O gaúcho de São Pedro, Antão Albano Timm, ou simplificando, Dr. Antão, que chegou a Caçador há 51 anos, completou, em 14 de fevereiro, 84 anos. Apaixonado pela Medicina, ele cursou a graduação na Universidade do Paraná e veio para o município para ganhar um apelido muito carinhoso e que reflete o que fez durante a sua atuação na profissão: O Pai dos Pobres.
Nascido em 14 de fevereiro de 1925, o Dr. Antão chegou ao município pelo amor à cidade e orfandade dos sobrinhos que perderam a mãe ainda quando crianças.
Seus amigos e familiares sempre destacaram o jeito discreto e simples do médico ser. Não se prendia às coisas materiais e, muitas vezes, deixava os cheques de pagamentos pelas consultas guardados, sem descontá-los. Era freqüentador assíduo do antigo Café Acapulco e apreciador da Música Popular Brasileira (MPB).
Fotos: Arquivo Proart
Muito embora culto e de paladar apurado, a solidão foi sua principal companheira durante todos os anos dedicados exclusivamente à profissão. Por isso, não constituiu família, mas ao contrário da maioria dos solteiros, deixou legados importantes. Apesar de não ter filhos, tornou-se patrimônio de Caçador: ter o Dr. Antão como médico foi durante muito tempo motivo de orgulho para famílias caçadorenses, que faziam questão que ele atendesse geração á geração, avós, filhos e netos.
Dedicando-se inteiramente a sua profissão, ainda coleciona apreço e admiração dos seus antigos clientes. Exerceu sua atividade profissional por vocação e necessidade de doar-se àqueles que precisavam de sua ajuda. Sua maior qualidade talvez seja a generosidade: raramente cobrava pelo trabalho exercido.

Sem fazer distinção de raça, cor, idade ou posição social, consultava mais de 20 pacientes por tarde. Outro fator predominante foi o desapego material. Até mesmo quando seria agraciado com o título de Cidadão Honorário de Caçador, exitou a princípio, mas acabou aceitando a comenda.
Até mesmo no seu aniversário, procurava sair de cena: Ia acampar – atividade pela qual era apaixonado – mas nunca gostou de caça, respeitava e muito a natureza.
Aliás, animais sempre fizeram parte da sua vida. Era amante de cachorros e de gatos, os quais cuidava como se fossem da família.
O trabalho como forma de vida
Excessivamente preocupado com os outros, mostrou-se negligente consigo mesmo. Para ele o mínimo de conforto já era suficiente. Apesar de atender pacientes somente à tarde em seu escritório, passava noites e noites no hospital trabalhando, virava o dia se fosse necessário para não perder tempo.
Ao todo fez em sua vida profissional mais de 20 mil partos. Médico familiar sempre teve aguçado o lado humanitário, inversamente proporcional ao apego material.
Pela sua maneira desprendida consigo mesmo, com o passar dos anos, contraiu uma inflamação na perna, provocada pelo uso de perneira e coturno, quando servia o Exército na adolescência. Além disso, foi alvo de alguns vândalos que assaltaram sua casa por diversas vezes. Entretanto, o Dr. Antão nunca reclamou pelos pertences roubados.
A vida atual
Atualmente, o médico que já deixa saudades pelo seu jeito simples e preocupado de atender as pessoas, reside no Hospital Jonas Ramos. Carente da boa memória e acometido por algumas enfermidades, o Dr. Antão não mais exerce a profissão que lhe trouxe a Caçador e que rendeu a fama de Pai dos Pobres. Muitos dos antigos pacientes, com certeza, ainda lembram-se dos atendimentos dados pelo médico, da consultas não cobradas e até mesmo do dinheiro que ele mesmo dava para que os mais necessitados pudessem comprar os remédios.





