Breve mais fotos do evento
Com uma decoração especial, que retratava a vida do homenageado na agricultura, foi realizada na noite desta sexta-feira, a solenidade de inauguração do Plenário Joaquim Scolaro, na Câmara Municipal. O espaço fica no segundo piso e tem capacidade para 45 pessoas, sendo usado diariamente pelas entidades para reuniões. A homenagem para um dos pioneiros no cultivo da uva e fabricação de vinho artesanal, premia todo o setor da agricultura caçadorense.

A sessão solene aconteceu no plenário Osvaldo José Gomes, com capacidade para 200 pessoas, onde os oito filhos presentes tiveram lugar de destaque. Um vídeo produzido especialmente para o evento, mostrou toda trajetória de Scolaro, desde quando seus antepassados vieram da Itália para tentar a vida no Rio Grande do Sul. Joaquim Scolaro chegou a Caçador no ano de 1945, instalando-se no interior do Município, hoje Linha Cará.
O Hino Nacional foi interpretado pela jovem Solange Tomazini Scolaro, neta de Joaquim, acompanhada pelo músico Marlon Diego Ohwailer. Em seguida, o vereador Deoclides Sabedot fez a entrega da cópia da Lei que institui o nome do plenário, sancionada no dia 23 de maio, pelo prefeito em exercício Lucir Christ. O projeto foi uma proposição dos vereadores Antonio Gilberto Gonçalves, Alcedir Ferlin, Jorge Antonio Savi, Marcos da Silva Creminácio e Neri Vezaro.
O vereador Jorge Antonio Savi representou os demais integrantes da Casa, manifestando a alegria de poder homenagear um homem simples, que construiu sua vida na lavoura, sendo um exemplo para todos. O filho Albino Scolaro, que reside atualmente no Paraná, fez uso da palavra em nome da família, destacando as qualidades de seu pai, que sempre procurou estar ao lado dos filhos, junto com a esposa Ângela.
Em seguida, os convidados se dirigiram para o 2º piso, onde foram descerradas as placas de identificação e entregue uma chave simbólica para a família. A benção foi feita pelo Padre José Victor Chapuis, amigo da família e Cidadão Honorário de Caçador. O presidente Antonio Gilberto Gonçalves concluiu o evento, afirmando que a honra era da Câmara Municipal, em ter um de seus espaços com o nome de tão importante cidadão, principalmente na área agrícola.
Decoração ressaltou agricultura
A decoração escolhida para o evento, pode ser considerada como uma exposição, tal a variedade de objetos, que lembram a trajetória de Joaquim Scolaro na Agricultura. São flores, artigos de plantio, máquinas e uma grande quantidade de pipas, em vários tamanhos, ressaltando a produção artesanal de vinho da família. A produção de bonsais, uma das atividades do filho Silvino também chamou a atenção de todos os convidados. A homenagem foi feita em grande estilo, sem deixar de valorizar as riquezas de nossa agricultura.

Joaquim Scolaro
A história de Caçador foi iniciada e continuou a ser feita por muitos anos por pessoas que não nasceram aqui. Hoje ela continua a ser escrita pelos descendentes dessas pessoas. E quem veio para cá? Foram pessoas que, primeiro, não encontraram no seus locais de origem a oportunidade e o espaço que desejavam para evoluir e progredir; segundo, eram pessoas de espírito muito ativo, de visão mais ampla das coisas e dotadas de um vontade férrea de criar algo.
Foram cidadãos e cidadãs que ao chegar em Caçador encontram aquilo que procuravam. Uma terra que sempre esteve de braços abertos para quem quer trabalhar, tem idéias, tem visão de futuro e não se intimida com dificuldades.
A homenagem que a Câmara Municipal presta é a uma dessas pessoas. Já prestou homenagem a outro cidadão ilustre, este tendo se destacado pelas atividades na cidade. E nada mais justo que se preste também uma homenagem a um agricultor. Um representante da agricultura, setor importante no desenvolvimento de Caçador. Um cidadão que a exemplo de seu avô, que veio da Itália com a família para encontrar seu lugar no Rio Grande do Sul, ele também de abalou com sua família para encontrar seu lugar e seu espaço em Caçador.
Joaquim Scolaro representa na verdade todos os agricultores. Foram tantos e tantos que vieram do Rio Grande do Sul para Caçador. A história de Joaquim Scolaro é a história de todos eles, com pequenas variantes. Ele nasceu em 1919 em Antônio Prado, Rio Grande do Sul e veio para Caçador em 1945 com a esposa e três filhos e aqui nasceram mais sete.
Como todos os pioneiros que para cá vieram, enfrentou dificuldades. A propriedade que comprou já tinha um pequeno parreiral que foi ampliado e já naquela época viu um fenômeno da natureza comum em Caçador, a chuva de granizo, destruir toda uma colheita.
Homem de visão, estava em seus planos a industrialização da produção da uva. O excelente mercado que era São Paulo para a uva in natura o fez mudar de planos. Como era comum entre os agricultores descendentes de italiano, produzia vinho, produto que ao longo dos anos ganhou fama, levando-o a colocar toda a produção da uva na fabricação do vinho.
Homem de trabalho, mas também de participação em ações da comunidade do Cará. Fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caçador e da Cooperativa Agrícola, via nesta associação o futuro da agricultura, outra característica de quem vivia o presente com o pensamento no futuro.
Foi um dos primeiros da comunidade a adquirir um caminhão, outra mostra de uma visão para o futuro. Outro exemplo seu era o amor pela terra e pela natureza, sempre procurando preservar a mata nativa e até hoje, na propriedade pode se ver frondosas araucárias e outras espécies. E nada mais importante que justamente hoje, 21 de setembro, Dia da Árvore, prestemos essa homenagem a quem as amou.
A sua alegria e entusiasmo foram abalados em 1990 com o falecimento da companheira de toda uma vida, a dona Ângela. Oito anos depois, morreu Joaquim Scolaro, deixando a grande lembrança de caráter, honestidade, lealde, cidadania e fé em Deus. Dos onze filhos, três seguiram os passos do pai e são agricultores e produtores de vinho. Um é falecido e os outros são empresário, professor, sacerdote, funcionária pública, professora e agricultora.
A Câmara Municipal de Caçador homenageando Joaquim Scolaro tem um pleito de gratidão a prestar. É à família Scolaro que nos permitiu que denominássemos este plenário como Plenário Joaquim Scolaro.





