A direção do Hospital Maicé realizou na manhã desta sexta-feira, 30, uma coletiva de imprensa para anunciar as mudanças nos atendimentos a partir deste sábado, 1º. Só serão aceitos pacientes com encaminhamento médico e atendimentos de urgência e emergência, demais casos devem ser atendidos no Pronto Atendimento ou até mesmo nos postos de saúde dos bairros.
Essa decisão já foi repassado ao Ministério Público, Prefeitura de Caçador, Secretaria de Saúde, Bombeiros Voluntários, Polícia Militar e Polícia Civil que são entidades que encaminham pacientes para o hospital.
De acordo com a administração do hospital, essa mudança deve se a grande demanda de pacientes no Pronto Socorro que é destinado para atendimentos de urgência e emergência e não atendimento básico de saúde.
Durante a reunião o administrador do Hospital Maicé, Alan Arrais, apresentou dados de 2011, quando a unidade teve prejuízo de R$ 1.716,000,00. Ele explicou que o déficit se deve aos valores irrisórios destinados ao atendimento público de saúde, repassados pelo SUS. O problema seria resolvido apenas com R$ 336.954,88 mensal.
Atualmente usuários de Caçador, Rio das Antas, Macieira, Calmon, Matos Costa, Timbó Grande e Lebon Régis utilizam dos serviços prestados pelo Maicé. Todos esses dados, relacionados aos procedimentos realizados pelo hospital, entre outras foram apresentados aos gestores das cidades regionais.
De acordo com o administrador, Caçador no momento não possui nenhum convênio com o hospital desde o início do ano, quando não foram renovados os que tinham até então. Ele explica que a tabela do SUS é a mesma de 20 anos atrás, mas que os procedimentos da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estão cada vez mais rigorosos e que os custos aumentam a cada dia. Segundo ele, totalizando todos os prejuízos, esse valor ultrapassa a R$ 4 milhoes.
O Hospital Maicé tem um contrato com o Estado para atendimento de emergência onde é repassado pouco mais de R$ 8 mil ao mês, mas os gastos vão muito além desse valor. Já com o município, os contratos venceram e não foram renovados.
De acordo com o médico Ademar Schimitz, responsável pelo corpo clínico do hospital enfatizou que enfrentam um problema nacional que é a falta de profissionais. “A oferta de médicos é quase zero. Ninguém quer vir para Caçador, mas o problema não é o salário, mas sim a demanda de pacientes”, enfatiza o médico.
De acordo com Ademar, entraram em contato com médicos da região, do estado e também de outros estados, mas ninguém aceitou a proposta de trabalhar em Caçador. Ele disse ainda que o hospital conta hoje com três médicos, sendo um ginecologista, um interno que fica 24 horas no Centro de Terapia Intensiva e um para o Pronto Socorro, onde deve atender urgência e emergência e não prestar o atendimento básico de saúde que é de inteira responsabilidade do município.
Durante a coletiva, enfatizaram a importância do Pronto Atendimento em funcionamento em tempo integral, pois era feita uma triagem dos pacientes, sendo atendimento básico feito e casos mais graves passíveis de internação eram encaminhado ao hospital.
Segundo Alan, enquanto o P.A. funcionava 24h as reclamações por demora de atendimento quase não existiam, pois no Maicé eram encaminhados somente casos mais graves, ao contrário do que acontece hoje.






