A forte chuva que caiu no final da tarde e início da noite desta quinta-feira, 11, causou alagamentos em pelo menos 10 pontos diferentes em Caçador. Um dos locais mais afetados foi no Santelmo, na Rua São Francisco de Assis, divisa dos bairros Vila Paraíso e Bom Jesus. Casas e lojas foram invadidas pela água. Um grupo de pessoas ficou “ilhado” dentro de uma igreja. Um veículo foi arrastado pela correnteza e precisou ser amarrado numa árvore.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Sérgio Eloi Bisotto, também foram registrados alagamentos em ruas nos bairros Figueroa, Gioppo, Berger, Centro, Menegazzo e Industrial. No Bairro dos Municípios um muro de sete metros cedeu e ameaça cair sobre uma casa. A estimativa é que tenha chovido mais de 50 milímetros em aproximadamente duas horas.
Veículo é arrastado pela água
Na Rua São Francisco de Assis, um veículo utilitário tentou atravessar o trecho alagado e acabou arrastado pela correnteza. “A água deve ter atingido a bateria e o carro apagou. Alguns minutos depois ele já estava mais da metade coberto pela água e foi arrastado. Tive que chamar um pessoal da rua e amarramos o carro na árvore”, conta o motorista.

Famílias perderam tudo
Na mesma rua, a São Francisco de Assis, pelo menos três quatro residências e uma loja foram tomadas pela água. Em uma das casas, uma família que morava num porão só conseguiu sair com a ajuda de vizinhos. “Nós estávamos tirando as coisas da casa quando quebrou o muro do vizinho. A água entrou com um volume e uma rapidez impressionante, que só deu tempo de sair dando as mãos e fazendo uma corrente”, conta Adriano.

O transtorno em dias de chuva torrencial é rotina na para o morador. Em casa ele se previne com duas bombas para retirar a água em situações de alagamento. “A primeira coisa que a gente faz é ligar as bombas e colocar uma madeira na porta, mas desta vez quebrou o muro e quase morremos afogados”, revela Adriano.

A esposa dele, Juliane, se emociona ao ver o prejuízo. “Perdemos a mobília toda da casa. Mas o que assustou mesmo foi quando eu vi que não tinha mais forças para reagir. Sem ajuda do meu marido e do meu irmão, eu e minhas irmãs não conseguiríamos sair”, lembra. Na casa vizinha os moradores só tiveram tempo de salvar uma televisão.

Comerciantes calculam prejuízos
A noite de quinta e parte da sexta-feira será de trabalho para lojistas das ruas São Francisco de Assis e Orestes Pereira Gomes. Agnaldo Brusco, proprietário de uma loja de som automotivo, conta que desta vez a água subiu mais rápido do que em outras ocasiões em que a rua alagou.
“Carros e clientes que estavam dentro da loja não tiveram tempo de sair. A água entrou cerc

"Rio entre prédios". Água alagou terrenos entre as duas ruas.
a de 30 centímetros, está tudo cheio de lama e nem consegui olhar os aparelhos para calcular o prejuízo”, diz. A sexta-feira será dia perdido para o comerciante.
Na rua Orestes Pereira Gomes, a funerária Borba e a agropecuária Agroside também ficaram alagadas.

Moradores reclamam da falta de solução para o problema
Além da comoção e tristeza das pessoas que perderam tudo dentro de casa, a indignação é outro sentimento que fica evidente nos moradores. Segundo eles, a tubulação do córrego que passa por entre as ruas é insuficiente para dar vazão à água. “A Prefeitura está cansada de saber disso. Há quinze dias, depois de um alagamento desses, eles abriram o bueiro e disseram que estava resolvido”, reclama Adriano.








