4 de outubro de 2026
Projeto

“Encontro Marcado” começa hoje na Unimed Caçador

Por Assessoria de Imprensa da Unimed

Começa oficialmente nesta quinta-feira, 4, às 14h, as ações do projeto “Encontro Marcado 2009”, da Unimed Caçador, com a capacitação para os professores de 1º e 2º graus da rede estadual de ensino.

O encontro será comandado pela idealizadora do projeto, professora Lia Fausta Bonilla Colomé, de Videira, e acontece na sede da Unimed Caçador.

O protagonista desta edição é o escritor lageano Fabio Brüggemann, jornalista, editor da Editora Letras Contemporâneas, roteirista, dramaturgo, cineasta e atualmente colunista, aos sábados, no Diário Catarinense.

“Não li nada sério até os 17 anos, nem mesmo as obrigações escolares, pelo fato de que o objeto livro não existia em casa. Mesmo assim, aos 9, ganhei um livro de orações, cuja primeira coisa que fiz com ele foi cheirá-lo. Este cheiro sinto até hoje, talvez por isto tenha escolhido como uma das profissões fazer livros. E cada vez que um deles chega da gráfica, repito o ritual olfativo”, confessa Brüggemann.

O Projeto Encontro Marcado iniciou no ano de 2005 em Caçador, sendo todo patrocinado pela Unimed Caçador, com a parceria da Gerência de Educação-GEREI, de Santa Catarina. Esta ação tem o objetivo claro de estimular a produção de leitura prazerosa e fortalecer o exercício desta prática intelectual, oportunizando uma movimentação cultural e social significativa nas comunidades onde acontece.

Promovido pela Unimed Caçador, esta é a quinta edição do projeto, em parceria com a Gerência de Educação – GERED, de Santa Catarina. A Unimed adquiriu 118 exemplares de três títulos do autor, distribuídos nas escolas do estado, nos municípios de Caçador, Calmon, Lebon Régis, Macieira, Matos Costa, Rio das Antas e Timbó Grande, viabilizando a realização dos trabalhos.

Segundo a professora Lia, “o encontro com a elite da literatura catarinense, que é descentralizada dos grandes centros, mobiliza comunidades escolares inteiras, direção, professores, alunos, funcionários, familiares, prestadores de serviço, lojistas, em torno do produto cultural LIVRO, que cada vez mais passa a ser “objeto de desejo”, explica.

Lia ainda orienta que cada professor envolvido busque ler o projeto para perceber quais são as reais intenções desta idéia. “É preciso que o educador conheça e informe-se sobre o autor, e saiba transmitir ao aluno qual o verdadeiro objetivo do Encontro Marcado. Depois, é interessante que o aluno conheça previamente o perfil do autor, e então iniciar a leitura dos textos”.

Ela percebe que o Encontro Marcado é um dos responsáveis pelo aumento da leitura entre os jovens alunos.  “motivados por professores conscientes do valor e poder da leitura, durante a execução do projeto nas escolas, nossos alunos estão lendo mais. Consequentemente, a leitura leva à busca de significados textuais que extrapolam a denotação do dicionário; tentativas de transpor ruídos de comunicação são empreendidas quando se pergunta quem é Roland Barthes, Paulo Leminski, Rubem Braga, Freud e tantas outras “personas” que perambulam pelas crônicas de Fábio Brüggemann”, exemplifica.

O desenvolvimento do projeto também viabiliza que talentos sejam despertados em seu encerramento. “Através das apresentações e homenagens que os alunos preparam para o autor, surgem guitarristas, pintores, ilustradores, artistas, entre outros”, salienta. Lia confessa que dimensionar a amplitude do projeto orgulha, mas também assusta. “Só que a tranqüilidade vem quando me encontro com outros colegas professores do estado que compartilham do mesmo sonho e mobilizam energias para que a leitura aconteça e o Encontro seja o sucesso que é. Nosso estado está repleto de professores comprometidos, competentes que são responsáveis por fazer uma movimentação cultural necessária à revalorização do livro, da cultura, da arte e da literatura”, encerra.
 
Autobiografia do autor
“Aos vinte anos, em 1982, entendi que Lages era apenas um retrato na parede e parti para o desterro, aqui nesta Ilha onde vivo até hoje. Entrei para o curso de Letras, na UFSC, mas abandonei quando um professor me reprovou por faltas, apesar de ter dito que meu trabalho sobre Cruz e Sousa era um dos melhores que havia lido e, em seguida, quando disse a uma professora que achava inútil saber se uma frase é subordinada assindética ou não.

Ela me disse que a gente deveria saber para poder escrever melhor. Talvez por isto eu até hoje não saiba escrever. Mesmo não sabendo, publiquei, só de teimoso, alguns livros. Comecei achando que era uma poeta genial, até descobrir que não passava de um imitador de Mário Quintana. Mas já era tarde, já havia publicado Dançando na Chuva, em 1982, meu primeiro livro. Depois vieram outros, até que lá pelo terceiro ou quarto, para o bem da poesia, larguei mão dela.

Depois disso, comecei a trabalhar no jornal O Estado (1985-1987) e, mais tarde, em A Notícia (1989-1991 e 1997-1999), onde convivi com grandes amigos, como Joca Wollf (escrevemos juntos uma novela, chamada Homem Aranha, 1988) e Jéferson Lima. Neste meio tempo, fui dono do primeiro sebo de Florianópolis, chamado de Sebo de Qualidade, onde conheci muitos escritores com os quais convivo até hoje, como Cléber Teixeira, Renato Tapado, Iaponan Soares, Silveira de Souza, Salim Miguel, Flávio José Cardozo, Rodrigo de Haro, Vinícius Alves, Dennis Radünz e Péricles Prade. Junto com o sebo, abri uma editora, chamado Semprelo. Através dela, publiquei cinquenta títulos, todos com tiragens pequenas, incluindo tanto autores novos quanto já conhecidos. Mais tarde, Péricles Prade e eu montamos a editora Letras Contemporâneas, contando hoje com mais de 150 títulos em seu catálogo.

Após abandonar a poesia, publiquei a novela A lebre dói como faca de ouvido (1992, com segunda edição em 1996), os livros de contos Riomadrenses (1999) e Fabulário dos ilustres desconhecidos (2002), além de três peças para teatro, reunidas em Trilogia da angústia (Editora da UFSC, 1999) e do livro Para que serve o Estado?, de diálogos sobre filosofia do direito com o promotor Pedro Roberto Decomain. Atualmente, escrevo aos sábados no caderno “Variedades”, do Diário Catarinense e preparo um volume com uma seleção dos artigos publicados nestes últimos vinte anos, chamado Isto não é notícia não, escritos de jornal.

Não posso esquecer que dirigi alguns filmes (entre eles O Espelho, baseado em obra homônima de Machado de Assis, e O sanduíche frio está fora de foca, entre outros). Escrevi também alguns roteiros, incluindo Lyamar, dirigido por Sandra Alves.

Isso sou eu, mas tenho a sensação de que estou esquecendo alguma coisa.”

Fabio Brüggemann

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