3 de outubro de 2026
Acessibilidade

Cadeirantes e pessoas com dificuldades de locomoção enfrentam problemas em Caçador

Deficientes físicos dividem espaço com os carros no meio da rua

Por Caçador Online

O artigo 5º da Constituição Federal estabelece o que se convencionou a chamar de direito de ir e vir de todos os cidadãos brasileiros. Ou seja, qualquer pessoa, livre ou não de deficiência ou mobilidade reduzida, deve ter o direito de poder chegar facilmente a qualquer lugar. Só que esse direito está reduzido em Caçador. Cadeirantes ou com problemas de locomoção enfrentam sérios problemas ao percorrer as ruas de Caçador.

Esse é o caso do médico veterinário, Fábio Marcelo de Lima, 29 anos, que após um acidente de carro, há um ano e cinco meses, ficou tetraplégico. Com tratamento e fisioterapia, conseguiu parte dos movimentos do corpo. Ele enfatizou que tenta levar uma vida independente, mas em Caçador, a sua locomoção é complicada.

De acordo com ele, o problema começa nas vagas de estacionamento para cadeirantes que está em desacordo com a legislação. A largura das vagas está menor do que é exigido por lei e o problema segue nas rampas de acesso às calçadas, que tem degraus.

Para acompanhar o problema de perto, a reportagem do Portal Caçador Online acompanhou Fábio pela avenida Barão do Rio Branco e pelo Parque Central José Rossi Adami para ver as dificuldades enfrentadas.

O primeiro ponto errado encontrado foi à vaga de estacionamento para deficientes físicos em frente à Lotérica Boa sorte, onde a largura está incorreta é não tem rampa de acesso a calçada. A maior parte do caminho, ele divide espaço com os veículos no meio da rua, pois as calçadas estão cheias de degraus. Ele tem acesso somente de um lado da rua, pois do outro não tem rampas.

De acordo com o veterinário, o problema não para por aí. Fábio comentou que são poucas lojas, farmácias e supermercados que tem acessibilidade. Ele enfatiza que muitos cadeirantes não saem de casa pelas dificuldades em se locomover.

Para Fábio, sair de casa é um grande desafio, devido o fato das calçadas não estarem de acordo com o que é exigido por lei. Ele comenta ainda que alguns bancos estão com as rampas de acesso de forma errada com desnível, o que dificulta o acesso dos cadeirantes.

O gerente da loja Schumann, Jerson Carlassara, comentou que a mesma não possui acesso de cadeirantes, e que só percebe como a necessidade quando se depara com a situação. Já a gerente da Loja Tevah, Raquel Eli Legal comentou que quando foi feita a reforma para abertura da loja foi solicitada a construção de uma rampa de acesso a qual foi deixada de lado. Ela disse ainda que isso deveria ser fiscalizado melhor, pois esse é um problema em vários locais.

Parque Central está na mesma situação 

No Parque Central, tem o mesmo problema, as rampas com degraus. No estacionamento com pedras britas, o que dificulta o cadeirante a andar sozinho, pois as rodas patinam e exige muito esforço do mesmo. O segundo problema é o acesso ao parque com declive e pedras.

Presidente do IPPUC afirma que é um problema generalizado

O presidente do Instituto de Planejamento e Pesquisa Urbano de Caçador (IPPUC), Newton Marçal dos Santos afirmou que o problema é generalizado. Ele enfatiza que esse não é um problema recente, mas que persiste há mais de 70 anos. Marçal disse que sabe do problema e entende a reclamação da população.

Marçal revelou que estavam colocando em prática o Projeto Circulação, mas que com o passar das obras perceberam que o projeto beneficiava os pedestres, mas trazia problemas aos motoristas e por isso as obras foram paralisadas para reformulação do projeto.

Em relação aos passeios, Marçal comentou que é responsabilidade do dono do terreno. “Quando as plantas das obras vêm para nossa avaliação, todas tem que ter o passeio, mas que nem sempre é construída”, explica.

Marçal comentou que a área central enfrenta um grande problema, o que beneficia os motoristas, e ruim para os pedestres. Disse ainda que a mobilidade é um problema sério, pois a cidade cresceu muito e a adequação não acompanhou o crescimento. De acordo com Marçal, o prefeito Imar Rocha solicitou uma reforma geral da área central de Caçador para que assim amenize os problemas de locomoção urbana.

"Este é um problema a ser revolvido a médio prazo", finaliza Marçal.

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