Nesta quinta-feira (24) é celebrado o Dia Mundial contra a Tuberculose e para alertar as pessoas sobre os riscos dessa doença, a secretaria municipal da Saúde, através da Vigilância Epidemiológica, divulga o número de casos constatados em Caçador nos últimos anos.
Segundo a enfermeira e coordenadora da Vigilância em Caçador, Paula Brustolin Xavier, desde 2001 foram notificados 214 casos da doença no município, sendo 137 pessoas do sexo masculino e 77 no sexo feminino, prevalecendo a forma pulmonar, com 92% dos casos. Quando comparados por a faixa etária e escolaridade, estes números estão associados aos baixos níveis de ensino (5ª a 8ª serie incompleta do ensino Fundamental) e níveis de incidência mais elevados entre a segunda e quarta década de vida ( 20 a 49 anos).
“Analisando a série histórica do município, Caçador tem em média 21 casos notificados por ano. Quando associado a outras comorbidades, o alcoolismo está presente em 9,3 % dos casos e 8.9 % ao HIV/AIDS”, declara Paula.
A profissional lembra que tuberculose é uma doença infecciosa, transmissível que pode ser grave, persistente, que compromete principalmente o pulmão, podendo atingir outros órgãos do organismo humano. O bacilo de Koch (causador da doença) espalha-se facilmente pelo ar quando uma pessoa infectada tosse, espirra e mesmo quando fala. As pessoas infectadas não adoecem imediatamente, e o microrganismo pode viver no corpo durante anos antes de se tornar ativo ou não.
“É a sétima doença infecciosa em internação no Sistema Único de Saúde (SUS) e a quarta que mais mata. Contudo, é curável em praticamente 100% dos casos novos, usando a medicação adequada, que é distribuída no SUS. Com os recursos disponíveis, é possível o controle da doença, desde que haja o envolvimento de todos: profissionais de saúde, gestores, conselhos e população”.
Para Paula, oferecer e garantir o acesso ao diagnóstico rápido e, tratamento supervisionado e humanizado: esta deve ser a meta para que a tuberculose deixe de ser um problema tão grave.
“Ainda é uma doença estigmatizada, discriminatória, considerada como sério problema de saúde pública no Brasil. Atinge principalmente as pessoas empobrecidas, vítimas de maiores desigualdades sociais e dificuldade de acesso aos serviços públicos como a saúde e também aquelas que estão vivendo com o vírus da aids (co-infecção TB/HIV). A falta de informação sobre a doença ainda é grande. Nesse sentido cabe a intervenção da intersetorialidade, principalmente o binômio Educação e Saúde”.
Segundo a organização Mundial da Saúde, são cerca de 9 milhões de casos novos e 2 milhões de mortes por ano, em todo o mundo. No Brasil são estimados cerca de 92 mil com 4.500 mil mortes por ano e um elevado numero de abandono ao tratamento, um quadro muito distante da meta nacional, que é curar 85% dos casos diagnosticados e reduzir o abandono a taxas inferiores a 5%.
“Ao longo das décadas, os dados tem nos mostrado que pouco temos avançado para a erradicação da Tuberculose, como problema de saúde publica. Carecemos ainda, de políticas publicas de saúde direcionadas aos determinantes da doença (desigualdade social, econômica e cultural) e envolvimento de toda a sociedade para o mesmo fim, apostando em uma melhor qualidade de vida. Para isso urge a necessidade de implantarmos as ações voltadas para a promoção saúde”, encerra a enfermeira.





