3 de outubro de 2026
No México

Caramori intercede por exilado político caçadorense

Edilton Swarowski está no México desde o Regime Militar

Por Caçador Online

Requerimento apresentado pelo deputado Reno Caramori dirigido ao ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, é o primeiro passo para tentar reverter a dramática situação do catarinense Edilton Swarowski, de Caçador, exilado político desde 1964, e que reside atualmente em Querétaro, no México.

Com 69 anos, doente, debilitado e pesando pouco mais de 40 quilos, a situação de Edilton sensibilizou o parlamentar catarinense que decidiu tomar a ponta das ações para trazer o caçadorense de volta ao Brasil.

Ex-marinheiro, Edilton foi acusado de “prática de motim e atos de subversão” na Associação dos Marinheiros e Fuzileiros, no Rio de Janeiro, e preso, quando reivindicava melhores condições de alimentação a bordo, em março de 1964.

Edilton Swarowski foi torturado e perseguido antes de fugir para o México. Naquele país constituiu família e, após a morte de sua segunda mulher, passou a apresentar sinais do mal de Parkinson. Hoje, debilitado, com medo de ser perseguido novamente, o caçadorense vive de favores e de uma pequena pensão que recebe do governo do México, onde segue como asilado político.

Edilton Swarowsky foi anistiado pela Lei 6683, de 28 de agosto de 1979. Diante do agravamento do estado de saúde de Edilton e de sua mãe, a família intensificou os esforços na tentativa de trazer o parente de volta ao Brasil.

Entretanto, a dificuldade do ex-marinheiro em se locomover e os entraves burocráticos estão impedindo de trazê-lo de volta. O pedido de interferência feito à Assembleia Legislativa, através do deputado Reno Caramori, traz novas esperanças à família para solucionar o caso.

O último?
Em agosto do ano passado, o Ministério da Justiça anunciou com festa o repatriamento de Antonio Geraldo da Costa, o Neguinho, que vivia com nome falso na Suíça e que seria o último exilado político brasileiro.

Na oportunidade, o governo afirmava ter fechado um ciclo, fazendo justiça a uma série de desrespeitos aos direitos humanos cometidos durante o governo militar contra cidadãos que se opunham ao regime militar. Agora, o governo federal, através do Itamaraty, precisa agir rápido para refazer a história e fazer justiça com Edilton, cujo estado de saúde é extremamente grave.

De acordo com os parentes de Edilton que tentam seu repatriamento, o ex-marinheiro ainda teme falar sobre os fatos que o levaram ao exílio, mas não perdeu a dignidade. Mesmo sustentando-se com a pensão de sua ex-mulher, mexicana, Edilton afirma só voltar ao Brasil se puder viver dignamente, com recursos próprios.

Recusa-se desta forma a viver de favores, assim como se nega a falar do que passou no Brasil, durante o tempo em que esteve preso. Os parentes de Edilton, dois sobrinhos, dizem que a burocracia para repatriar o catarinense é extremamente demorada e exigente, sendo o fato de Edilton ter uma receita fixa (a aposentadoria da ex-mulher), um dos empecilhos para a interferência do Itamaraty.

Segundo eles, o benefício só é concedido para indigentes, situação em que Edilton, apesar da gravidade do seu estado, não pode ser enquadrado.

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