3 de outubro de 2026
Cultura

Museu recebe mostra Vídeo Índio Brasil

Sessões são apresentadas gratuitamente no Museu para contar a história indígena

Por Caçador Online

O Museu do Contestado recebe a mostra Vídeo Índio Brasil, que apresenta imagens, tradições, cotidiano e rituais da vida indígena no Brasil, mais precisamente do Mato Grosso do Sul e região Norte. As sessões tiveram início no sábado (31) e seguem até sábado (7), todos os dias, com entrada franca às 19h.

O evento é promovido pelo Cineclube Independente e  conta com apoio da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP), Museu do Contestado e Fundação Municipal  de Cultura de Caçador. A mostra é realizada em 112 cidades do país. Em Santa Catarina participam Caçador, Xanxerê, Dionísio Cerqueira e Laguna.

De acordo com o diretor geral do Cineclube, Reno Caramori Filho (Reninho), todos os dias os filmes são diferentes e variam entre curta,média e longa metragens. No primeiro final de semana, o público foi satisfatório.

Reninho enfatiza que para o andamento da semana, o objetivo é agendar com as escolas de todas as redes. “São 40 lugares e podemos realizar um agendamento por turma. A escola que se interessar em levar uma de suas turmas, com média de idade acima de 14 anos, pode telefonar diretamente no Museu ou na Fundação Municipal de Cultura”.

Sobre o local do evento, o caçadorense disse que a parceria foi essencial. O Museu do Contestado foi escolhido por ser um símbolo histórico da cidade, que conta a história do Contestado mas também do indígena da região.

O coordenador do Museu, Julio Corrente, organizou uma exposição temporária sobre a cultura indígena, além da exposição permanente, para que as pessoas quando cheguem para a Mostra ou na saída, possam apreciar objetos indígenas coletados na região do Contestado, como pedaços de pedra polida, utensílios domésticos, cestaria, entre outros.

“Vale a pena fazer a junção entre a cultura regional e a cultura indígena brasileira, que está sendo contada através desta Mostra. Estamos felizes com o resultado”, declara Reninho.

Mostra nacional Vídeo Índio Brasil

Na telona, visões e versões sobre o que é ser indígena. É a mostra nacional Vídeo Índio Brasil (VIB) que vai de 31 de julho até 7 de agosto com exibição de  vídeos e filmes em 112 cidades brasileiras. Em Caçador, a exibição de filmes será realizada no Museu do Contestado, a partir das 19 horas. O evento, que conta com apoio da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP), foi trazido para Caçador pelo Cine Clube Independente e pela Fundação Municipal de Cultura.

Desde 2008, o VIB é realizado em Mato Grosso do Sul, Estado com a segunda maior população indígena do país, tendo Campo Grande como cidade sede. Em 2010, expandiu fronteiras. O objetivo do festival é fortalecer e divulgar a temática indígena no Brasil. “Levar as culturas indígenas por meio do audiovisual em quase mil sessões de exibição significa mostrar ao Brasil a relevância da pauta. Essas culturas são patrimônio do país”, resumiu Nilson Rodrigues, diretor geral do Vídeo Índio Brasil. São 926 sessões, se considerarmos que existem cidades com mais de um ponto de exibição. 
 
Vídeo índio Brasil 2010

Muitas produções são de autoria, execução e edição de indígenas, como o projeto Vídeo nas Aldeias. O Vídeo Índio Brasil busca revelar a identidade e as tradições das populações indígenas, visando fortalecer e divulgar a cultura indígena no Mato Grosso do Sul e no Brasil.
Serviço – Todas as atividades do Vídeo Índio Brasil terão entrada franca. Para saber mais sobre o projeto, assistir vídeo de apresentação, obter fotos e ver a lista completa de cidades participantes, visite o site: www.videoindiobrasil.org.br.
 
 
PERGUNTAS:
- Como surgiu o evento?

O Vídeo Índio Brasil nasceu da necessidade de se criar um projeto para discutir e difundir a cultura indígena por meio do audiovisual. Aconteceu em 2007 como uma mostra cinematográfica do 4º Festival de Cinema de Campo Grande – FestCine Pantanal e a partir de 2008 começou a ser realizado como um projeto independente em Campo Grande e cidades do interior de Mato Grosso do Sul – já que o estado comporta a segunda maior população indígena do Brasil ficando atrás apenas do Amazonas.
 
- Qual o diferencial no ano de 2010?
Esta é a terceira edição do projeto e pela primeira vez ele ultrapassa as fronteiras de Mato Grosso do Sul, ampliando seu circuito de exibições para mais de cem cidades brasileiras. Todos os 26estados do país e Distrito Federal estão sendo contemplados com o projeto.
 
