Objetivo é resolver a situação da melhor
maneira possível em até 10 dias
Com o objetivo de esclarecer e tomar providências acerca dos acontecimentos envolvendo um falso médico, preso em Caçador na semana passada, a Prefeitura de Caçador reuniu-se na tarde desta segunda-feira, 2, com o presidente da Cooperpasso, de Passo Fundo. A cooperativa foi a responsável pela contratação de David Gaiki.
De acordo com a secretária de Saúde de Caçador, Cleony Figur, será aberto um processo administrativo imediatamente contra a Cooperativa, para que sejam apurados os fatos. Deste processo, resultam duas situações: multa, estipulada sobre o valor do contrato e, em últimas instâncias, rompimento do contrato.
Cleony e Joice: "Abriremos um processo administrativo para não infringirmos a Lei"
“Agimos normalmente, notificamos a Cooperativa e impomos que os documentos deveriam ser trazidos para a nossa análise até a tarde de hoje (segunda-feira) e isso foi feito”, revela Cleony, lembrando que depois que houver a abertura do processo administrativo, será estipulado um prazo máximo de 10 dias para que a Cooperpasso apresente a sua defesa.
Se for comprovado que a empresa sabia das irregularidades, o contrato será automaticamente rompido. Segundo o presidente da Cooperativa, Airton Morgantti, o falso médico está filiado desde o dia 10 de janeiro deste ano. “Toda a documentação exigida por nós foi apresentada pelo David. Ele não nos entregou apenas as cópias autenticadas, o que segundo ele, seria feito em breve, mas nos deixou todos os seus certificados”, salienta, enumerando mais de 20 cursos de especialização do falso médico, em um currículo enviado para a Cooperativa.
Airton Morgantti: "Queremos continuar trabalhando em Caçador.
Incidente parecido nunca havia acontecido com a Cooperativa"
Para se associar na Cooperpasso, Morgantti revela que é necessário preencher um currículo, constando os seus dados, além do diploma da área em que deseja atuar. “Qualquer pessoa que esteja ligada à área da saúde pode entrar na Cooperativa”, afirma. “Vamos esperar agora a decisão da Prefeitura, mas adianto que é de interesse manter o contrato com o município de Caçador, além dos diversos outros que são mantidos em todo o Estado”, enfatiza.
Ligação do médico com a Cooperativa
Morgantti afirmou, contrariando o que o falso médico disse, que não tem nenhuma ligação de amizade com ele. “Conheci apenas o pai dele, mas não ele. Aliás, ele mora em Erechim, onde todos os moradores o conhecem como médico. Eu saí de lá fazem mais de 20 anos”, enfatiza.
Defesa fraca
A assessora jurídica da Prefeitura, Joice Flores de Mathias Wagner, adiantou que se a defesa da Cooperativa se basear apenas no que está sendo exposto, possivelmente não haverá continuidade do contrato. “Eles não poderiam mandar um médico sem conhecê-lo antes, ou sem que ele cumprisse os requisitos básicos exigidos”, destaca.
Mesmo assim, enquanto não há definições, um outro médico para substituir Gaiki já está sendo enviado para Caçador.
Entenda como foi o caso
Devido a uma paralisação dos médicos de Caçador, a Secretaria de Saúde resolveu, através de um decreto, normalizar a situação, com a contratação em caráter de urgência de alguns profissionais para suportar a demanda.
Como não foi suficiente, a alternativa foi a contratação de uma empresa tercerizada, no caso, a Cooperpasso.
A partir do dia 20 de fevereiro, a Cooperativa começou a prestar serviços ao Município. Na semana que passou, o problema com Gaiki surgiu. Ele atuava no pronto atendimento do Hospital e Maternidade Jonas Ramos, quando foi abordado por fiscais do Conselho Regional de Medicina, que verificavam uma denúncia.
Ao conferir seu número de registro no conselho, foi constatado que o mesmo pertence a uma médica do Rio Grande do Sul e sua prisão ocorreu quando se preparava para embarcar num ônibus para deixar o município.





