3 de outubro de 2026
Arrecadações

Primeira remessa de donativos é enviada a Itajaí

Por Caçador Online

As arrecadações em Caçador para as vítimas das enchentes no litoral de Santa Catarina estão concentradas no Tiro de Guerra. As doações chegam a todo momento e a primeira remessa foi enviada nesta quinta-feira a Itajaí. Atiradores, bombeiros mirins e voluntários trabalham incessantemente na separação e embalagem dos donativos.

Segundo o coordenador da Defesa Civil no município, Sérgio Elói Bissoto, o número de doações já é bastante expressivo. “São mais de 3.500 quilos de alimentos, dois caminhões de água, 600 litros de leite, mais de 2 mil fraldas descartáveis, alguns produtos de limpeza e higiene, cerca de 40 mil peças de roupas, cobertores e colchões, além de mil pares de calçados”, contabiliza

Uma rede de lojas do Rio Grande do Sul enviou a Caçador um caminhão com doações de colchões e roupas. A primeira remessa de água já foi enviada e a empresa Alfa Transportes já está a caminho com mais dois caminhões de mantimentos. “Até domingo queremos enviar todas as doações, mas na semana seguinte vamos continuar recebendo doações, pois a situação é de emergência mesmo”, afirma Bisotto.

O cenário é de guerra, por Frutuoso Oliveira

Nunca estive numa guerra. Mas, imagens de conflitos bélicos que vi em inúmeras coberturas desse tipo de episódio na televisão nos jornais se assemelham muito com o que tenho visto nesses dias que acompanho um grupo de colegas,  servidores da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), que trabalham auxiliando os atingidos pela tragédia que se abateu sobre Santa Catarina.
 
Na tarde de quinta-feira, um comboio de oito caminhonetes da Fatma, veículos com tração nas quatro rodas utilizados no serviço de campo, levou cerca de oito toneladas de alimentos para a cidade de Luiz Alves. O cenário era o pior possível de se imaginar. O acesso à cidade, mesmo sendo de asfalto, está precário. Em vários pontos apenas meia pista, porque o resto, ou foi embora ou está tomado pela lama.
 
Quando os veículos entraram na cidade, as pessoas saíam as ruas. Parecia uma cena daqueles filmes de guerra, quando os aliados chegavam com a liberdade em cidades antes dominada pelos países do eixo. A felicidade que um caminhão (desses que transportam cerveja) carregado de água e oito caminhonetes de alimentos causaram na população é algo indescritível. Mesmo aqueles que não foram atingidos,  foram para a rua ajudar na descarga, sabendo que auxiliavam um vizinho.
 
Em Luiz Alves a população está estarrecida. Fala-se muito na tragédia. Moradores contam histórias de pessoas que estão desaparecidas juntamente com suas casas e suas famílias. Morros desapareceram e foram parar na parte baixa do vale. Ninguém ainda sabe o número de mortos ou desaparecidos. Em alguns locais somente soldados do Exército, com seus caminhões preparados para a guerra, estão chegando. 
 
Moradores com motos ou quadricíclos também se arriscam no meio da tragédia, levando água e alimentos. E o pior: os morros e encostas ainda ameaçam cair, porque a chuva continua. Luiz Alves precisará de um bom tempo para se recuperar dessa tragédia. Nesse momento, eles não sabem direito nem quem são seus mortos ou desaparecidos.
 
Nessa sexta-feira vamos trabalhar em Blumenau. A equipe está á disposição da Defesa Civil do município, auxiliando no transporte de água e alimentos para locais de difícil acesso. No meio de cenário de tristeza e de dor, sobressai um catarinense solidário, parceiro e amigo que busca de todas as formas a ajudar o próximo. E é por esse espírito que temos certeza que Santa Catarina vai sair dessa, mais uma vez.
 
Frutuoso Oliveira é jornalista e assessor de comunicação da Fatma

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