Alarmantes. Assim foram classificados os números de usuários de crack em Caçador. Conforme dados do CAPSad, em 2005 eram apenas 6 casos, em 2008 o salto foi para 73 casos de crack e este ano já foram registrados 10.
“A estimativa é que em Caçador existam 500 usuários de crack. Por isso, o debate é importante para que um trabalho prematuro seja feito, de prevenção, para que os nossos filhos não vejam em Caçador as cenas violência que vemos hoje nos grandes centros”, revelou o assistente social Marcelo Marques.
Ainda, segundo ele, 265 usuários fazem o tratamento no CAPSad, diante de 756 que por algum motivo não frequentam mais.

Os dados foram apresentados em audiência pública realizada na noite desta terça-feira, 14, na Câmara de Vereadores de Caçador. Cerca de 250 pessoas, entre entidades, estudantes e autoridades locais, participaram do evento.
A proposta do debate foi de apresentar as estatísticas do consumo de drogas líticas e ilícitas em Caçador, os efeitos da droga no organismo humano e as medidas de prevenção, controle, tratamento e redução de danos implementadas pelo Poder Público.
A vereadora Sirley Ceccatto disse que o consumo de drogas em Caçador é grave, preocupante e precisa ser debatido intensamente na busca de alternativas que reduzam o impacto negativo que esse assunto proporciona nos mais variados âmbitos.
“É necessário conscientizar, esclarecer e atuar na prevenção, uma vez que se trata de um problema coletivo que envolve todas as classes sociais. Nesse processo de conscientização, é necessário ressaltar que a participação da população, entidades, órgãos, profissionais e acadêmicos presentes neste ato é de suma importância”, assinala.
O assistente social do CAPSad acrescentou também que as dependências mais frequentes na instituição são de álcool, maconha e crack. “Do total de usuários, 289 são de dependência cruzada, ou seja, usam mais de uma substância e nesse tipo de usuário está a nossa maior preocupação”, afirma.
Fazendo uso da palavra, a tenente Luciana Helena dos Santos falou sobre a origem e funcionalidade do Programa Educacional de Resistência às Drogas (PROERD) desenvolvido em Caçador. “O investimento feito pela Polícia Militar em cada aluno do PROERD é baixo, não chega a R$ 100, diante de um retorno muito grande na prevenção ao uso de drogas”, enfatizou.
Encerrando a Audiência, Sirley disse que o debate é a ferramenta pacífica para chegarmos a uma solução que traz benefícios à sociedade. “O que nesta Audiência Pública foi debatido, analisado e proposto, pode se transformar em soluções para um dos problemas mais comuns e de difícil compreensão dos dias atuais: o consumo de drogas. Unidos, usando a palavra e os poderes que caba a cada um de nós, temos subsídios suficientes para transformar essa triste realidade”, concluiu.





