Com uma estratégia simples, todo dia é dia de combater essa doença que pode levar a morte
Todos já ouviram falar sobre a dengue, durante o verão as campanhas publicitárias se tornam ainda mais acirradas devido as chuvas. Mas quantas pessoas já percorreram seus quintais e jardins tomando os cuidados necessários para eliminar focos de água limpa e parada que são ideais para a reprodução do Aedes aegypti nesse ano? A Vigilância Sanitária afirma que a preocupação em Santa Catarina, após as enchentes, deve ser ainda maior.
“Santa Catarina está em alerta, depois das enchentes vem as doenças e as pessoas precisam tomar um cuidado muito grande, porque Caçador está no meio da rota de transporte para o Paraguai, Argentina e para áreas litorâneas e a larva ou o mosquito podem chegar a cidade dessa forma”, diz a coordenadora municipal de combate a dengue no município, Ceciane Teodózio.
Ceciane conta que as pessoas costumam dizer que a dengue não atinge o sul do país, mas que é preciso manter as medidas preventivas, para que de fato a dengue continue longe de Caçador. Ela conta que durante o ano todo a Vigilância Sanitária mantém 180 armadilhas que são visitadas ininteruptamente a cada 7 dias. Elas estão espalhadas em 56 pontos estratégicos a uma distância de 300 metros uma da outra em transportadoras, ferro velhos, rodoviária, floriculturas e cemitérios.
A cada sete dias uma amostra da água com larvas é enviada para o laboratório central que analisa as larvas. Em uma dessas armadilhas, há um ano e meio foram encontradas larvas do Aedes Aegypti. De acordo com a coordenadora a presença de larvas é normalmente detectada em área próximas ao asfalto. O que demonstra que a dengue não é um problema exclusivo de alguns estados e deve ser combatida o ano todo.
“O que aconteceu no Rio de Janeiro no fim do ano passado e no início desse ano foi responsabilidade de todos. O descaso é de todos os lados, não só do governo, mas também das pessoas que muitas vezes não se dão conta do que o descuido pode gerar”, sintetiza Ceciane.

A Dengue
A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue.
Existem duas formas de dengue: a clássica e a hemorrágica. A dengue clássica apresenta-se geralmente com febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos, podendo afetar crianças e adultos, mas raramente mata. A dengue hemorrágica é a forma mais severa da doença, pois além dos sintomas citados, é possível ocorrer sangramento, ocasionalmente choque e conseqüências como a morte.
A transmissão da doença raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a mais propícia gira em torno de 30° a 32° C. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve. É importante lembrar que os ovos que carregam esse embrião podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o aedes demora em média dez dias.
Sintomas
-febre alta por vários dias seguidos, muitas vezes acima de 40 graus
-dores de cabeça, nos olhos, músculos e juntas
-manchas avermelhadas por todo o corpo e, em alguns casos, sangramento da gengiva e do nariz
-falta de apetite e ânimo, muita fraqueza.
No caso da dengue hemorrágica, quando a febre acaba, começam a surgir sangramentos, a pressão cai, os lábios ficam roxos e a pessoa, além de sentir fortes dores no abdômen alterna sonolência com agitação. Muito mais perigosa, a dengue hemorrágica pode causar a morte.





