3 de outubro de 2026
Entrevista

Flávio Pazeto: Caçadorense no Itamaraty

Por Miriam Staskowian/Caçador Online

O jovem caçadorense Flávio Luis Pazeto, de 25 anos, único catarinense a ingressar na carreira diplomática, está de malas prontas para se transferir de Florianópolis, onde reside atualmente, para Brasília. Aprovado no concurso de admissão à carreira diplomática (CACD), considerado um dos mais difíceis do país, inicia sua missão de defender os interesses internacionais do Brasil no próximo dia 6 de agosto.

Não bastasse o carisma e a simpatia, Flávio conta ainda com um currículo invejável. Concluiu o ensino médio nos Estados Unidos, onde estudou por um ano. De volta ao Brasil, foi para Florianópolis, estudou e formou-se em Engenharia Elétrica e Direito. De janeiro de 2006 até julho de 2007, trabalhou na Justiça Federal de Santa Catarina, também na capital do estado. O novo diplomata morou em Caçador até 1998, é filho do professor universitário, Antônio Pazeto e da pedagoga Idanir Pazeto, e irmão de Marcio, de 23 anos.

Acompanhe nesta entrevista exclusiva as expectativas e os planos de Flávio para o futuro.
 
Como são as etapas do concurso? Você estava confiante?
O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata é realizado em três fases. A primeira fase, chamada de Teste de Pré-Seleção, é tão-somente eliminatória. Do total de candidatos inscritos (no caso deste último concurso, foram 8.667 candidatos), apenas os 300 primeiros são aprovados nessa fase. As questões dessa fase são objetivas, de múltipla escolha e de certo ou errado, e envolvem as disciplinas como Português, Inglês, História Mundial, História do Brasil e Política Internacional. Se aprovado, o candidato segue para a segunda fase, eliminatória e classificatória, cujo conteúdo é unicamente Língua Portuguesa, que é avaliada por meio de uma dissertação e duas questões discursivas de interpretação. Para ser aprovado na segunda fase, o candidato deve obter 60 de um total de 100 pontos. Depois, o candidato passa para a terceira fase, que é seguramente a mais difícil. Essa fase, é realizada ao longo de três finais de semana e envolve sete provas escritas: História do Brasil, Geografia, Inglês, Política Internacional, Direito, Economia e Francês. À exceção das provas de línguas estrangeiras, cada prova consiste na realização de cinco dissertações. Para ser aprovado, o candidato deve obter um somatório total de 390 pontos, de um total de 650 disponíveis na terceira fase (60% do total).


O que o motivou a tentar a carreira de diplomata e como foi a preparação?
Estudei muito ao longo de dois anos para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. Há vários motivos que fazem a carreira diplomática ser muito atrativa. Alguns são óbvios, como poder conhecer e residir em diversos países, ter contatos com muitas pessoas e poder participar de negociações internacionais. No entanto, para mim, e acredito que para a maioria dos outros aprovados também, a principal motivação é a oportunidade que a carreira diplomática oferece de poder defender os interesses brasileiros no mundo. 

Qual a importância dessa carreira pra você?
Eu entendo que a importância da carreira diplomática está justamente em sua principal responsabilidade: a defesa dos interesses internacionais do Brasil. Esses interesses, na minha opinião, são cada vez mais importantes para o povo do nosso país e cada vez mais relevantes no mundo atual.
 
Quais as expectativas da carreira no Itamaraty?
Um diplomata brasileiro geralmente passa dois terços do tempo de serviço em postos no exterior e um terço na Secretaria de Estado, em Brasília. O tempo em cada posto no exterior é de aproximadamente três anos, quando o diplomata é removido para outro posto. A maioria dos diplomatas se especializa em um ou dois temas de trabalho, tais como comércio internacional, desarmamento, proteção a brasileiros no exterior, meio ambiente, integração econômica, entre outros. 
 
Você esteve em Brasília nesta semana, qual a sensação de ver um sonho se realizando?
Sinceramente, há um sentimento de missão cumprida, de felicidade, mas também outro de responsabilidade pelo que se há de enfrentar daqui pra frente. Passar no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática é diferente do que passar no vestibular. Há poucas festas e muitas exigências por parte de todos, inclusive do Itamaraty, principalmente no que diz respeito à preparação para o exercício das funções.
 
Qual será sua atuação no Itamaraty?
Os diplomatas em início de carreira realizam um curso de dois anos no Instituto Rio Branco, com nível de mestrado. O Instituto Rio Branco funciona como uma escola de preparação, que visa uniformizar os conhecimentos dos diplomatas em áreas como política, direito e economia internacionais, além de fornecer os instrumentais necessários à pratica diplomática, como o domínio de línguas, os procedimentos de cerimonial e de administração burocrático-financeira.
 
E agora, quais são seus planos?
Meu plano a curto prazo é realizar um mestrado em diplomacia no Instituto Rio Branco. A longo prazo, eu pretendo me especializar em uma das áreas de interesse da política externa brasileira, a fim de poder contribuir do modo mais sólido possível para a defesa dos nossos interesses no mundo. 
 
Gostaria de deixar alguma mensagem para os jovens que pensam em seguir esta carreira?
A aprovação no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata é seguramente um motivo de grande felicidade. No entanto, eu sempre ressalto que o acesso a essa carreira é aberto a todos. As exigências de preparação não são pequenas, mas um Estado como Santa Catarina dispõe de excelentes universidades; por isso, nada justifica o fato de apenas um catarinense haver sido aprovado. Gostaria de ver mais conterrâneos na carreira diplomática. Incentivo, portanto, a que mais catarinenses se preparem e prestem esse concurso

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