3 de outubro de 2026
Catástrofe

Bombeiros de Caçador auxiliam no Morro do Baú, em Ilhota

Por Caçador Online

Os treze bombeiros voluntários de Caçador que viajaram para auxiliar na força tarefa no litoral de Santa Catarina chegaram na terça-feira em Blumenau e na quarta-feira, 26, foram deslocados para Ilhota, um dos municípios mais atingidos pelas enxurradas.

Por telefone, o comandante da Corporação de Caçador, Lemoel Novaski, contou que os esforços estão concentrados do Morro do Baú, localidade que teve inúmeros deslizamentos e está isolada. “Somente de helicóptero conseguimos chegar ao Alto do Baú e a situação é realmente desoladora. Várias casas vieram abaixo e foram soterradas. Tiramos muitas pessoas de regiões isoladas, mas muitas outras não querem sair de suas casas”, relata.

Segundo o comandante, a lama tem atrapalhado os trabalhos. “Chegamos a uma casa que desabou e a informação é que eram cinco vítimas, mas conseguimos encontrar apenas uma. Nos locais soterrados a chance de sobreviventes é zero”, afirma Lemoel.

A mobilização em Ilhota é grande por parte de bombeiros, Defesa Civil do Estado e Exército. Mantimentos estão chegando ao município, mas ainda há precariedade no abastecimento de água, energia elétrica, entre outros.

A previsão é que a equipe de Caçador permaneça no local até sábado, mas o prazo pode se prorrogar. “Queremos deixar um comunicado a população e as nossas famílias que estamos bem. Estamos agindo com segurança e com superação em prol do povo desta região que está necessitando de ajuda”, conclui Lemoel.

O cenário é de guerra, por Frutuoso Oliveira

Nunca estive numa guerra. Mas, imagens de conflitos bélicos que vi em inúmeras coberturas desse tipo de episódio na televisão nos jornais se assemelham muito com o que tenho visto nesses dias que acompanho um grupo de colegas,  servidores da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), que trabalham auxiliando os atingidos pela tragédia que se abateu sobre Santa Catarina.
 
Na tarde de quinta-feira, um comboio de oito caminhonetes da Fatma, veículos com tração nas quatro rodas utilizados no serviço de campo, levou cerca de oito toneladas de alimentos para a cidade de Luiz Alves. O cenário era o pior possível de se imaginar. O acesso à cidade, mesmo sendo de asfalto, está precário. Em vários pontos apenas meia pista, porque o resto, ou foi embora ou está tomado pela lama.
 
Quando os veículos entraram na cidade, as pessoas saíam as ruas. Parecia uma cena daqueles filmes de guerra, quando os aliados chegavam com a liberdade em cidades antes dominada pelos países do eixo. A felicidade que um caminhão (desses que transportam cerveja) carregado de água e oito caminhonetes de alimentos causaram na população é algo indescritível. Mesmo aqueles que não foram atingidos,  foram para a rua ajudar na descarga, sabendo que auxiliavam um vizinho.
 
Em Luiz Alves a população está estarrecida. Fala-se muito na tragédia. Moradores contam histórias de pessoas que estão desaparecidas juntamente com suas casas e suas famílias. Morros desapareceram e foram parar na parte baixa do vale. Ninguém ainda sabe o número de mortos ou desaparecidos. Em alguns locais somente soldados do Exército, com seus caminhões preparados para a guerra, estão chegando. 
 
Moradores com motos ou quadricíclos também se arriscam no meio da tragédia, levando água e alimentos. E o pior: os morros e encostas ainda ameaçam cair, porque a chuva continua. Luiz Alves precisará de um bom tempo para se recuperar dessa tragédia. Nesse momento, eles não sabem direito nem quem são seus mortos ou desaparecidos.
 
Nessa sexta-feira vamos trabalhar em Blumenau. A equipe está á disposição da Defesa Civil do município, auxiliando no transporte de água e alimentos para locais de difícil acesso. No meio de cenário de tristeza e de dor, sobressai um catarinense solidário, parceiro e amigo que busca de todas as formas a ajudar o próximo. E é por esse espírito que temos certeza que Santa Catarina vai sair dessa, mais uma vez.
 
Frutuoso Oliveira é jornalista e assessor de comunicação da Fatma

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