As discussões acerca do transporte coletivo em Caçador chegaram em seu patamar mais elevado na noite desta terça-feira, 18, com a realização da Audiência Pública na Prefeitura de Caçador. Mesmo com uma participação popular relativamente baixa, o auditório da Prefeitura ficou completamente lotado.
A empresa Única, que fez frente aos trabalhos e realizou o estudo técnico das atuais linhas de ônibus coletivos em Caçador durante cinco meses, apresentou números e as possíveis necessidades que deverão ser supridas pela empresa detentora dos serviços para os próximos anos, tanto na área urbana quanto rural.

Todo o estudo da Única foi dividido em dois volumes, onde no primeiro, estão os dados agrupados e no segundo, os resultados obtidos.
Antes da Audiência, na sessão ordinária da Câmara, o vereador Marcos da Silva Creminácio elaborou um requerimento, com o respaldo dos outros nove edis, que foi também apresentado no evento. No documento, são elencados dez fatores que a empresa que detiver o transporte coletivo deverá cumprir.
“O que queremos incluir é o passe único, a facilitação no acesso aos cadeirantes e aos idosos, uma frota renovada, utilizando combustíveis alternativos, como o gás natural, já que é necessário também se pensar no meio ambiente”, enfatiza o presidente da Câmara, Antonio Gilberto Gonçalves, na apresentação do documento.
“Além desses itens, ainda estão incluídos a limitação da catraca eletrônica, a fim de não gerar uma onda de desemprego em massa, a reforma e adaptação dos pontos de passageiros, diferenciando desses atuais, onde as pessoas se molham em dias de chuva, pois não protegem, a extensão das linhas de ônibus e o acesso ao interior”, enumera Gonçalves. “O que nós queremos incluir também é a criação de um Conselho Municipal de Transporte Coletivo e a revisão nos descontos dados nas passagens para professores e estudantes”.
O estudo
Diferentemente de outras cidades maiores, o estudo realizado, apontou que o pico de uso de ônibus em Caçador é ao meio dia. Todas as linhas que existiam foram analisadas pela empresa Única, pra saber quantos passageiros usam, em que horário, quantos são idosos, estudantes e professores. Com isso, a empresa pôde colocar em prática as linhas com novos horários, tamanho dos ônibus e diversos outros aspectos de uso, de acordo com a necessidade.
O sistema é dividido em subsistemas, urbano e rural, porém foi sugerido pela Única que se faça uma única licitação para uma empresa apenas fazer os dois sistemas, já que são integrados. A Prefeitura de Caçador já se manifestou a favor desta questão.
O sistema terá mesmo a implantação de passes eletrônicos, sendo que as passagens com dinheiro serão mantidas, mas com cartão o usuário terá descontos, para incentivo à utilização do novo sistema. “A expectativa é que a principio 90% das pessoas utilizem o cartão”, fala o arquiteto da empresa e coordenador dos trabalhos em Caçador, Gilberto Bleggi.
Além disso, todos os passageiros poderão ir de um lugar a outro pagando apenas um passe, tendo apenas que trocar de ônibus. O intervalo de tempo entre o acesso a um ônibus e outro será de 30 minutos e todas as informações ficarão registradas no cartão-passe.
Anel
No centro da cidade, será implantado um "anel", onde todas as linhas serão obrigadas a passar. Nesse local, haverá quatro terminais (no começo serão cinco, já que haverá mudanças no trânsito perto da Rodoviária) onde também os ônibus têm que parar. “O objetivo é integrar todas as linhas, fazendo com que você possa ir de um canto a outro, sem ter de caminhar até outro ponto de ônibus e sem ter de esperar muito tempo, como acontece atualmente”, fala.
Esse anel deverá incluir as avenidas Barão do Rio Branco e 7 de setembro, as ruas Vitor Baptista Adami, Benedito Ponciano, Osório Timermann, Getúlio Vargas, Curitibanos e Nereu Ramos.
Já os terminais de transbordo terão a sua localização ao lado da Prefeitura, na praça Nossa Senhora Aparecida, Benedito Ponciano e em frente à loja Safira.
Passe único
As linhas irão passar pelo Centro e logo em seguida, voltam para o destino, ou seja, não vão para outro canto. Por exemplo, o usuário que vai do bairro Alto Bonito para o Santa Catarina, deve tomar o ônibus do Alto Bonito até o anel e do anel pega o que segue até o Santa Catarina. “Assim otimizamos as linhas, diminuindo custos”, afirma o arquiteto.
Tempo de concessão dos serviços
Outra definição é quanto ao tempo de concessão dos serviços, para a empresa que vencer a licitação. Segundo o projeto, ele deverá ser de 10 anos, podendo ser prorrogada mais 10.
Os cartões
Os cartões ou “bilhetagem” como são chamados os passes, serão do tipo cartão de crédito, gratuitos e nominais. A empresa divulgará pontos conveniados para que seja feita a recarga em reais. “Conforme o usuário utiliza, esses créditos são descontados”.
Segundo a Única, esse sistema é muito bom, pois evita passes falsos, controla a oferta e demanda, além da segurança, já que não há dinheiro no ônibus, evitando ainda problemas com troco.
Deficientes
Pela necessidade atual de ônibus especiais, o Projeto prevê um veículo com adaptações para deficientes, que vai atender todos estes usuários. Aqueles que precisarem se locomover dentro da cidade, podem ligar e marcar o horário e local onde o passageiro deverá ser pego. O ônibus vai atender exclusivamente os deficientes e estará sempre à disposição.
As adaptações não foram feitas em todos os ônibus, haja vista que a cada um a mais são cerca de R$ 10 mil na receita do sistema, ou seja, cerca de R$ 0,10 ou R$ 0,15 na tarifa. Segundo o estudo, apenas um já atende a demanda. O veículo, totalmente gratuito aos usuários, estará equipado com elevador para cadeira de rodas e braile.





