A Fundação do Meio Ambiente (Fatma) através do Programa de Proteção da Mata Atlântica (PPMA), financiado pelo banco alemão KFW, está investindo R$ 1,3 milhão num mapeamento vegetal do Estado de Santa Catarina. Estão sendo investidos R$ 560 mil na aquisição de imagens de satélite de todo o território catarinense e R$ 800 mil nos processos de mapeamento e georeferenciamento.
Com esse levantamento, de acordo com o presidente da Fatma, Carlos Leomar Kreuz, será possível saber a realidade da cobertura vegetal do Estado. “Temos dados desencontrados. Na semana passada a Fundação SOS Mata Atlântica divulgou um Atlas onde o Estado possui 22,9% de sua área preservada. Já a OnG Apremavi se utiliza de dados desse atlas, mas aponta SC com apenas 17,4% de preservação”, exemplifica.
O presidente da Fatma também contesta os dados de que Santa Catarina é o Estado que mais devastou a mata atlântica no País, conforme divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica. “O que acontece é que nosso Estado está 100% incluído no bioma Mata atlântica, então qualquer árvore nativa derrubada, em qualquer circunstância, estamos derrubando mata atlântica. Mas, mesmo assim temos o maior índice de preservação do Brasil, com 22,9%”, afirma, baseado nos dados da própria SOS Mata Atlântica.
Na avaliação de Kreuz, se for fazer um comparativo, por exemplo, com nossos vizinhos do Sul, veremos que o Paraná, preserva apenas 9,9%, e no Rio Grande do Sul, só restam 7,4% do bioma Mata Atlântica. “Santa Catarina fica a frente do Rio de Janeiro, que possui 18,6%, e Espírito Santo, com 10,3%, já que estes dois Estados, a exemplo do nosso, possuem todo o seu território enquadrado no bioma Mata Atlântica”, completa.
Ainda baseado nos dados da Fundação SOS Mata Atlântica, o presidente da Fatma afirma que percentualmente santa Catarina não foi o Estado que mais desmatou. “Estado possuía 23,4% de remanescentes da Mata Atlântica e em 2005 teve um decréscimo para 22,9%. Isso significa 2% sobre o que havia em 2000, sendo que outros estados foram bem mais longe, como Goiás, 8,4%, Mato Grosso do Sul, 3%, e Bahia, 2,2%”, argumenta.
Kreuz também refuta as afirmações veiculadas na imprensa nacional de que a indústria de base florestal seria a responsável pelo desmatamento do Estado. “Se ao longo dos anos tivemos mais de 75% da mata atlântica extraída no Estado, temos apenas poucos mais de 5% de nossa área em reflorestamentos, uma parcela territorial muito pequena para o que representa a indústria da madeira e da celulose parta Santa Catarina”, compara.
Ações para preservação da Mata Atlântica em SC
Independente do fato de estar com todo seu território no bioma Mata Atlântica, o Estado vem desenvolvendo ações para preservar o que sobrou dessa importante biodiversidade. Desde 2004, conforme o presidente da Fatma, Carlos Kreuz, em parceria com o banco alemão KFW, o Governo do Estado desenvolve o Programa de Proteção da Mata Atlântica (PPMA) que busca através de ferramentas tecnológicas intensificar a fiscalização, capacitando os fiscais, tanto da Fatma como da Polícia Ambiental, e dotando-os de equipamentos de gestão e controle.
O presidente informa ainda que a partir de 2005, as ações da Fatma foram intensificadas na região do Planalto Norte e Meio-oeste, com a instalação de coordenadorias regionais de Caçador e Mafra, regiões onde estão os municípios que apresentavam os maiores índices de desmatamento. “A Fatma também está realizando concurso para a contratação de 142 novos servidores, que vai ampliar o seu quadro de funcionários hoje reduzido para todas as demandas ambientais do Estado”, salienta.
Outro fator importante para a preservação, na avaliação do presidente da Fatma, é que desde dezembro de 2006, está em vigor a Lei da Mata Atlântica, que tornou bem mais severos os procedimentos de licenciamentos ambientais e autorizações de supressão de vegetação.
“Baseado nesses fatos, acreditamos que no próximo relatório, daqui cinco anos, Santa Catarina não apenas será o Estado com o maior percentual de preservação da Mata Atlântica, como estará entre aqueles que menos suprimiram a vegetação desse importante bioma”, finaliza.





