Fevereiro de 1920 nascia na região de São João de Cima, município de Porto União, o menino Laudelino Fagundes, filho de Juvenal e Generosa Tibes Fagundes. O tempo passava e menino Laudelino, logo recebeu um carinhoso apelido “Dico Fagundes”.
Quando não estava trabalhando na roça com a família, gostava de corridas de cavalos na várias raias existentes entre Matos Costa e Caçador. Era o jóquei preferido de vários apostadores e fazendeiros da época.
Já moço alistou-se no Exército e nos tempos da Segunda Guerra Mundial foi convocado, mas teve a sorte de não ir para a Europa, ficando 16 meses em Joinville e mais 25 meses na Guarda da Presidência da República no Rio de Janeiro, onde o presidente era o gaúcho Getúlio Vargas.

Laudelino comenta que Getúlio era um homem muito simpático. “Quando passava por nós vinha cumprimentar pessoalmente, às vezes ficávamos preocupados, pois tínhamos que manter a pose de soldado na frente do presidente, quando ele mandava ficar à vontade. Tenho saudades do Getúlio e daqueles tempos maravilhosos”, comenta.
Depois que voltou do Rio de Janeiro, foi tropear com o pai, levando boiadas para o Rio Grande do Sul e trazendo para a região de São Paulo. Nesta época, conheceu a moça Maria Luiza, com quem se casou e está há mais de 63 anos.
Depois de várias tropeadas e façanhas pelos campos e rodeios de Santa Catarina, com a emancipação de Matos Costa em 23 de abril de 1962, tornou-se o primeiro vice-prefeito. “Naquele tempo, o vice não recebia salário, mas gastava bastante, hoje brigam por salários”, afirma o ex-tropeiro.
No dia 17 de fevereiro de 2010, o “tropeiro velho” completou 90 anos de vida, onde recebeu o carinho dos familiares e de amigos. “Todo esse tempo foi trabalhoso, mas consegui vencer, foi uma escola que tive na vida, além da tropeada onde iniciei a vida apesar de ser sofrido e trabalhoso. Se for para sofrer depois de velho, que sofra enquanto é novo. Graças a Deus, hoje eu estou vivendo a vida”, confirma.
Seu Dico adora a leitura de livros, jornais, e ouve as rádios União, Colméia de Porto União e Caçanjurê de Caçador. “O Rádio ainda é o melhor meio de ouvir informações, mas não deixo de ler os jornais da região. Meus filhos e netos gostam de ler através da tal internet”, fala emocionado.
Ele aproveitou ainda para elogiar a esposa Luiza pelos mais de 60 anos ao seu lado trabalhando, além de cuidar dos filhos sem precisar de empregada. Para ele, a esposa é a grande companheira em todas as horas e sempre cumpriu com os deveres. “Tenho orgulho da esposa dos filhos e netos, a minha família nunca me incomodou”, completa.
Política
Falando sobre política, Fagundes disse que começou no tempo da ARENA e do PSD, depois veio o MDB e PDS. “Havia muito respeito por parte de seus integrantes”, disse.
Para ele, atualmente está uma vergonha, ninguém se respeita mais. “Chamam-se de ladrão e depois estão todos juntos novamente. Quem passa vergonha é a pessoa que briga por eles. Falar do bem que a pessoa fez, ninguém se lembra, mas cometeu um pequeno erro, todos estão criticando”, lamenta.





