A Vigilância Epidemiológica, através do Programa de Prevenção as DST/HIV/AIDS, atende cerca de 50 pessoas por mês. Cada uma delas recebe um acompanhamento multiprofissional, envolvendo a enfermagem, assistente social, psicóloga, atendimento médico e farmacêutico.
“O atendimento é de forma integral e quando necessário utilizamos o serviço de referência para melhorar a qualidade do desse. Realizamos grupos de apoio ao individuo com AIDS e para aqueles soropositivos também”, afirma a enfermeira Paula Brustolin Xavier, coordenadora da Vigilância Epidemiológica e Programa Municipal de Prevenção DST/HIV/AIDS.
Segundo dados da Vigilância, em Caçador, o perfil epidemiológico da AIDS se assemelha aos demais municípios do interior do Estado. “Quando nos referimos à categoria de exposição a prevalência fica nos heterossexuais, seguidos de usuários de drogas, bissexuais, homosexuais e transmissão vertical, totalizando 97 casos notificados, uma vez que apenas os doentes de AIDS e as gestantes HIV são notificadas”, revela Paula.
Primeiro caso em 1990
O primeiro caso notificado em Caçador ocorreu em 1990 e era de um homem, cuja via de transmissão supostamente foi sexual. Já o primeiro caso de mulher ocorreu no ano de 1994. Em gestantes HIV, as primeiras notificações aconteceram somente em 2000, onde a solicitação do exame passa a ser mais enfatizado e exigido de forma mais consciente.
“Até o momento, temos em nossos registros 29 mulheres das quais tiveram seus filhos e desses nascimentos positivaram 4 crianças. Certamente, a transmissão vertical ocorreu associada à rejeição do diagnostico, a não realização do tratamento durante a gravidez e outros fatores condicionantes. Desses, uma criança já foi a óbito”, afirma Paula.
Realidade crescente
Os dados atuais de Caçador mostram uma realidade crescente. Existem, no registro da Vigilância, quanto ao gênero, o sexo masculino com maior predomínio. Por faixa etária, a partir de 1 ano até 55 anos ou mais, existem 58 casos, cuja incidência de 16,5/10 mil homens/ano, predominando as idades entre 25 a 44 anos, com um total de 40 casos.
Segundo Paula, no sexo feminino, a incidência é um pouco menor, porém tem demonstrado certo aumento, ficando com 39 casos. Isso significa 11,8 casos para cada 10.000 mil mulheres/ano. A faixa etária nas mulheres tem uma concentração maior entre 20 a 34 anos, com 23 casos. “Percebe-se que existe uma tendência a faixas etárias mais jovem, porém não deixando de ter na idade adulta e terceira idade”, acrescenta a enfermeira.
Óbitos
Em se tratando dos óbitos, de todos os casos notificados e em tratamento, faleceram 39 pessoas, sendo que a maior parte deles ocorreu na década passada, onde, segundo a Vigilância, possivelmente a aderência ao tratamento, bem como a efetividade eram menores. Os homens também são os que morrem mais.
“Tinha-se a idéia de que ao ser portador de HIV e tendo desenvolvido a doença AIDS estaria o individuo assinando a sentença de morte. Atualmente, o prognóstico da doença para aqueles indivíduos que aderem seu tratamento, mudam seu estilo de vida e comportamento, tem sido muito favorável, fato é, que temos pacientes com mais de 15 anos que são portadores do vírus e a pouco tempo iniciaram com a doença, onde já estão recebendo a terapia anti- retroviral”, confirma Paula.





