Acordo de cooperação técnica favorecerá inicialmente a produção de soro para uso veterinário; na sequência, com a troca de conhecimentos e materiais, intenção é produzir o soro para uso humano
A Universidade do Contestado, campus Caçador é oficialmente parceria do Instituto Butantan de São Paulo, inaugurando uma nova era nas pesquisas com soro antiofídico e favorecendo intercâmbios de conhecimentos para os acadêmicos dos cursos de Ciências Biológicas, Farmácia, Enfermagem e Engenharia Ambiental. O acordo de cooperação técnica foi assinado há dez dias entre a UnC e o Instituto.
O coordenador dos laboratórios da UnC e do Serpentário do Centro de Manejo da Fauna Silvestre Brasileira – Região do Contestado (CEFASIL), Álvaro de Césaro destaca que entre as vantagens do acordo, a principal delas é o benefício direto aos acadêmicos. “As portas do Butantan agora estão abertas para estágios e sem custo algum para o estudante”, frisa.
“Na parte do soro, vamos começar agora a trabalhar na produção para uso veterinário, cujo processo é menos burocrático. Na sequência, quando houver a liberação por parte dos órgãos competentes de vigilância em saúde, vamos trabalhar na produção do soro para uso humano”, esclarece.

Laboratorista e coordenador do Serpentário da UnC, Álvaro de Césaro
Segundo ele, este acordo também favorece a inclusão da UnC Caçador em projetos para aquisição de materiais e equipamentos para os trabalhos. “Um dos equipamentos que precisamos é o ultrassom para pequenos animais. Um projeto solicitando materiais e equipamentos foi montado junto com a Fundação Cobra Viva, UnC e Butantan e enviado para o CNPQ e Fapesp”, explica.
FEITO INÉDITO- Álvaro informa que os pesquisadores do Butantan ficaram impressionados com o trabalho que vem sendo desenvolvido pela UnC junto ao Serpentário, especialmente a procriação da cobra coral verdadeira em cativeiro, fato inédito no País. “Isso foi o que pesou para o acordo acontecer porque o Butantan tem interesse em conhecer como conseguimos este feito”, salienta.
Agora, com a UnC tendo o Butantan com o parceiro técnico-científico as portas dentro do Estado também estão se abrindo. De acordo com Álvaro, os bombeiros voluntários catarinenses estão mais confiantes no trabalho realizado em Caçador e enviando cobras para o Serpentário. “Esperamos fechar o ano com mais de mil cobras”.
COLEÇÃO- Diante deste quadro, a UnC Caçador garante um trabalho de pesquisa e divulgação do conhecimento, com um acervo de espécies de primeira linha. Até o final do ano, o Serpentário da UnC deverá receber uma coleção com cerca de 40 animais que não são da nossa região como surucucu, sucuri, jararaca ilhoa, piton albina e também iguanas.
CONHEÇA- O Serpentário do Centro de Manejo da Fauna Silvestre Brasileira – Região do Contestado (CEFASIL) é destinado à criação, conservação, preservação e reprodução de espécies nativas e, também, para a coleta de venenos, realização de pesquisas e desenvolvimento de soros, vacinas e remédios.
Produção do soro
Até o final do ano, a equipe do Serpentário fará a primeira tentativa de produção de soro antiofídico. Isso ainda não aconteceu porque os trabalhos no local, que funciona dentro da Estação Experimental da Epagri de Caçador, foram paralisados em função da ocupação de área próxima pelo MST.
“Tivemos que dar uma segurada nos trabalhos porque há muita gente próxima ao local. Os dirigentes do Movimento foram alertados quanto a preocupação com a segurança, porque estamos falando de animais peçonhentos. Agora estamos aguardando alguma decisão sobre a situação”, salienta. “Mas pretendemos realizar os experimentos assim que possível”, completa Álvaro De Césaro.

De líquido, o veneno passa para o estado sólido, através de uma bomba de vácuo; as toxinas ficam intactas, na forma de pequenos cristais
SAIBA- A produção do soro é feita geralmente através da hiperimunização de cavalos. No caso do soro antiofídico, é extraído o veneno do animal peçonhento e inoculado em um cavalo para que seu organismo produza os anticorpos específicos para aquela toxina. Esse animal é o mais indicado para a atividade devido à facilidade de trato, por responderem bem ao estímulo da peçonha e pelo seu grande porte, o que favorece a fabricação de um grande volume de sangue rico em anticorpos.
A parte líquida do sangue, o plasma, rico em anticorpos passa por alguns processos de purificação e testes de controle de qualidade, para daí então estar pronto para o uso em humanos. As hemácias, que formam a parte vermelha do sangue, são devolvidas ao animal através de uma técnica de reposição para reduzir os efeitos colaterais provocados pela sangria.





