3 de outubro de 2026
Impasse

MST argumenta sobre ocupação na área da Epagri

Por Caçador Online

Depois da Justiça Federal conceder liminar favorável a reintegração de posse da área ocupada pelo Movimento Sem Terra na Estação Experimental da Epagri, líderes do MST realizaram na tarde desta segunda-feira, 22, uma entrevista coletiva, no próprio acampamento, na qual expuseram seus argumentos para permanecer no local.

Segundo o MST, “há problemas na gestão das terras, entre eles agressões ambientais e armazenamento irregular de embalagens de agrotóxicos”.

Contando com o apoio de entidades, que também questionam a atuação da Epagri na área de 1,5 mil hectares, o MST ainda promoverá, na tarde de quinta-feira (25), um grande ato que parte do acampamento se dirigirá em direção ao centro de Caçador. 

“Desde o ingresso na área, o MST buscou um acordo com a Epagri, tendo como participantes a OAB, o juiz agrário e o Incra, além de representantes de outros órgãos. Contudo, todos os canais de diálogo foram dispensados pela empresa”.

 A proposta do MST

“A proposta do MST é compatibilizar na área três interesses. O primeiro é investir, de forma conjunta e com o apoio do MST, na preservação da Área de Preservação Permanente de 800 hectares, que está nas terras. Isso intensificaria a fiscalização e impediria a degradação do local.

O segundo ponto trata do comodato entre Embrapa e Epagri. Como ele não está sendo cumprido, o movimento propõe que parte da área pública seja transformada em um assentamento para 40 a 50 famílias de agricultores. Eles trabalhariam de forma cooperada, em um assentamento modelo que levaria em conta as peculiaridades do local, como a APP e o fato de estar próximo de uma área de pesquisa.

O terceiro ponto propõe que a Epagri mantenha todos os laboratórios e uma grande área destinada à pesquisa. O Incra e o Ministério do Desenvolvimento Agrário propõem-se a assinar convênio com a Epagri para disponibilizar recursos para pesquisas em parceria”.

EPAGRI

PRONUNCIAMENTO DO GRUPO DE PESQUISADORES E DA ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA EPAGRI DE CAÇADOR (AFEMC) SOBRE A INVASÃO DO MST EM ÁREA DA ESTAÇÃO EXPERIMENTAL DE CAÇADOR

Passado aproximadamente um mês da invasão de área da Estação desencadeada, em 18 de setembro de 2007, pelo MST, com aproximadamente 200 “famílias”, o grupo de pesquisadores da Epagri, Estação Experimental de Caçador, e da Associação dos funcionários da Epagri de Caçador (AFEMC) vêm por meio deste documento se manifestar com voto de repúdio à referida invasão e contrário à idéia de desmembramento de área para o assentamento.

A área invadida é um imóvel público da União da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária sob comodato de uso à Epagri para o desenvolvimento de Pesquisa Agropecuária na região.

Nestes 70 anos que a Estação Experimental vem atuando em Caçador, inicialmente como Estação Experimental de Rio Caçador, do Ministério da Agricultura com pesquisa em cereais como trigo, cevada e milho e posteriormente na administração da Empasc e agora Epagri na pesquisa de maçã, alho, tomate e peixe, tornou-se pólo de referência de desenvolvimento de novas tecnologias de maior agregação de renda ao produtor e com inovações tecnológicas de menor impacto ambiental e com segurança ao produtor.

Os trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores da Estação são referência nacional com trabalhos de parceria de inúmeras instituições nacionais como CNPq, MA, MDA, ABPM, ACATO, Embrapa – Clima Temperada, Embrapa – Uva e Vinho, Embrapa – Floresta, IAC, IAPAR, IB, UFSC, UFRGS, UFPel, UDESC, UnC-Caçador, e internacionais como Cornell Universy – NY – Estados Unidos, Mondial Fruit – França, GTZ – Alemanha, JICA – Japão, etc. com volume de recursos significativos e muitos trabalhos importantes desenvolvidos pela Estação (Lançamento de novas cultivares mais adaptadas, Produção Integrada de Maçã (PIM), tecnologia de conservação de frutos armazenados, produção de sementes de alho livre de vírus, Produção Integrada de Tomate (PIT em desenvolvimento), Introdução e Produção de Alevinos de Peixes exóticos e nativos, etc. Estes trabalhos contribuíram para destacar Santa Catarina, no cenário nacional, como o 1o produtor de maçã, 4o produtor de alho, 4o produtor de peixes de água doce e 9o produtor de tomate.

Frisamos que a natureza de trabalho em pesquisa é diferente de outras atividades, e a área experimental deve ser bem maior para que um trabalho não interfira no outro,  pois a área usada para um experimento necessita de um período de repouso, sob pena de estrangulamento de novas áreas para experimentos. A área da Epagri aparentemente é vasta, porém grande parte é composta de Área de Reserva de Preservação Permanente, e uma extensão grande adjacente é constituída de áreas para  reconstituição dessa mata. As áreas restantes são de proteção de nascentes de água ou são áreas muito íngremes impróprias para o uso, restando poucas áreas para o trabalho de pesquisa e produção própria da unidade. A área da Epagri é de bem público de grande importância para a independência tecnológica e estratégica da nação, que gera tecnologia para o desenvolvimento e melhoria da vida do homem do campo.

Não somos contra o direito de organização e de lutas pela terra, mas somos pela legalidade que norteiam a legislação. Queremos deixar bem claro que esta área está sendo administrada e trabalhada pela Epagri, e estranhamos muito um movimento que busca assentar o homem no campo vir a invadir uma área experimental em prejuízo aos trabalhos que são desenvolvidas em benefício deste mesmo homem. Os trabalhos de pesquisa experimental são muito minuciosos e requerem um cuidado maior nas observações e na aplicação dos tratamentos. Qualquer interferência em uma das etapas dos experimentos poderá invalidar toda a pesquisa ali implantada.

Consideramos a invasão na Epagri, Estação Experimental de Caçador, uma ameaça não só à pesquisa desta unidade, mas de toda a Epagri, pois outras unidades poderão ser alvos desse movimento. Assim, o sucesso em uma das áreas poderá motivar a invasão de outras Estações ou áreas públicas no Estado catarinense. Trata-se, portanto de um caso grave e acreditamos que esse caso deve ser tratado com rigor da lei para evitarmos futuros.

Reiteramos veemente a nossa posição de repudio a invasão e a posição em não aceitar o desmembramento da área em prol do MST, pois isso vai comprometer a continuação dos trabalhos de pesquisa na Estação Experimental de Caçador, sob pena de fechar a unidade e necessitar transferir os trabalhos, os pesquisadores e os funcionários lotados nesta para uma outra unidade da Epagri.

Todos os pesquisadores da Estação Experimental querem os seus nomes relacionados neste documento. São eles: Álvaro Graeff, Anderson Fernando Wamser, Atsuo Suzuki, Clori Basso, Evaldo Nazareno Pruner, Frederico Denardi, Gabriel Berenhauser Leite, Janaína Pereira dos Santos, José Luiz Petri, Luiz Antonio Palladini, Luiz Carlos Argenta, Onofre Berton, Renato Luís Vieira, Siegfried Mueller e Walter Ferreira Becker.

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