Trabalho, que tem base na religião e na ciência,
terá mudanças a partir de outubro
A Comunidade Terapêutica Servos da Misericórdia, que trata de dependentes químicos e do álcool entra, a partir de outubro em uma nova fase. Os critérios de acolhimento, a partir de então serão diferenciados. “Os candidatos irão passar por uma triagem, que tem por objetivo principal entender se ele realmente quer a sua cura ou se está sendo obrigado pela família a procurar auxílio”, afirma o responsável pela comunidade, o padre José Robério, enfatizando que é necessário que a pessoa tenha 100% de vontade de se recuperar.

Ele destaca ainda que uma das maiores mudanças no método da comunidade é de que a família deverá participar ativamente da recuperação do dependente. “Vamos exigir um compromisso, inclusive com documentos assinados, para que os familiares se comprometam em estar presentes”, salienta.
No entanto, o padre Robério faz questão de salientar que a comunidade não vai desprezar uma pessoa que não tiver ninguém por ele e que realmente esteja com vontade de se recuperar.
Contribuições
Um dos pontos enfatizado pelo padre é com relação à participação econômica da família na recuperação dos dependentes. “Iremos pedir a situação econômica dos familiares, pois iremos estabelecer uma contribuição mensal para ajudar a custear as despesas que teremos no tratamento”, destaca, afirmando que nesta nova fase, serão incluídos mais profissionais e isso gera um custo que terá de ser suprido.
Outro detalhe que o padre Robério salienta é com relação a exames que os dependentes deverão fazer para entrar na comunidade. “Precisamos saber como esta pessoa está, já que sabemos de muitos casos onde os dependentes entram em comunidades e depois de um tempo apresentam problemas de saúde, decorrentes da droga que foi utilizada durante muito tempo”, completa.
“A nossa comunidade passa a trabalhar sobre um tripé: Trata-se da laboterapia, a espiritualidade e a conscientização. Esses três terão uma parcela de participação na recuperação dos dependentes, só que a última é a mais importante, pois a pessoa terá que entender que a vida desregrada que levava terá que terminar quando entrar na comunidade”, explica Robério, comentando que não adianta uma pessoa ficar durante 6 meses e não ser trabalhado o seu defeito de caráter, “pois ele volta para a sociedade do mesmo modo como ele entrou”.
Espiritualidade é fundamental
A espiritualidade é um dos fatores fundamentais também na recuperação, pois é necessário que a pessoa que busca um tratamento tenha uma crença em coisas maiores do que apenas a ciência. “O dependente precisa ter uma confiança em algo sobrenatural, pois ele pode perder a esperança em tudo que tem sido feito por ele, mas se ainda ele confiar em Deus, terá uma força maior para se recuperar”, completa.
Equipe de trabalho
Robério conclui enumerando os profissionais que estarão realizando o trabalho de recuperação dentro da comunidade. “Teremos 2 psicólogos, 7 agentes sociais, 2 enfermeiras, 1 assistente social. Todas essas pessoas foram treinados em curso na Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas e estão aptos a coordenar e acompanhar um trabalho desse porte”, finaliza.
A comunidade hoje
Atualmente, a comunidade conta com 6 pessoas em recuperação. O padre Robério lembra que os que mais procuram são dependentes de álcool, mas que aqueles que eram usuários de drogas ilícitas tem maior dificuldade em se recuperar. “Mesmo assim, nosso trabalho tem dado bons frutos. Faz pouco tempo, 10 pessoas receberam alta e duas ficaram conosco, por não terem para onde ir”, revela.
Os dependentes são acolhidos como filhos e não como doentes. “Acreditamos que Deus faz milagres, pois nos ajuda a curar essas pessoas que eram usuários dos mais diversos tipos de drogas”, afirma o padre.





