O pesquisador Amador Tomaselli mostra que as leis não permitem o manejo florestal, o que reduzirá a oferta de material
Fazendo uso da palavra livre na Câmara Municipal de Caçador na sessão desta segunda-feira,13, o pesquisador Amador Tomaselli fez um balancete da sua pesquisa em torno da eficiência da araucária na produtividade volumétrica e no sequestro de carbono na região do Alto Vale do Rio do Peixe.

Segundo o pesquisador, irá faltar madeira, num futuro próximo, porque as leis não estão permitindo o manejo florestal. “Precisamos mudar a legislação para que permitam o manejo florestal. Hoje as leis estão engessadas e não permitem o manejo racional, o que renova a mata, captura uma maior quantidade de carbono, e acima de tudo contribuímos de forma social”, coloca Amador.
De acordo com a apresentação de Tomaselli, a metodologia adotada no estudo, através de cálculos da quantidade de carbono, mostra que a araucária é a árvore que melhor desempenha essa função. “Em florestas cultivadas de araucárias a quantidade de carbono sequestrado é superior”, diz.
Para o pesquisador, a valorização da araucária é 80% superior ao pinus e eucalipto, ela tem alta valorização no mercado internacional e que precisa ser valorizada na região por ser uma árvore nativa. “Hoje o seu corte não esta permitido por decisão de juizes federais e entidades ambientalistas. Porém, precisamos modificar isso e aproveitar as suas propriedades naturais. A araucária tem uma semente saudável, o pinhão, com grandes propriedades alimentícias, e que dá de dezembro a fevereiro de acordo com pesquisas já realizadas”, conta ele.
Para que essa realidade mude, é preciso uma nova legislação que permita o corte dessas árvores quanto estiverem no seu estado de envelhecimento. “Nesse estágio as araucárias, comprovadamente, não sequestram mais carbono e, a partir daí, o manejo florestal racional permite que novas árvores venham em seu lugar realizar essa tarefa”, completa.
Essas árvores, na velhice, forneceriam madeira para a construção de casas, móveis, além do seu papel em outras áreas. “Dessa forma, as florestas com manejo florestal racional, estariam cumprindo a sua função social, econômica e ambiental. As florestas sequestrariam duas vezes mais carbono, multiplicaria a biodiversidade na floresta e de animais”, conclui ele.
Para o presidente da Casa Legislativa, vereador Itacir João Fiorese, é preciso esse tipo de debate. “A Câmara de Caçador se coloca à disposição para tratar sobre o assunto, que é de interesse de todos”, disse.
A vereadora Sirley Ceccatto aproveitou a presença de Tomaselli para esclarecer dúvidas sobre o assunto, além de agradecer a sua palestra sobre o assunto. “O pinhão na merenda escolar é um assunto muito interessante e que precisa ser discutido”.
O vereador Alcedir Ferlin disse que na Europa menos de 1% é mata, no Brasil são 60% entre reflorestamento e mata nativa. “Defendo que cada região do país deveria ter a sua legislação própria, adequada com a sua realidade”, argumentou.





