O Sinte de Caçador – Sindicato dos Trabalhadores em Educação – realizou nesta segunda-feira, 20, novas manifestações para debater a greve dos professores da rede estadual, que já passa dos 32 dias. Pela manhã os professores se reuniram na sede do Sinte para uma Assembeia Regional, com presença de professores de Caçador, Lebon Régis e Rio das Antas.

Durante a tarde os educadores fizeram um ato público caminhando até a SDR. De acordo com a coordenadora regional do Sinte, Ilone Morigi, o objetivo das manifestações foi fortalecer o movimento. “Continuamos indo nas escolas e distribuindo panfletos para desmentir informações divulgadas pelo Governo do Estado”, diz. Além do piso salarial, os professores não aceitam que seja diminuida a regência de classe, uma conquista considerada histórica pela categoria.
A mobilização teve apoio também de alguns pais que, apesar de preocupados com o aprendizado dos filhos, apoiam a greve dos professores. “Entendemos a situação dos pais, mas acreditamos no grupo de profissionais da nossa cidade e certamente essas aulas serão repostas”, coloca a professora e mãe Valéria dos Santos. Para ela, é fundamental que os pais se informem para compreender a reivindicação dos professores.
Também na função de pai e professor, Loreni Furtado Alves argumanta que “professores bem remunerados significa educação de mais qualidade ainda”.
“Queremos sim voltar e repor as aulas, mas não tem como nesse momento pela pressão que estamos recebendo do Governo do Estado. E estamos aqui para esclarecer o que for preciso para professores e pais de alunos”, conclui Ilone.
Nesta terça-feira, 21, haverá uma Audiência Pública em Florianópolis sobre a greve dos professores.
Confira entrevista enviada pela Secretaria de Comunicação do Governo do Estado nesta segunda-feira, 20
Secom – Uma das questões que os professores aponta é que o Governo de Santa Catarina não está pagando o piso salarial. Afinal, o Governo está, ou não, pagando?
Governador Raimundo Colombo – Desde a primeira proposta apresentada aos professores, o Governo cumprirá o piso com retroatividade ao dia 1° de maio. Nós aceitamos a reivindicação, achamos justa e queremos atendê-la. O professor catarinense precisa ganhar mais e o Estado compreende esse movimento. Evidentemente, não na plenitude que os professores querem, porque se nós aplicarmos o índice do piso até o teto, o impacto na folha de salário será de R$ 108 milhões por mês. Isso é impossível de o Governo atender e foge a qualquer capacidade financeira. Nós fizemos uma proposta e esses recursos serão na ordem de R$ 22 milhões, então estamos pagando bem além do piso, como primeiro passo para recuperação salarial dos professores. Não estamos fazendo contraponto e nem querendo desmanchar o mérito do movimento. Continuar a greve agora é prejudicar a educação de Santa Catarina, as famílias, o ano letivo. O que faço agora é um pedido para que todos os professores, sinceramente, voltem a sala de aula para normalizar essa situação, o ano letivo e levar a tranquilidade a todas as crianças e famílias. Vamos continuar conversando para melhorar cada vez mais a educação.
Secom – O governador falou em debater a Educação. É esse o objetivo do grupo de trabalho proposto à categoria?
Governador – Queremos discutir a questão salarial com todos os funcionários públicos, através de cada um dos sindicatos e estabelecer uma fórmula bem feita de remuneração, de desempenho e de empenho de cada um dos funcionários. Para se ter ideia, o plano de cargo e salário do magistério foi feito em 1980. Ele precisa ser atualizado e nós também temos exigências a fazer, colocando e discutindo fórmulas de alcançar a qualidade da educação, o comprometimento dos professores, mas fazendo isso juntos e por isso queremos um prazo.
Secom – Como o senhor vê essa greve no início de governo?
Governador – Um governante precisa estar preparado para todos os momentos. No início do ano, as enchentes acabaram atingindo 150 municípios catarinenses. As famílias foram fortes e aí vem um exemplo extraordinário de como nós precisamos respeitar as pessoas. O processo da greve é democrático e respeito, só que agora nós temos que voltar a sala de aula para continuar debatendo as nossas diferenças, mas sem prejudicar os alunos. O Governo, agora, precisa tomar atitudes mais duras. Nós fomos ao extremo do diálogo e continuaremos dialogando, mas agora queremos a volta às aulas.
Secom – Quais as medidas que o Governo do Estado irá tomar agora para resolver esse impasse?
Governador – O Governo começa a tomar as suas atitudes, que são de ordem legal. Sinceramente, não gostaria porque quero o diálogo, quero construir esse grupo de trabalho para melhorar a Educação. Então parece que você está tomando atitude dura contra as pessoas. Mas não é, e sim para respeitar e apoiar as crianças e famílias. O Governo realmente vai descontar os dias parados, dando a oportunidade da reposição, até para consagrar o ano letivo. Inclusive, eu acho que se não houver outra solução é começar a substituir aqueles que faltam e também vamos à Justiça pedir a ilegalidade da greve. As consequências realmente produzem efeito que não deve, de formar nenhuma, impedir o diálogo para o futuro, que é fundamental para a educação de Santa Catarina.
Secom – Os professores têm dúvidas e algumas informações estão desencontradas. Uma das que preocupa é que os professores vão ganhar menos. Isso realmente vai acontecer?
Governador – Não, isso tanto não pode acontecer como não irá acontecer. Primeiro que não aceitamos isso e que a lei determina proíbe a redução de salários. Todos os professores terão aumento. Eles começam na faixa de 7% e vão até 44%. Outra informação é de que o Governo tem que cumprir a lei e decidimos cumpri-la desde o início. Outra coisa é que colocam que vai achatar a carreira. Nós fizemos um trabalho e mostramos ao Sinte o limite que a gente tinha, até por que não há outra fórmula de distribuir esses valores sem fazer algum tipo de achatamento. Mas não é um achatamento injusto, por que todos vão ganhar.
Secom – Governador, uma última mensagem aos pais e professores
Governador – Quero agradecer aos pais pela compreensão. Isso causou transtorno na casa de milhares de catarinenses, gerou uma série de desconfortos, mas compreenderam a reivindicação dos professores. Também às crianças que vão ter que sacrificar sábados, feriados e, possivelmente, as férias. Mas isso tudo faz parte para melhorar a educação. Agora um pedido muito especial aos professores. Que realmente voltem à sala de aula e vamos continuar dialogando. Nós precisamos somar esforços e não nos tenham como adversários. Esta causa também é nossa. Melhorar e qualificar a educação e remunerar melhor os professores.