- Como será o evento em todo o Brasil?
O projeto Vídeo Índio Brasil 2010 tem caráter simultâneo, isto é, de 31 de julho a 7 de agosto as cidades selecionadas vão exibir uma mesma programação diária de filmes. Cada cidade tem ainda a possibilidade de organizar debates sobre a temática dos filmes e vídeos exibidos a cada dia levando professores, historiadores ou pesquisadores, entre outros, aos espaços de exibição. Além das cópias com os filmes selecionados para a mostra audiovisual, as demais cidades receberão da produção do Vídeo Índio Brasil temas relacionados ao seminário “A Imagem dos Povos Indígenas no Século 21” que vai acontecer em Campo Grande – cidade-sede do projeto. Nele serão abordados discussões em torno das novas tecnologias da comunicação e o espaço que o índio tem na mídia brasileira. As cidades também têm autonomia para realizar exposições e oficinas, em horários alternativos às exibições dos filmes.
 
- Quantas cidades estarão participando?
São mais de cem cidades em todo o Brasil. Elas estão distribuídas entre capitais dos Estados, como Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB), mais cidades interioranas. Há ainda municípios com expressiva população indígena como São Gabriel da Cachoeira, na Amazônia e Dourados, em Mato Grosso do Sul. Todos os estados foram contemplados no Vídeo Índio Brasil
 
- Quem está por trás da organização do evento em âmbito nacional?
O Vídeo Índio Brasil é organizado pela Associação dos Amigos do Cine Cultura, uma entidade que entre outras atividades, colabora com o CineCultura, uma sala de cinema de arte em Campo Grande (MS).
 
- Quem são os patrocinadores e apoiadores do VIB 2010 em âmbito nacional?
São patrocinadores do projeto, o Ministério da Cultura, por meio das Secretarias do Audiovisual e da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, Fundo Nacional de Cultura e Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável. Conta também com o apoio cultural do CineCultura, Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas (Neppi), Museu das Culturas Dom Bosco, Pontão de Cultura Guaicuru, Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande (MS) e Território do Vinho.
 
- Qual a importância do VIB para a sociedade brasileira? E para as comunidades indígenas?
Por meio do audiovisual o projeto busca fortalecer e divulgar a temática indígena em todo o país. Há poucos espaços para a divulgação de produções com temática indígena produzidas por índios e não índios e o projeto, com o seu circuito de exibição agora ampliado para mais de cem cidades brasileiras, proporciona a ampliação dos espaços para produções audiovisuais indígenas. Promove ainda debates sobre temática indígena trazendo à luz questões tratadas muitas vezes apenas na perspectiva do não índio.
Também participam do projeto comunidades indígenas que vão exibir os filmes em aldeias. É uma oportunidade para conhecerem a ferramenta de comunicação do audiovisual, além de outras culturas indígenas por meio dos registros gravados. Em Campo Grande (MS) desde o início do projeto em 2008, uma oficina de audiovisual é oferecida apenas ao público indígena durante os dias de realização do projeto.
 
- Quantos filmes serão exibidos na mostra nacional?
Serão 15 filmes e vídeos, exibidos ao longo dos 8 dias de realização do VIB, em programações selecionadas cuidadosamente pela curadoria do projeto. O Vídeo Índio Brasil recebeu mais de 80 inscrições de filmes com temática indígena produzida por índios e não índios entre os dias 10 de abril e 31 de maio de 2010. Foram selecionados longas e curtas-metragens nas categorias documentário, ficção e animação,  compondo uma diversidade de produções que mostram, por meio do audiovisual, peculiaridades das culturas indígenas de todo o país.
 
- Há algum filme que se destaque entre eles ou que tenha algum diferencial importante?
Todos os filmes foram avaliados em seus conteúdos e refinamento técnico. Abrem a programação do projeto dois filmes inéditos: “Já me transformei em imagem”, de Zezinho Yube e “De volta à terra boa”, de Vincent Carelli, ambas do Vídeo nas Aldeias. O primeiro filme conta com a participação do povo Hunikui (Kaxinawá), do Acre, que relata a importância do registro audiovisual para a perpetuação da história da etnia - do tempo do contato, o cativeiro nos seringais até o trabalho atual com o vídeo. Outra produção que compõe a abertura, “De volta à terra boa”, é um registro sobre os Panará que narram a trajetória do reencontro de seu povo com seu território original, desde o primeiro contato com o homem branco, em 1973, passando pelo exílio no Parque do Xingu (MT) até a luta e reconquista da posse de suas terras
Um dos longas-metragens, a ficção A “Terra vermelha”, ficção de Marcos Bechis traz Matheus Nachtergaele, Leonardo Medeiro e o indígena Ambrósio Vilhalva no elendo e trata sobre o conflito de terras dos Guarani-Kaiowá em territórios indígenas de Mato Grosso do Sul. “Corumbiara”, de Vincent Carelli, é premiado documentário brasileiro, vencedor do Kikito no Festival de Gramado 2009, denuncia o massacre dos índios na Gleba Corumbiara – os Akuntsu e Kanoê (Rondônia).
 
- Qual a temática e o gênero predominantes nos filmes?
São diversos os temas dos filmes selecionados. Entre eles, estão as peculiaridades da vida nas aldeias com seus rituais e trabalho diário; histórias que descrevem a origem das coisas a partir do olhar indígena; projetos de sustentabilidade implantado nas aldeias que dão certo; conflito de terras; a cultura indígena que interage com outras culturas; mídias e novas tecnologias. Há ficção, documentários e animações entre os filmes selecionados.

Mais notícias