3 de outubro de 2026
Órgãos

Caçador abraça campanha de doação de órgãos

Por Assessoria de Imprensa da Câmara de Caçador

O desafio de implantar em Caçador a prática de doação de órgãos foi abraçado pelo Conselho Municipal de Saúde, em parceria com diversas entidades locais, como da Câmara, Prefeitura, através da Secretaria de Saúde, Secretaria de Desenvolvimento Regional, através das Gerências de Educação e Saúde, e do Hospital Maicé.

O primeiro passo para iniciar os trabalhos de conscientização local sobre a importância da doação de órgãos aconteceu durante a sessão ordinária da Câmara de Vereadores nesta terça-feira, 6. Na ocasião, a presidente do CMS, Janete de Almeida, e a psicóloga do Maicé, Liliane Bier, falaram sobre como funciona a captação de órgãos, sobre a fila de transplante e da necessidade das pessoas se informarem a respeito da doação de órgãos.

“Nós temos dois tipos de doares, os vivos e os falecidos. Os vivos podem doar a familiares um rim, medula óssea, parte do fígado, um pulmão, pâncreas e intestino. Já os doadores falecidos são divididos em duas categorias: morte por coração parado e morte encefálica. No primeiro caso, de coração, o doador pode fornecer tecidos, que são: córnea, rins, pâncreas, fígado e pulmão. Já de morte encefálica são doados órgãos (rim, coração, fígado, pulmão, pâncreas, intestino) e tecidos (córneas, válvulas cardíacas, ossos, cartilagem e pele)”, explicou Liliane.

O presidente da Câmara, Itacir Fiorese, manifestou o apoio da Casa com a campanha e colocou o Legislativo à disposição para o que for necessário. “Já está na pauta da Casa a realização de uma Audiência Pública para tratar sobre o assunto e tirar dúvidas da população caçadorense. A Câmara é parceira nessa causa tão nobre”, disse.

Mais sobre o processo de doação
O processo de doação é simples e só acontece quando há a aprovação dos familiares. “É preciso deixar bem claro que não adianta a pessoa em vida deixar uma carta ou documento dizendo que é doadora. O que essa pessoa deve fazer é informar a sua família que é doadora e, no momento da morte, a família respeita essa decisão”, salienta a psicóloga Liliane.

A primeira atitude no processo de doação é o hospital identificar e notificar o doador, em seguida é feita a manutenção desse doador e realizado o aceite da família. Por último, uma equipe especializada é acionada para fazer a captação desses órgãos e tecidos.

Somente este ano, até o mês de setembro, das 201 notificações de possíveis doadores foram realizadas apenas 78 doações efetivas em Santa Catarina, segundo dados da SC Transplantes. Isso representa apenas 38,80% de doadores aptos que realizaram a doação, somando um total de 116 doações não efetivadas, sendo que dessas 65 não ocorreram por negativa da família, 38 por outros motivos e 8 por contraindicação.

“Existe uma fila de espera no SC Transplantes de 1.305 pessoas aguardando um doador. Muitos nos perguntam a quantidade de pessoas de Caçador que estão nessa fila, mas não há como saber. Todos as pessoas que precisam de transplante, diagnosticadas no Estado, seguem para uma fila única”, disse Janete.

Hoje e Santa Catarina são 869 pessoas aguardando a doação de córnea, 224 por rim, 110 fígado, 57 por osso, 32 medula óssea, nove por rim/pâncreas e quatro por um coração.

“É preciso conscientizar e quebras tabus entre a população caçadorense sobre a doação de órgãos. Muitos exames são feitos para constatar a morte de uma pessoa para, somente depois, identificá-lo como um possível doador. Com a campanha pretendemos informar a população e faze-los compreender a importância deste gesto tão simples que pode salvar vidas”, disse Venturino Zardo, membro do Conselho.

A iniciativa de desenvolver esse trabalho partiu justamente depois de acompanhar o sofrimento de pacientes de Caçador que precisam fazer hemodiálise em Videira. Todos aguardam a doação de rim.

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