3 de outubro de 2026
Clima

Geada prejudica fruticultura em Caçador

Por Jairo Pedroso/Folha da Cidade

A forte frente fria do final de semana e madrugada de segunda-feira (8) atingiu os pomares de pêssego e ameixa, além de parreirais de uva, os quais, foram os maiores afetados
 
O frio intenso nas madrugadas de domingo (7) e segunda-feira (8), acabou prejudicando os agricultores de Caçador, principalmente no cultivo de uva, que foi muito afetado. Segundo dados da Epagri, a temperatura mínima, registrada na madrugada desta segunda-feira, chegou a 2,1 °C negativos e com a geada, as parreiras que já estavam brotando foram bastante prejudicadas.

Propriedade de Renato Valentin Pelegrinello na Linha Rio Bugre

O pesquisador da Epagri, José Luis Petri, salienta os prejuízos ainda não foram contabilizados e até a manhã de ontem, não havia informações do número de produtores afetados, porém, estas temperaturas já foram suficientes para prejudicar além do cultivo de uva, o de ameixa e pêssego. "Quem se preveniu com o sistema de irrigação ou de aquecimento não teve sua produção prejudicada, mas aqueles que não tomaram as devidas precauções e acreditavam que o frio intenso não viria mais, acabaram tendo prejuízos", fala.

Os frutos que já estão com os caroços se formando ou formado, ou no caso da uva, já com o broto, ao entrar em contato com este frio, pára de crescer e acaba caindo, explica o pesquisador, que ainda diz que, a partir de hoje (9), as temperaturas deverão começar a aumentar.
 
Cerca de 70% da produção afetada

Uma das localidades afetadas com as baixas temperaturas dos dois últimos dias, foi a comunidade da Linha Rio Bugre. Nesta, vários produtores tiveram suas produções afetadas e já começam a contabilizar os prejuízos.

O produtor Renato Valentin Pelegrinello, que possui aproximadamente seis hectares de parreira de uva Izabel, procurou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caçador (Sitruc) na manhã de ontem, para buscar junto ao Sindicato, alguma solução para o prejuízo. O agricultor conta que cerca de 70% da sua produção foi afetada. "Nossos parreirais já estavam com a brotação em estado avançado, ao ponto de fazer a primeira pulverização, e devido a isso, a geada acabou matando os brotos", destaca, dizendo também que a saída agora é tentar buscar alternativa junto ao Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) para amenizar o valor do financiamento realizado para esta safra.

O produtor também fala que o frio pegou-o de surpresa, pois acreditava que as baixas temperaturas não viriam mais e por isso, tardou em fazer o seguro da safra. "Sempre estou acompanhando as condições do tempo via internet e acreditava que não teríamos mais o frio intenso, por isso, não nos precavemos. Na próxima semana, faríamos o seguro, pois nossa preocupação, até então, era com os fortes ventos e granizos que pedem chegar  nas próximas semanas", relata.

Ele também afirma que na comunidade Rio Bugre, vários produtores foram afetados. "Cultivo uva há muitos anos e nunca tive uma perda tão significativa nessa época do ano, como agora", encerra.
 
Produção totalmente destruída

Se os produtores da Linha Rio Bugre foram a afetados com as geadas, a mesma coisa pode-se dizer dos moradores da Linha São Pedro. A produtora Terezinha Dreyher, salienta que possui um parreiral de um hectare e meio de uva Izabel, o qual teve a brotação destruída pelo frio. "Cultivo uva há 38 anos e nunca havia tido uma perda deste tipo. As uvas, que já estavam em fase de brotação, acabaram afetadas na sua totalidade", diz.

Terezinha afirma ainda que, caso não venha outras geadas, a brotação pode acontecer novamente, porém, em uma quantidade menor. "Nossa expectativa era de colher de 38 a 45 toneladas de uva e agora, caso haja brotação novamente, a colheita não passará de 15 toneladas. Os prejuízos não foram  apenas em minha propriedade, vários vizinhos foram prejudicados", salienta. 
 
Inúmeros produtores procuraram o Sitruc

Na busca de pedir auxílio, somente na manhã de segunda-feira (8), cerca de dez agricultores/produtores procuraram o Sitruc. De acordo com a presidente Bernadete Másquio, a recomendação do mesmo é que os afetados procurem o escritório regional da Epagri para fazer o laudo das lavouras afetadas. "Com o laudo em mãos, os agricultores terão um documento importante, com dados necessários, para buscar o seguro agrícola", diz.

Bernadete destaca que mais uma vez a importância de se fazer políticas sérias voltadas à agricultura, onde mais uma vez, a mesma é afetada. "É preciso dar incentivo para que o homem permaneça no campo. Com o clima desordenado, é importante que ele tenha subsídio para estar preparado a imprevistos como este", declara.

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