Com o objetivo de oportunizar a participação da comunidade caçadorense nas atividades do Museu do Contestado, acontece nesta quinta e sexta-feira, dias 9 e 10, Mostra de Cinema com dois longa metragens do cineasta Alejandro Jodorowsky. A entrada é gratuita e o evento será no próprio Museu do Contestado.
Nesta mostra os filmes serão “EL TOPO”, na quinta-feira (9), com duração de 124minutos e na sexta-feira (10) “A MONTANHA SAGRADA”, com duração de 110 minutos. Ambos os filmes tem a classificação de 18 anos e iniciam às 19h30.
A Mostra Jodorowsky conta com as parcerias da Fundação Municipal de Cultura, SESC-SC, Cineclube Independente, Associação de Amigos do Museu, Secretaria Municipal de Educação e Prefeitura de Caçador.
Sinopse
A premissa exposta no início de “El Topo”, filmado no México em 1967 e só lançado em 70, dá o tom da obra. El Topo (a toupeira) é um mamífero que vive em túneis subterrâneos, e fica a vida inteira procurando subir à superfície. Quando consegue é cego pela luz, e morre de fome. Narra a trajetória do bandido El Topo, que vai ao deserto encontrar os mestres, e matá-los. Quando consegue, é traído por sua mulher, e salvo por uma raça de anões, que quer ser libertada da caverna que se encontra. Com isso, El Topo vai ser artista ambulante numa cidade do velho oeste.
Isso é apenas um resumo deste obra enigmática e violenta, cheia de referências anti-clericais e anárquicas. Tem como curiosidade a participação do hoje famoso cineasta Alfonso Arau (diretor de “Como Água para Chocolate”) como um dos membros de um bando (ele é fuzilado a dez minutos de filme).
O filme alterna assassinatos brutais com interlúdios filosóficos, e uma pregação budista e anarquista. Como todos os outros filmes, foi lançado nos EUA sob censura, de filme pornográfico, pelo excesso de cenas violentas e falta de uma moral formal.
Se “El Topo” já é uma obra enigmática, “Holy Mountain” (A Montanha Sagrada) consegue ser mais ainda. Começa com 40 minutos sem diálogos, com referências anti-clericais (é a história de um cabeludo que serve de modelo para uma estátua de Cristo), para desembocar na saga de um alquimista que quer encontrar os anciões que vivem na “Montanha Sagrada”, que esconde o segredo da vida eterna.
Seus companheiros de viagem são seis seres, cada um de um planeta, que lhe dão apoio financeiro para a empreitada. É uma obra aberta, com cenas altamente psicodélicas e personagens surreais.
Há um forte teor anti-militarista, com várias referências a ditaduras e estados policiais (seria uma alegoria sobre o Chile natal do diretor). A cena final, com um marcante uso de metalinguística, é das mais inesperadas e impactantes da história do cinema.





