“Estamos em um canto de Caçador, abandonados”. Esta declaração reflete necessariamente como sente-se a maioria dos moradores das linhas Tamanduá, São Domingos, Laranjeira e parte da linha São Luiz I quanto ao atendimento prestado pelo município de Caçador.
Os motivos nem são baseados apenas no abandono das estradas que ligam até as comunidades, situação que até foi, em partes, amenizada na atual administração, mas em questões como atendimento à saúde, educação e lazer.
“Não uso o posto de Saúde que fica no Km 30 por me sentir constrangido, já que não pertencemos para o município de Macieira. O problema é que para receber atendimento em Caçador precisamos ir uma vez para marcar e outra para consultar. Isso gera custo e precisa de muito mais tempo”, afirmou Leandro Barbakov, morador do local.

O argumento dele é o mesmo de Juraci Moriggi. “Não é de nosso direito tentar ser atendidos no posto de saúde de Macieira. Todo mundo sabe que moramos em Caçador”, disse.

As saídas destas comunidades também são mais perto para Macieira do que para Caçador. Para se chegar ao asfalto da SC 455 são pouco mais de 12 quilômetros pela estrada de chão. Ao contrário, para Caçador, são 32 quilômetros de estrada de chão que, em muitos locais está em péssimas condições.
Mais de 60 famílias moram nestes locais e, de acordo com os moradores, a menor parte é contrária à mudança para o município de Macieira. “Estamos, desde o ano de 2005 tentando isso e até agora, não conseguimos”, salientou Moriggi.
Na questão da educação, os moradores também são unânimes. “Não é possível admitirmos que um filho nosso, em meu caso com apenas 5 anos, fique duas horas dentro de um ônibus para ir à escola e duas horas para voltar”, explicou Leandro.

Para não ter que passar por esta situação, todos os dias o morador leva, além do seu filho, mais 4 crianças até onde passa o ônibus do transporte escolar de Macieira. “Dali, elas vão até a escola do Km 30. O tempo gasto não passa de meia hora”, explicou o morador.
Acessos
Parte das estradas que levam às comunidades foi melhorado neste ano pela Prefeitura de Caçador. Entretanto, Leandro salienta que isso só aconteceu depois que os moradores se mobilizaram e procuraram o Ministério Público. “Nunca vi disso, mas tivemos que tomar esta atitude para sermos atendidos, porque apenas os nossos pedidos não adiantavam”, enfatizou.
Mas, o problema ainda persiste, porque apenas o acesso até a sede da linha Tamanduá foi recuperado. O contorno, que segue pela linha São Domingos está praticamente intransitável.


Estradas mantidas pela Prefeitura de Caçador
A diferença em relação a estrada mantida pelo município de Macieira é nítida. O que no trecho pertencente a Caçador é um caminho estreito e com diversos buracos e lama se contrasta com uma estrada larga e bem cascalhada.

Estrada mantida pelo município de Macieira, que liga até a linha Tamanduá
Economia
A questão econômica talvez seja a que mais interesse naquelas localidades. A produção agropecuária conta com investimentos em alta tecnologia. “A comunidade de Caçador nem ao menos sabe o que é a linha Tamanduá e o que representa para a economia local. Para se ter uma ideia, vamos investir em um projeto pioneiro no município e de última geração para utilizar os dejetos suínos”, destacou Moriggi.
Entretanto, como a localidade não possui linhas trifásicas, ele vai ter que gastar a mais para conseguir uma máquina com motor bifásico. “O investimento é de R$ 33 mil, mas vamos ter que gastar R$ 36,5 mil por causa da adaptação do motor diferente”, assinalou o morador da linha Tamanduá, salientando que outro projeto, inovador, mas que necessita de um motor mais forte, não poderá ser implantado, devido à linha bifásica da localidade.
“Temos que lutar pelo que é nosso. Sabemos que Macieira é um município menor, com a economia baseada na agricultura e por isso, pode nos dar um atendimento com mais atenção. Esse é um dos principais motivos de querermos mudar”, disse Leandro.
“Sofremos com a estiagem, mas como pertencemos a Caçador, que não decretou situação de emergência, não pudemos refinanciar nossas dívidas nos bancos”, afirmou Moriggi.
“Somos favoráveis a esta mudança por tudo que a comunidade vê e vive que não acontece aqui por pertencemos a Caçador”, destacou Leandro.
Levantamento
Um técnico do Governo do Estado já analisou a região e refez as divisas. Segundo o levantamento, Caçador perderia em torno de 80 km², que passariam a pertencer a Macieira.
“Trata-se de uma questão de justiça com aquelas comunidades. Claro que atendemos, principalmente na questão da saúde sempre que for necessário, mas muitas pessoas ficam apreensivas de solicitar estes serviços, por não serem moradores de Macieira”, disse o prefeito de Macieira, Emerson Zanella, o Maninho.
O prefeito destacou ainda que a arrecadação daquela localidade com certeza fará a diferença na economia do Município. “Mas não é só esta questão envolvida e todos os moradores dali sabem disso. Temos os fatores culturais, muitos se identificam mais com Macieira do que Caçador. Até mesmo no esporte, em torneios municipais, contamos com a participação de equipes dali”, completou.
Ele fez questão de salientar ainda que uma moção já foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal de Macieira. “Estamos prontos para receber estas comunidades e atender da melhor forma possível”, finalizou Maninho.
Audiência pública
Uma audiência pública será realizada pela Câmara Municipal de Caçador no próximo dia 6 para ouvir a opinião da comunidade local. O evento acontece às 19h. “Estaremos presentes para dar nossas opiniões”, disse Leandro Barbakov.





