3 de outubro de 2026
Contaminação

Vigilância Sanitária alerta quanto à qualidade da água de bicas

Estudo feito em 2003 já acusava contaminação por coliformes fecais

Por Caçador Online

Estudo feito em 2003 já acusava contaminação por coliformes fecais

Um estudo realizado em 2003 pela Vigilância Sanitária serve de alerta para a população de Caçador. Na época, a água de todas as bicas que ficam dentro do perímetro urbano e a que fica no Castelhano foi analisada e o resultado foi alarmante: presença de coliformes fecais e totais em 100% dos locais.

Motivo de revolta de muitos moradores naquele ano, este estudo é hoje uma base para conscientizar a comunidade das doenças que essa água contaminada pode causar. “Aquela diarréia que muitas pessoas têm e que não se preocupam e muitas vezes apenas tratam com remédios por conta própria é um sintoma de que houve uma intoxicação e, na maioria das vezes, é por causa da água contaminada”, enfatiza Cristina Amaral, da Vigilância Sanitária.


Cristina: Vigilância Sanitária alerta para doenças causadas por água contaminada

No entanto, muitos moradores usuários desta água não admitem que há perigo em sua utilização. “A alegação, na maioria das vezes é de que os seus antepassados bebiam daquela água e que não há nada de errado com ela”, destaca Cristina, referindo-se às desculpas dadas pelos moradores das proximidades das bicas.



Bica no Rancho Fundo: Casas estão localizadas logo acima da fonte

Na realidade, o problema está na infiltração de materiais das fossas cépticas de moradias que ficam, muitas vezes, ao lado das bicas. Além disso, a presença das moradias é constatada em locais mais elevados que a bica, o que facilita ainda mais a contaminação.

“Quanto mais longe da área urbana, mais difícil de uma dessas fontes conter os coliformes, mas isso não significa que não possa acontecer”, enfatiza Cristina, lembrando que na época das análises, a bica que fica no Castelhano também apresentou contaminação.

“Lá, o que se encontrou foram os chamados coliformes totais, que não têm a presença de fezes de animais, como os coliformes fecais, mas que também tornam a água imprópria para consumo”, salienta Cristina. Esses coliformes totais se caracterizam pela presença de materiais orgânicos na água, até pedaços de madeira. “É onde não se encontram as fezes dos animais de sangue quente”, frisa.

Ela afirma que uma nova análise está sendo preparada para o final deste ano. “Por enquanto, estamos coletando água de diversos poços que ficam em hotéis e motéis da cidade para estudo”, destaca, afirmando que nestes, também se detectou algum índice de contaminação, mas que na maior parte é por causa da falta de limpeza da caixa d´água.

Depois desse estudo, afirma Cristina, não é possível para a Vigilância lacrar os poços, apenas mais alertas para a população. “Vamos colocar algumas placas ao lado das bicas, dizendo que a água é imprópria para consumo, mas não podemos garantir que elas vão continuar ali por muito tempo”, salienta, citando o exemplo de outras cidades onde as placas tiveram a sua mensagem modificada.

Orientação é para beber água da Casan

Cristina finaliza afirmando que o melhor que se tem a fazer, é beber a água da Casan. “Essa podemos garantir que não há problemas, já que fazemos a análise periodicamente e há um controle interno da própria empresa quanto a qualidade da água que vai parar nas residências”, enfatiza.

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