Foi confirmado, na tarde desta sexta-feira, 28, o primeiro óbito pela Gripe A em Caçador. Os dados foram encaminhados através de boletim da Secretaria de Estado da Saúde.
O paciente, do sexo masculino, de 39 anos, teve o início de sintomas em 18 de agosto e foi internado no Hospital Maicé no dia 19 e morreu dois dias depois.
O homem apresentou doença renal crônica, depressão no sistema de defesa do organismo. A causa foi choque séptico e pneumonia bilateral, insuficiência renal crônica e glomerulonefrite.
Outros exames aguardam resultados
A Vigilância Epidemiológica ainda aguarda o resultado de 152 exames encaminhados, além dos quatro das pessoas que vieram a óbito. “A situação da Gripe A em Caçador está muito mais tranquila do que antes, mas nem por isso devemos cruzar os braços e deixarmos de agir”, afirma Paula Brustolin Xavier, enfermeira e coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Caçador.
Ainda, segundo ela, sempre há um telefone disponível e uma equipe trabalhando durante as 24 horas. “Quando alguém apresenta os sintomas e é atendido pelo médico, esse nos solicita a coleta de exames e todo o procedimento é realizado de forma correta e de acordo com as normas do Ministério da Saúde”, acrescenta, revelando que esta semana foi publicada uma norma instruindo as vigilâncias a somente realizar a coleta em pacientes internados ou gestantes.
A Vigilância Epidemiológica também é responsável pelo acompanhamento e monitoramento dos casos suspeitos da doença. “A partir do momento que diagnosticamos um suspeito, além da pessoa ser medicada com Tamiflu, ela é, frequentemente, acionada pela equipe epidemiológica. São sete dias de monitoramente, onde ligamos para o paciente para saber do progresso da doença ou cura e, após esse período, ele é reavaliado pela equipe médica”, explica Paula.
Entretanto, segundo ela, o problema que muitas pessoas que estão em tratamento não são encontradas em suas residências, ou quando são, afirmam que estão bem e de que não precisam mais ser importunadas.
Outro agravante é a demora dos resultados dos exames encaminhados por Caçador. “A demanda de exames está muito alta e a Fiocruz teve que paralisar as atividades do seu laboratório de análises devido a falta de matéria prima para a análise dos exames”, salienta a enfermeira.
Segundo Paula, nenhuma informação está sendo retida pela Vigilância Epidemiológica. “O repasse de informações é nossa obrigação, porém há uma hierarquia a ser respeitada”, afirma Paula, rebatendo comentários de que alguns casos estão sendo escondidos em Caçador.
Depois da notificação recebida pela Vigilância de uma unidade de saúde, hospital ou consultório particular, é deslocada uma equipe até o local onde está o paciente suspeito e iniciada a investigação. As informações são encaminhadas a Gerência Regional de Saúde em Videira, que repassa os dados ao Estado.
“A gripe veio para nos assustar e quem sabe muitos de nós não pensamos que essa doença fosse assim tão violenta e letal. Porém há muita preocupação em cima da Gripe A, enquanto em nossa cidade pessoas estão morrendo devido ao uso de crack, no trânsito, ou por doenças como tuberculose. Existem muitos fatores que devemos nos preocupar, muitas atitudes que devemos tomar para nos prevenir e esquecemos que o papel mais sério a ser realizado é o nosso, de cuidarmos de nossa saúde, de nosso corpo e daqueles que amamos”, finaliza.





