimentos nossos são pelo SUS e não recebemos para isso. Mas estamos buscando com gestores, com municípios parceiros, além de apoios externos. E essa consultoria também serve para ajustes internos, saber onde podemos economizar.





