Major Elza Cansação Medeiros foi enfermeira da Força Expedicionária Brasileira
A veterana Elza Cansanção Medeiros, 82 anos, filha do médico sanitarista Tadeu de Araújo Medeiros, amigo de Alberto Santos Dumont e auxiliar direto de Oswaldo Cruz na campanha contra a febre amarela, foi a primeira brasileira a se apresentar como voluntária, na Diretoria de Saúde do Exército, para lutar na Segunda Guerra Mundial, aos 19 anos de idade.
A major Elza, hoje jornalista e autora de seis livros, estará em Caçador, dia 26 de maio, ministrando palestra sobre o Brasil na 2ª Guerra Mundial, em evento promovido pela UnC-Caçador.

O evento é voltado para acadêmicos, estudantes do Ensino Médio e demais pessoas interessadas em história e na participação do Brasil no conflito que causou mais vítimas em toda a história da humanidade.
Agende-se
O QUE: Palestra "O Brasil na 2ª Guerra Mundial"
QUANDO: Dia 26 de maio
HORÁRIO: 19h30
ONDE: UnC-Caçador (Teatro do Contestado)
QUANTO: Gratuito
Mulher mais condecorada do Brasil
Embora sonhasse em lutar na linha de frente, teve que se conformar em seguir como uma das 73 Enfermeiras no Destacamento Precursor de Saúde da Força Expedicionária Brasileira, uma vez que o Exército Brasileiro, à época, não aceitava mulheres combatentes. Com os pais, alagoanos, aprendeu a atirar, ainda na adolescência.
Com as governantas alemãs que serviram a sua família na Copacabana da década de 1930, aprendeu Música e idiomas. Por indicação de Arnon de Mello, pai do presidente Fernando Collor de Mello, ingressou na Associação Brasileira de Imprensa. Estreou, com Fernando Torres, no Teatro Universitário, com a peça Dama da Madrugada. Formou-se na Escola de Enfermeiras na Cruz Vermelha.
Durante o conflito, trabalhou nos hospitais de evacuação na Itália, distante do front, em turnos de 12 horas, nenhum soldado tendo falecido em seus braços. Atuou como Oficial de Ligação e Enfermeira-chefe no 7th. station Hospital, em Livorno. Com o fim do conflito, foi dispensada logo após o retorno ao país, vindo a trabalhar no Banco do Brasil.
Em 1957, as mulheres foram reconvocadas, podendo vir a ser militares de carreira. Dna. Elza retornou prontamente, continuando a trabalhar como Enfermeira. Mesmo tendo trabalhado no Serviço Nacional de Informações (SNI), jamais pensou em abandonar a carreira militar.
Formou-se em Jornalismo, História das Américas, Psicologia, Parapsicologia, Turismo e Relações Humanas. Com conhecimentos de mecânica, escultura, pintura e tapeçaria, deu a volta ao mundo duas vezes, esteve na Antártida, aprendeu a pilotar ultraleves aos sessenta anos de idade.Fundou e dirigiu duas revistas e assinou várias colunas em jornais do Rio de Janeiro e de Recife, tendo escrito três livros sobre a sua participação na Segunda Guerra.
Apresentou ainda inúmeros trabalhos em congressos de medicina militar, com especial destaque para as Sugestões para a criação de um Corpo Auxiliar Feminino para as Forças Armadas, base para a abertura das Forças Armadas do Brasil à participação das mulheres.
Membro da Academia Alagoana de Cultura, atualmente, dedica-se à preservação da memória fotográfica da FEB. É a mulher mais condecorada do Brasil, com 35, entre as quais:
Ordem do Mérito Militar - Grau Cavaleiro – 1979
Medalha da Ordem do Mérito Militar - Promovida a Oficial em 1989
Medalha de Campanha da Força Expedicionária Brasileira
Medalha do Mérito Tamandaré – Ministério da Marinha
Meritorius Service United Plaque - Exército Americano - USA – 1944
Medalha de Guerra –1945
Medalha do Soldado Polonês Livre
Medalha Ancien Combatant du Tatre du Operacion du L’Orope – França. (Única mulher a receber).





